A HP deu um passo ousado na corrida pela inteligência artificial embarcada: anunciou o HP IQ, uma suíte que inclui um modelo local de nada menos que 20 bilhões de parâmetros — quase o dobro do Llama 2 de 13 B da Meta — preparada para rodar diretamente nos novos AI PCs da marca. O objetivo é claro: reduzir a dependência de nuvem, acelerar tarefas diárias e, de quebra, disputar espaço com o Microsoft Copilot e soluções equivalentes de concorrentes como a Lenovo.
Quando e onde chega o HP IQ
• A estreia em early access acontece no 2º trimestre de 2024, começando pelos notebooks HP EliteBook X G2, equipados com processadores Intel Core Ultra (que trazem NPU dedicada) ou AMD Ryzen AI.
• No 3º trimestre, a novidade alcança outros laptops, desktops e até as barras de vídeo Poly Studio, em lançamento limitado.
Por que esse modelo local é tão importante?
Rodar IA no próprio dispositivo resolve três grandes dores de empresas e usuários exigentes:
1. Privacidade e compliance – Dados sensíveis não saem do PC, eliminando riscos de exposição a servidores externos.
2. Latência zero – Respostas instantâneas, mesmo offline (sim, você pode usar no avião sem Wi-Fi).
3. Custos operacionais – Menos chamadas a APIs pagas na nuvem significam economia de tokens para a TI.
Funcionalidades já confirmadas
Ask IQ – chat assistido por IA que aceita texto ou voz.
Analyze – varre arquivos locais para gerar resumos e insights acionáveis.
Notes & Knowledge – organiza anotações e interações automaticamente.
Meeting Agent – grava, transcreve e captura ideias em reuniões, recurso de ouro para quem usa Teams ou Zoom.
Mais recursos serão liberados ao longo do ano, segundo a HP.
NearSense: colaboração sem cabos
Usando as APIs Device-to-Device Infra do Google, o NearSense permite que PCs Windows, celulares Android e salas de reunião “conversem” entre si. Na prática, você arrasta um arquivo no notebook e solta diretamente no aparelho do colega, sem pendrives nem anexos de e-mail.
Visor: interface que aparece só quando você precisa
Um overlay que ocupa o terço superior da tela surge sob demanda para exibir comandos ou respostas da IA, desaparecendo quando não é necessário. Menos poluição visual e mais foco.
Novas armas para o time de TI: WXP turbinada
A Workforce Experience Platform (WXP) ganhou funções que qualquer administrador de parque de PCs vai querer testar:
Imagem: Lynn Greiner
• Remediação por IA – cada alerta já traz a solução sugerida ou executa correções sozinha.
• Workflow Builder – cria fluxos automáticos disparados por data, evento ou alerta (ex.: atualizar BIOS fora do expediente).
• Relatórios customizáveis – métricas sob medida, em vez de dashboards engessados.
• Pulse para Microsoft Teams – notifica usuários sobre softwares fora de conformidade e solicita ação.
• Protect & Trace com Wolf Connect – localizar, bloquear ou apagar PCs, mesmo desligados.
• Poly+ Analyze – suporte premium para ambientes de videocolaboração Poly.
• Carbon Footprint Report (Q3) – monitoria de consumo de energia e pegada de carbono.
Contexto de mercado: o novo campo de batalha dos OEMs
Especialistas como Anurag Agrawal (Techaisle) e Anshel Sag (Moor Insights) enxergam o HP IQ como a tentativa de “reconquistar a camada” entre o sistema operacional e o usuário, hoje ocupada em boa parte pelo Copilot da Microsoft. Lenovo já contra-ataca com Qira e Aura Smart Share, sinal de que os grandes fabricantes não querem virar meros entregadores de software de terceiros.
O que isso significa para você?
Se você é gamer ou criador de conteúdo, o salto imediato não está só na CPU ou na GPU — que, aliás, continuam vitais para quem avalia placas de vídeo na Amazon. A novidade é a NPU + modelo local: tarefas como transcrição, organização de cenas ou legendagem automática podem rodar sem impactar sua placa de vídeo dedicada, liberando poder gráfico total para frames mais altos em AAA ou para renderizações mais rápidas no Blender.
Para o profissional corporativo, significa menos fricção no dia a dia: abrir um relatório, resumir insights, anotar a reunião e mandar tudo para o colega ao lado — tudo antes mesmo de o Wi-Fi do café conectar.
No fim das contas, a HP mostra que o “PC AI” não é só marketing, mas uma tendência concreta de descentralizar a inteligência artificial. E, como toda boa disputa tecnológica, quem ganha é o usuário, que verá laptops e desktops cada vez mais capazes sem depender de uma conexão constante à nuvem.
Com informações de Computerworld