Uma linha de código costuma valer mais do que mil promessas de marketing — e a última leva de commits no repositório GPUOpen da AMD deixou a comunidade de olho brilhando. A versão 1.5 do ADLX (AMD Device Library eXtra) revelou a interface IADLX3DFidelityFXFrameGenUpgradeRatioOption, um nome comprido que, na prática, antecipa um recurso aguardadíssimo: escolha manual do multiplicador de quadros no FSR4. Isso indica que a próxima geração de placas Radeon RX 9000 (RDNA 4) deverá ganhar Multi-Frame Generation nativo, gerando dois, três ou até cinco quadros sintéticos entre dois quadros reais — algo fundamental para concorrer com o DLSS 4.5 (6×) da NVIDIA e o XeSS 3 (4×) da Intel.
O que mudou no código?
Até a versão atual do FSR, o usuário só podia habilitar ou desabilitar a geração de quadros em 2 ×. Agora, as funções GetRatio e SetRatio permitem selecionar um ratio (proporção) maior — ainda não exposto na interface pública, mas claramente preparado para valores acima de “2x”. Se houvesse intenção de ficar preso ao dobro de FPS, simplesmente não haveria necessidade de um seletor escalável.
Por que isso importa para você e seus jogos?
Na prática, multiplicar a taxa de quadros significa diminuir a latência aparente do jogo e aproveitar monitores de 144 Hz, 240 Hz ou mais sem exigir uma GPU do outro mundo. Imagine títulos competitivos como Valorant ou Apex Legends rodando a 90 fps nativos e sendo turbinados para 360 fps no modo 4× — tudo via hardware, sem artefatos perceptíveis. Quem joga no controle também sente resposta mais rápida, graças a “janelas” de input menores.
O cenário competitivo em 2026
A corrida por fluidez se intensificou. A NVIDIA já confirmou suporte a até 6× no DLSS 4.5 com as futuras GeForce RTX 50. A Intel, por sua vez, entregará 4× no XeSS 3. Hoje, o FSR4 oferece apenas 2×, o que equivale a um terço do que a rival verde promete. A implementação de multiplicadores maiores é, portanto, essencial para que a AMD não vire figurante nesse mercado.
Atualização automática via driver Adrenalin
Outro detalhe encontrado no SDK é um override de driver que deve alegrar desenvolvedores e jogadores: títulos com FSR 3.1 poderão migrar automaticamente para o FSR4 baseado em IA, sem exigir patch manual. Basta instalar o pacote Adrenalin mais recente e pronto — os games herdarão a nova rotina de frame gen.
Quem realmente terá acesso ao FSR4 completo?
Ferramentas de terceiros como Lossless Scaling provaram que até GPUs antigas conseguem gerar múltiplos quadros via software, mas a AMD deve limitar o suporte oficial às placas RDNA 4. O motivo é simples: o FSR4 utiliza redes neurais mais complexas e exige aceleradores de IA embutidos no silício. Em outras palavras, seu Radeon RX 6000 ou RX 7000 pode até rodar algo parecido, mas não terá a mesma eficiência — nem o carimbo de garantia da AMD.
Imagem: William R
Computex 2026: o palco da confirmação
Analistas colocam junho de 2026, durante a Computex, como a data em que a AMD abrirá o jogo: quais modelos RX 9000 receberão 4× ou 6× de multiplicação? Haverá alguma boa surpresa para donos de placas anteriores? Até lá, quem planeja atualizar o setup já pode considerar monitores de alta taxa de atualização, teclados de resposta rápida e, claro, uma fonte de qualidade para sustentar a possível fome energética das novas GPUs.
No fim das contas, o FSR4 com Multi-Frame Generation não é apenas um contra-ataque técnico; é uma promessa de que a disputa pela coroa do FPS ainda está aberta — e nós, jogadores, vamos colher os benefícios.
Com informações de Hardware.com.br