A audaciosa promessa de entrar no metaverso vestindo um headset tem data para acabar. A Meta confirmou que o Horizon Worlds será removido dos óculos Quest em 15 de junho de 2026, marcando o encerramento definitivo da versão em realidade virtual (VR) da plataforma. Depois disso, o “mundo” continuará vivo apenas no aplicativo para Android e iOS. Para quem já investiu em um headset ou planejava fazê-lo, a notícia muda o cenário — mas não significa que o VR esteja morto. Entenda o que muda e como isso afeta gamers, criadores e futuros compradores de hardware.
O cronograma de desligamento
A Meta dividirá o processo em duas fases:
- 31 de março de 2026: mundos e eventos desaparecem da loja Quest. Espaços populares, como Horizon Central e Events Arena, deixam de aparecer para novos usuários.
- 15 de junho de 2026: o aplicativo é removido dos headsets Quest; todos os mundos ficam inacessíveis em VR.
Após essas datas, a única porta de entrada será o aplicativo Meta Horizon Mobile, que continua recebendo atualizações e novos mundos.
Por que a Meta está saindo dos óculos?
Em publicação recente, Samantha Ryan, VP de Conteúdo do Reality Labs, mostrou que o uso no celular quadruplicou em 2025, saltando de zero para mais de 2.000 mundos focados em toque e tela. Quatro criadores já faturaram mais de US$ 1 milhão, enquanto quase cem passaram da casa dos seis dígitos. Para a Meta, **o público está no mobile – e o dinheiro também**.
Outra métrica interna revela que 86 % do tempo gasto nos headsets Quest vai para apps de terceiros, não para o Horizon Worlds. Concentrar esforços no smartphone libera o hardware para cumprir seu papel preferido: ser uma central de jogos VR como Beat Saber, Asgard’s Wrath 2 e experiências de fitness imersivo.
E os donos de Quest? Há vida além do Horizon
Se você já tem um Meta Quest 3 (ou pensa em comprar), não precisa se preocupar com obsolescência. A empresa mantém investimentos pesados: foram US$ 150 milhões em 2025 para apoiar estúdios independentes, e o serviço Meta Horizon+ ultrapassou 1 milhão de assinantes ativos, com mais de 100 jogos no catálogo.
No universo dos headsets, o Quest segue rivalizando com o PlayStation VR2 da Sony e o emergente Apple Vision Pro, prometido para chegar ao Brasil em breve. Todos preservam a vocação “gaming first”, enquanto o Horizon Worlds assume perfil mais casual no celular — algo parecido com Roblox e Fortnite Creative.
Hiperscapes descartado: adeus ao componente social 3D
Outra vítima da mudança é o Hyperscape Capture, recurso beta que permitia capturar e compartilhar reconstruções 3D de lugares reais. A funcionalidade continuará ativa apenas de forma individual. Convites, sessões em grupo e visitas colaborativas serão desativados, minando justamente o apelo social que justificava o projeto.
Imagem: Internet
O que isso significa para gamers e criadores?
1. Menos distrações no Quest: Canais de jogos poderão ganhar destaque, abrindo espaço para títulos AAA que exploram o Snapdragon XR2 Gen 2 do Quest 3.
2. Criadores de conteúdo: Quem monetiza no Horizon Worlds precisará adaptar mundos e mecânicas para touch screen. A Meta promete novas APIs específicas para mobile.
3. Futuras compras de VR: Para quem avalia headsets, o foco passa a ser catálogo de jogos, conforto e sensores — áreas onde os modelos listados na Amazon, como Quest 3 e Pico 4, continuam evoluindo.
Visão maior: fim de um ciclo, início de outro
A Meta gastou mais de US$ 50 bilhões no Reality Labs desde 2021, quando trocou o nome Facebook por Meta para sinalizar a aposta no metaverso. Encerrar o Horizon Worlds em VR é, na prática, admitir que o sonho de um “Second Life” em 360° não ganhou tração massiva. A empresa, porém, sai desse episódio com três ativos importantes:
- Uma linha de hardware competitiva (Quest) pronta para jogos VR.
- Experiência em IA aplicada a óculos inteligentes, como os novos Ray-Ban Meta.
- Uma plataforma social mobile recém-turbinada, onde a barreira de entrada é muito menor.
Em resumo, o metaverso não acabou, mas mudou de endereço: saiu do visor dos óculos e foi parar na tela do smartphone. Para quem acompanha tecnologia — e pensa em investir em periféricos como headsets, controles hápticos ou mesmo em smartphones gamer —, vale observar como a Meta vai integrar essas frentes nos próximos dois anos.
A contagem regressiva está no relógio: em 15 de junho de 2026, o Horizon Worlds fecha as portas do VR e, oficialmente, inicia a era do metaverso de bolso.
Com informações de Mundo Conectado