Documentos confidenciais da Samsung SDI vazados no X (antigo Twitter) revelam que a fabricante sul-coreana já tem protótipos de baterias de silício-carbono (Si-C) com até 18.000 mAh, capazes de entregar mais de 20 horas de tela ativa em smartphones premium. Contudo, problemas de expansão e durabilidade continuam adiando a chegada da tecnologia aos aparelhos do consumidor — possivelmente para a linha Galaxy S27 ou até modelos dobráveis previstos para 2027.
O que muda na prática para você
Quando (e se) as novas células forem aprovadas, os usuários podem esperar:
- Autonomia estendida — até duas vezes mais tempo longe da tomada em comparação com as baterias atuais de 5.000 mAh presentes em topos de linha como o Galaxy S26 Ultra;
- Aparelhos mais finos — densidade energética maior permite reduzir a espessura do smartphone sem sacrificar tempo de uso, algo especialmente valioso em dobráveis;
- Ciclos de recarga mais rápidos — a maior capacidade de absorção de íons de lítio do silício facilita potências de carregamento acima de 100 W sem degradação expressiva — pelo menos na teoria.
Para gamers mobile ou quem passa o dia em vídeo-chamadas, isso significa menos power bank na mochila e sessões mais longas em títulos exigentes como Genshin Impact ou Call of Duty Mobile.
Três ramificações em teste — e muitas dúvidas
Os relatórios vazados descrevem três linhas de desenvolvimento batizadas de DC12K-V2, TC18K e SC18K. Veja um resumo dos protótipos:
- DC12K-V2 — duas células (6.800 mAh + 5.200 mAh) empilhadas verticalmente, com espessura alvo de 9,3 mm. Dois dos sete exemplares ultrapassaram esse limite devido à camada adesiva.
- TC18K — arquitetura série-paralela de três células (6.699 + 6.000 + 5.257 mAh) que bateu 12,8 mm, acima do planejado. A célula central esquenta até 2,3 °C a mais que as demais.
- SC18K — replica o design que fracassou na versão de 20.000 mAh, com risco alto de inchaço segundo a própria Samsung.
O primeiro teste, de 20.000 mAh, foi abandonado porque a bateria perdeu a meta de 80 % de capacidade após apenas 960 ciclos (o alvo era 1.500). A expansão volumétrica — o famoso “inchamento” — continua sendo o maior vilão.
Por que o silício é tão promissor… e tão problemático
No ânodo, o silício armazena até dez vezes mais íons de lítio que o grafite tradicional, elevando a densidade energética sem aumentar o volume físico. O lado B é que o material se expande e contrai agressivamente a cada recarga, gerando tensões mecânicas que reduzem a vida útil. Para contornar isso, a Samsung está:
- Substituindo invólucros rígidos por molduras flexíveis que “acompanham” a dilatação;
- Ajustando camadas adesivas entre as células para distribuir o estresse;
- Reescrevendo o firmware de gerenciamento (BMS 0.7b) para suavizar picos de corrente.
Concorrência chinesa já vende celulares com Si-C
Enquanto a Samsung ajusta detalhes, marcas como Vivo, OPPO e Honor oferecem smartphones com baterias de silício-carbono na faixa de 6.000 a 10.000 mAh. Eles não têm a mesma densidade dos protótipos coreanos, mas chegaram primeiro às prateleiras e pressionam o calendário da gigante.
Para quem está pensando em trocar de aparelho agora, vale observar que esses modelos chineses já entregam jornadas de até uma semana longe da tomada em uso moderado — um salto em relação aos 4.000 a 5.000 mAh da maioria dos flagships atuais.
Imagem: Internet
Quando veremos a novidade no Galaxy?
Rumores iniciais apontavam o Galaxy S26 Ultra como candidato, mas os problemas listados nos relatórios tornam mais realista a adoção a partir do Galaxy S27 Ultra. Dobráveis, que sofrem para equilibrar espessura e autonomia, também são fortes candidatos no segundo semestre de 2027.
Até lá, a Samsung precisa:
- Garantir ao menos 1.500 ciclos com 80 % de capacidade remanescente;
- Reduzir o inchaço abaixo do limite crítico de 0,5 mm por célula;
- Finalizar o BMS 1.0 com estabilidade térmica em cargas rápidas.
Vale esperar ou comprar agora?
Se você faz questão de autonomia monstruosa, opções atuais com 10.000 mAh da Realme ou 12.000 mAh da Jovi já entregam mais de dois dias de uso intenso. No entanto, quem prefere ecossistema Samsung, câmera topo de linha e atualizações de software mais longas talvez opte por aguardar a próxima geração de Si-C — especialmente se jogos pesados e gravação 8K forem parte do dia a dia.
Em qualquer cenário, o vazamento confirma que a corrida por baterias maiores e mais finas está apenas começando — e promete redefinir o design dos smartphones nos próximos anos.
Com informações de Mundo Conectado