A Samsung está prestes a mexer em um dos alicerces de sua estratégia de smartphones: produzir (e consumir) as próprias telas. Fontes do portal coreano The Elec indicam que a divisão Mobile Experience (MX) encomendou cerca de 15 milhões de painéis OLED à CSOT — China Star Optoelectronics Technology, subsidiária da TCL. Os primeiros modelos contemplados seriam o Galaxy A57 e o Galaxy S26 Fan Edition, previstos para chegar às lojas entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Por que a Samsung está abrindo mão das próprias telas?
A resposta cabe em uma palavra: custo. De acordo com executivos ouvidos pelo The Elec, cada painel OLED rígido da CSOT sai ao menos 20 % mais barato que um equivalente fabricado pela Samsung Display. Em um cenário de alta expressiva nos preços de memória RAM e processadores, economizar na tela virou a válvula de escape que permite manter margens sem repassar todo o aumento ao consumidor final.
Rigid OLED vs. Flexible OLED: o que muda na prática?
A Samsung Display domina a produção de painéis flexíveis, usados nos Galaxy S e Fold, cuja borda curva garante acabamento premium. Já a CSOT entrega painéis rígidos, mais baratos, mas com moldura ligeiramente mais espessa. Para quem joga ou maratona séries no celular intermediário, a diferença visual tende a ser pequena:
- Qualidade de cor e contraste: o preto profundo e o contraste infinito do OLED permanecem.
- Taxa de atualização: a expectativa é de manter 120 Hz, mesma fluidez vista no atual Galaxy A55.
- Bordas: milímetros extras podem ser perceptíveis lado a lado com um top de linha, mas não afetam a experiência de jogo ou streaming.
Comparativo rápido: Galaxy A57 vs. Galaxy A55
Galaxy A55 (2024) – Tela Super AMOLED FHD+ de 6,4”, 120 Hz, fabricada pela Samsung Display.
Galaxy A57 (2026*) – Tela OLED rígida FHD+ de 6,5–6,6” (estimativa), 120 Hz, fornecida pela CSOT.
*Especificações provisórias.
Ou seja, quem considerar fazer upgrade provavelmente verá uma tela ligeiramente maior, com a mesma fluidez e brilho semelhante, mas com bordas um pouco mais grossas — e preço potencialmente mais atraente.
Impacto para gamers e criadores de conteúdo
Para jogos competitivos como Call of Duty Mobile e Free Fire, a taxa de 120 Hz e o tempo de resposta rápido continuam presentes. A maior mudança prática deve vir do chipset: rumores apontam um Exynos 1480 ou Snapdragon 7s Gen 3, que trariam GPU mais forte que a do A55. A combinação de boa tela OLED + novo processador deve sustentar jogos em 90 fps sem gargalos, mantendo o pacote interessante para quem busca performance sem pagar preço de flagship.
Pressão interna e efeito dominó no mercado de displays
A decisão criou tensão dentro do conglomerado. A Samsung Display tentou, sem sucesso, barrar o pedido alegando riscos de canibalização. Vale lembrar que a divisão de telas fornece para gigantes como Apple e Google; perder 15 milhões de painéis internos significa abrir mão de receita garantida.
Imagem: Internet
No cenário macro, a jogada pode catalisar um efeito dominó:
- Reforça a maturidade técnica de fornecedores chineses como CSOT e BOE.
- Pressiona fabricantes coreanos e japoneses a revisarem preços.
- Estimula outras marcas (Motorola, Xiaomi) a negociarem volumes maiores, baixando ainda mais o custo do OLED intermediário.
Quando veremos esses smartphones nas vitrines?
Fontes de linha de produção projetam início de montagem com displays CSOT em abril de 2026. Isso abre caminho para o lançamento global do Galaxy A57 no segundo semestre e do Galaxy S26 FE no fim do ano. Se o cronograma se mantiver, os consumidores brasileiros podem conhecer os primeiros Galaxy com tela “third-party” já na Black Friday 2026.
Vale a pena ficar de olho?
Para quem planeja trocar de celular dentro de dois anos e prioriza equilíbrio entre preço e experiência multimídia, acompanhar o Galaxy A57 e o S26 FE faz sentido. Mesmo com bordas ligeiramente mais grossas, a tela OLED continua entregando preto real, cores vivas e 120 Hz — atributos que ainda não chegaram a todos os concorrentes na mesma faixa de preço. Se a economia de 20 % na tela for repassada ao varejo, a nova geração pode se tornar uma das ofertas de melhor custo-benefício no portfólio da Samsung.
No fim das contas, o A57 e o S26 FE serão um termômetro para medir até onde a Samsung está disposta a ir na busca por margens — e até onde o consumidor aceita compromissos de design em troca de preço mais agressivo.
Com informações de Mundo Conectado