Não é todo dia que vemos um componente de quase US$ 2 mil virar tocha em menos de cinco segundos, mas foi exatamente isso que chocou a comunidade de entusiastas nesta semana. Um usuário chinês registrou o momento em que sua recém-instalada MSI GeForce RTX 5090 entrou em combustão logo após o primeiro acionamento do botão power. O curto vídeo viralizou no Bilibili, reacendendo o debate sobre consumo extremo de energia, cabos de alta corrente e a preparação necessária para lidar com placas que beiram — ou ultrapassam — os 600 W de TDP.
O vídeo: faíscas, fumaça e um corte rápido de energia
O proprietário do PC havia realizado um upgrade robusto: além da RTX 5090, instalou uma fonte de 1300 W 80 Plus Platinum. Por pura cautela — ou intuição — posicionou o celular diante do gabinete para gravar o batismo de fogo. Quando o LED branco acende, surgem faíscas junto ao slot PCIe, seguidas de uma pequena labareda próxima ao chipset da placa-mãe. O reflexo de desligar a máquina imediatamente salvou o restante dos componentes; após remover a GPU carbonizada, o sistema voltou a dar vídeo com uma RTX 5060 reserva.
Suspeito habitual? Desta vez, não foi o 12VHPWR
Desde o drama do conector de 16 pinos na geração RTX 4090, qualquer caso de fogo em GPU remete, quase automaticamente, ao 12VHPWR (agora 12V-2×6). Contudo, o próprio usuário confirmou o uso do cabo nativo que acompanha a nova fonte, encaixado até o clique — procedimento recomendado pela NVIDIA e pelos fabricantes. O ponto exato de ignição parece ter sido a região traseira da placa, levantando hipóteses que vão de PCB defeituoso a curto em módulos de VRM.
Potência cada vez maior: risco ou preço do desempenho?
A RTX 5090 é oficialmente especificada para 600 W, mas relatórios de “spikes” acima de 660 W em cargas transitórias já circulam em fóruns especializados. A concorrente direta, AMD Radeon RX 8900 XTX, fica na casa dos 425 W, um número bem mais amigável para fontes abaixo de 1000 W. Em troca, a 5090 entrega até 40 TFLOPs de potência FP32 e performance até 2,3× superior à RTX 4090 em ambientes de rasterização pura, sem contar a terceira geração do Frame Generation da NVIDIA, que dobra o frame rate em 4K/240 Hz com DLSS 4.
O que isso significa para você, gamer ou criador?
1. Energia de sobra é obrigatório: se pretende investir em uma placa desse calibre, considere fontes de 1200 W ou mais, certificação mínima Platinum e cabos modulares de cobre 16 AWG.
2. Montagem atenta: verifique folgas, travas e o peso da GPU. Suportes antiafundaço podem evitar microfissuras no PCB que, a longo prazo, provocam curtos.
3. Teste incremental: primeiro boot sem painel lateral e, se possível, com câmera gravando. Caso algo dê errado, você terá provas para RMA e poderá cortar a energia rapidamente.
Imagem: William R
4. Garantia e RMA: fabricantes como MSI, ASUS e Gigabyte exigem vídeo ou fotos do dano. Ter esse conteúdo agiliza a troca e elimina suspeitas de instalação indevida.
Ficou com medo de topar com uma “unidade bomba”?
Calma: por enquanto, trata-se de um caso isolado. Placas topo de linha passam por controle de qualidade rigoroso, e a maioria dos relatos de falha catastrófica envolve mau encaixe de cabos ou fontes subdimensionadas. Ainda assim, o incidente serve de alerta: quanto maior a potência, maior a responsabilidade de planejar bem o ecossistema do seu setup. Se pretende migrar para a série 5000, inclua no orçamento não apenas a GPU, mas também uma fonte premium, cabos certificados e um gabinete com fluxo de ar irrepreensível.
No fim das contas, o susto viral oferece uma lição valiosa: desempenho extremo exige cuidados extremos. E, antes de apertar o botão power, vale a pena conferir duas vezes cada conexão — ou gravar tudo, caso seja necessário provar que o fogo começou sem a sua ajuda.
Com informações de Hardware.com.br