Se você trabalha ou se diverte em um Mac, iPhone ou iPad, vale a pena apertar o cinto de segurança digital. Um novo relatório da Jamf — empresa referência em gerenciamento e proteção de dispositivos Apple — revela números alarmantes sobre o ecossistema da maçã. Entre eles, o dado de que 72% dos aplicativos analisados apresentam vulnerabilidades conhecidas. Em tempos de armazenamento em nuvem, carteiras digitais e PCs cada vez mais integrados ao dia a dia, essa porcentagem é o equivalente a deixar a porta da frente destrancada.
O raio-X da ameaça: estatísticas que preocupam
No Security 360, a Jamf vasculhou dezenas de milhares de Macs e nada menos que 1,7 milhão de dispositivos iOS e Android no ambiente corporativo. O diagnóstico expôs um cenário digno de firewall sempre ligado:
- 44% dos aparelhos trocam dados em redes maliciosas, seja em Wi-Fi público ou VPN comprometida.
- 41% rodam sistemas operacionais criticamente desatualizados, algo grave após as recentes falhas 0-day do iOS 17 e do macOS Sonoma.
- 53% das empresas têm ao menos um dispositivo com OS ultrapassado, ponto frágil perfeito para ransomwares.
- 8% dos usuários clicaram em links de phishing, abrindo caminho para vazamentos de senhas e dados bancários.
Em paralelo, o levantamento mostra que o market share de Macs cresceu 16,4% entre 2024 e 2025. Quanto mais popular o hardware, maior o alvo para cibercriminosos.
Por que antivírus tradicional não basta mais
Segundo o Jamf Threat Labs, cerca de 50% dos malwares descobertos ainda não são identificados pelas suítes antivírus convencionais. Os agentes de ameaça refinam códigos a todo momento, criando variedades de cavalos de Troia, infostealers e spywares que driblam assinaturas conhecidas. Ou seja: segurança efetiva exige camadas extras de defesa — de filtragem DNS a monitoramento comportamental.
Apps: o elo mais fraco da corrente
A Jamf analisou 135 dos aplicativos de negócios e consumo mais baixados na App Store e no Google Play. 86% continham falhas catalogadas em bancos de dados de vulnerabilidades, muitas vezes herdadas de bibliotecas de código terceirizadas. Para o usuário final, isso se traduz em risco de vazamento de fotos, e-mails corporativos ou dados de saúde.
Se você gerencia TI, vale auditar apps de produtividade que sua equipe adora — de editores de PDF a mensageiros criptografados. E se usa o Mac para jogar, confira se aquele utilitário de overclock ou gravação de gameplay recebe atualizações constantes. Uma brecha na API de tela pode entregar seu teclado e mouse gamer (sim, periféricos também carregam firmware) de bandeja a atacantes.
Imagem: Jny Evans
Boas práticas que fazem diferença (e não exigem diploma de segurança)
• MDM de verdade: Ferramentas criadas para macOS, não portadas do Windows, oferecem integração com FileVault, Gatekeeper e Apple Silicon.
• Atualizações em dia: A Apple libera Rapid Security Responses; configure para instalar em horário de almoço, evitando impacto na produtividade.
• Filtro de phishing e DNS seguro: Reduz 93% dos cliques em URLs maliciosas, indica a Jamf.
• Separação de dados pessoais e corporativos: Funcionalidade nativa no iOS 17 elimina o medo de que a empresa leia suas mensagens.
• Baixe apenas de fontes confiáveis: Parece óbvio, mas o estudo mostra que sideloading ainda é responsável por um terço dos incidentes móveis.
O que isso significa para quem pensa em upgrade de hardware
Se você está de olho em um MacBook com chip M3 ou em um iPad Pro com tela OLED, leve em conta que Apple Silicon traz Secure Enclave de última geração, aceleradores de criptografia e hardware de arranque seguro. Sistemas mais novos recebem updates por mais tempo e rodam ferramentas de proteção avançadas com menor impacto em bateria — ponto crucial para quem usa teclado e mouse sem fio o dia inteiro.
Em resumo: a Jamf tocou o alarme. Segurança não é aplicativo que você instala e esquece, mas sim um processo contínuo que combina tecnologia apropriada, atualização disciplinada e, acima de tudo, usuários conscientes. Talvez não possamos controlar as tempestades digitais, mas certamente podemos escolher pilotar com colete salva-vidas em dia.
Com informações de Computerworld