Se você está de olho naquela GPU para turbinar o PC, talvez seja hora de repensar a estratégia. Números da Jon Peddie Research (JPR) indicam que o mercado de placas de vídeo dedicadas atravessa a pior maré em décadas. Após despencar 11,5% no trimestre que, historicamente, deveria ser o mais forte do ano (o período das festas), a consultoria prevê um CAGR negativo de -5,9% entre 2024 e 2028. Em outras palavras, a cada ano deveremos ver menos GPUs discretas chegando às prateleiras — e, consequentemente, preços ainda mais salgados.
Trimestre de Natal decepciona
Entre outubro e dezembro de 2025 os fabricantes despacharam cerca de 11,5 milhões de placas, mas isso representou queda expressiva sobre o trimestre anterior. O dado assusta porque o Q4 costuma concentrar as compras de Black Friday e Natal, quando gamers e criadores aproveitam promoções para dar aquele upgrade.
Integradas ganham musculatura (e espaço no seu gabinete)
A grande virada está no processador. As APUs Ryzen 8000G da AMD e os novos Intel Core Ultra Meteor Lake evoluíram tanto que hoje rodam games competitivos em 1080p, editam vídeo 4K leve e até aceleram IA generativa — tudo sem placa dedicada. Resultado: a “taxa de adoção” (attach rate) de GPUs externas caiu para 55% dos desktops no fim de 2025; eram 67,3% três meses antes.
Preço que não cabe no bolso
Enquanto as integradas avançaram, os preços das dedicadas subiram. A combinação de memórias GDDR mais caras, margens apertadas e novas tarifas de importação empurrou as placas de entrada/intermediárias para patamares nada convidativos. Hoje, modelos como a GeForce RTX 4060 e a Radeon RX 7600 custam mais que PCs completos baseados em APUs de última geração.
AMD recua, NVIDIA domina
A consequência imediata foi a queda da AMD para apenas 5% de market share em GPUs dedicadas. Ao enxergar a RTX 40 monopolizando o topo, a empresa decidiu focar a próxima arquitetura RDNA 4 no segmento intermediário e em gráficos integrados ainda mais fortes. Enquanto isso, a NVIDIA reina com 94% das vendas, mas também sente o encolhimento do bolo.
Quais são os cenários até 2028?
- Retração acelerada em 2026: a JPR alerta para possível tombode quase 10% já no ano que vem.
- Laptops em alta: máquinas gamer e workstations móveis absorvem parte da demanda que antes ia para desktops.
- Menos modelos “budget”: fabricantes devem concentrar lançamentos em faixas de maior margem (RTX 4070+), tornando placas de entrada ainda mais raras.
O que isso muda para gamers e criadores?
Para quem joga eSports ou produz conteúdo leve, um Ryzen 7 8700G ou Core Ultra 7 155H pode resolver sem GPU dedicada — economizando energia, espaço e, claro, dinheiro. Já usuários que precisam de ray tracing, DLSS/FSR em 1440p ou renderização 3D pesada continuarão reféns das placas high-end, agora potencialmente mais caras e difíceis de encontrar.
Imagem: William R
Comprar agora ou esperar?
• Se seu foco é custo/benefício em Full HD competitivo, investir em uma APU moderna ou aguardar os próximos lançamentos integrados pode ser o passo mais inteligente.
• Se você busca 4K, VR ou tarefas profissionais que exigem CUDA/OpenCL, vale ficar de olho em promoções pontuais: com menos volume de vendas, descontos relâmpago podem surgir para escoar estoque.
• Quem já tem uma GPU recente pode segurar o upgrade: com menor ritmo de inovação e preços altos, o ciclo de troca deve se alongar.
No fim, a placa de vídeo dedicada não vai desaparecer, mas tende a virar um componente premium — quase um item de luxo. E, como todo produto valioso, saber a hora certa de comprar fará toda a diferença no seu bolso e no desempenho do seu setup.
Com informações de Hardware.com.br