Em pouco mais de dois anos, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República criou uma verdadeira muralha eletrônica em torno dos palácios presidenciais. Desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, foram 135.311 drones não autorizados neutralizados no espaço aéreo de Brasília — uma média que chegou a 128 aeronaves por dia nos primeiros 50 dias de 2026.
Como funciona o “bloqueio” a 2,4 GHz e 5,8 GHz
O GSI utiliza um sistema fixo de interferência por radiofrequência. Na prática, ele emite pulsos nos mesmos espectros usados pela maioria dos drones de consumo — 2,4 GHz e 5,8 GHz. Quando a aeronave perde o link com o controle remoto:
- Ela aciona o Failsafe RTH (Return to Home) e volta ao ponto de decolagem;
- Ou executa um pouso controlado, guiada pelo próprio GPS.
O método prioriza a não destruição do equipamento. Além de evitar destroços sobre áreas povoadas, ele permite que os agentes rastreiem o piloto responsável, algo impossível quando lasers ou projéteis são usados.
Neutralizações ano a ano
Mesmo sem disparar um único tiro, o escudo eletrônico mostrou fôlego de sobra:
- 2023: 54.627 drones
- 2024: 37.325 drones
- 2025: 36.915 drones
- 2026 (até fevereiro): 6.444 drones
Se o ritmo atual se mantiver, 2026 pode superar 2025 já no primeiro semestre.
DroneGun Tactical: o “rifle” antidrone nos eventos externos
Quando o presidente deixa Brasília, entra em cena o DroneGun Tactical, da australiana DroneShield, distribuído no Brasil pela Pirâmide Tecnologias. O modelo lembra uma arma de ficção científica, mas seu “projétil” também é a interferência de RF:
- Alcance: até 2 km
- Peso: 7 kg
- Operação: um único agente
Foram 31 neutralizações confirmadas com o equipamento portátil — poucas, mas em situações de risco potencialmente maior, como atos públicos ou estádios lotados.
Imagem: Internet
Por que isso importa para quem pilota drones de lazer ou trabalha com filmagem?
Se você é entusiasta de drones como o DJI Mini 4 Pro ou o Autel Evo Lite+, vale lembrar: o Brasil segue as normas da Anac para voos recreativos e profissionais. Próximo a áreas presidenciais, porém, a palavra final é do GSI, e a neutralização é imediata. Em outras localidades, desobediência a zonas de exclusão pode render multas pesadas e apreensão do equipamento.
Outras tendências de defesa antidrone
O bloqueio por radiofrequência é apenas uma peça de um mercado em plena ebulição. Sistemas baseados em IA para detecção de RF, radares de micro-ondas e soluções laser de alta potência (como o Iron Beam, de Israel) entram em operação mundo afora. Cada abordagem tem prós e contras:
- RF Jamming: menos destrutivo, mas ineficaz contra drones autônomos;
- Laser: neutralização instantânea, porém alto custo e riscos de dano colateral;
- Redes/Canis Net: solução física, barata, porém limitada a baixa altitude.
O que vem a seguir?
Com a popularização de modelos FPV mais rápidos e baratos, a tendência é que governos e até empresas privadas reforcem seu arsenal antidrone, combinando detecção acústica, IA e armamento não letal. Para o consumidor, isso significa que regras de geofencing vão ficar ainda mais rigorosas em aplicativos como DJI Fly e Skydio.
No fim, a “batalha invisível” entre pilotos curiosos e sistemas de defesa de RF deve acelerar a evolução da segurança aérea — e, por tabela, estimular a chegada de novos acessórios de navegação, baterias de maior autonomia e controladores com criptografia melhorada, itens que já começam a aparecer nos catálogos das grandes varejistas.
Com informações de Mundo Conectado