Se você olha ao redor e só enxerga iPhones e Galaxys, saiba que não é impressão. Segundo a consultoria Counterpoint, 44% de todos os smartphones em uso no mundo pertencem à Apple ou à Samsung. Não estamos falando de vendas recentes, mas da base instalada — aparelhos que continuam ligados, conectados e gerando receita para seus fabricantes.
Base instalada: o trunfo bilionário
Dominar a base ativa é mais valioso do que liderar um trimestre de vendas. Quanto mais dispositivos em uso, maior é o público potencial para serviços pagos (Apple Music, iCloud+, Galaxy Cloud, YouTube Premium via Samsung, por aí vai) e para acessórios — seja um Apple Watch, seja um Galaxy Buds2 Pro. Para a Apple, serviços já representam mais de 20% do faturamento global; para a Samsung, o ecossistema SmartThings cresce a reboque dos smartphones.
Suporte de software: o ciclo de vida que faz a diferença
O relatório destaca que um iPhone 11 lançado em 2019 ainda recebe atualizações de segurança e costuma passar por até três donos antes de ser aposentado. A sul-coreana respondeu com a promessa de cinco anos de updates para os Galaxy S23 e S24. Resultado: o dispositivo premium dura mais, permanece ativo na estatística e reforça a fatia de mercado de cada marca.
E as chinesas? Vendas altas, retenção baixa
Marcas como Xiaomi, Oppo, Vivo e a ressurgente Huawei vendem milhões de unidades na Índia, Sudeste Asiático e na própria China, mas enfrentam dois obstáculos:
- Fragmentação do Android: cada fabricante precisa manter sua própria interface, o que encarece e encurta o suporte de software.
- Ciclo de descarte rápido: boa parte dos modelos populares tem vida útil de dois a três anos, reduzindo a presença nas métricas de aparelhos ativos.
O que isso muda para quem vai trocar de celular em 2024
1. Menos chance de erro no topo: tanto a Apple quanto a Samsung entregam câmeras de ponta, telas com alta taxa de atualização e processadores capazes de rodar os jogos móveis mais pesados.
2. Mercado de usados aquecido: a grande base instalada faz iPhones e Galaxys segurarem valor de revenda, o que pode baratear seu upgrade se você vender o modelo antigo.
3. Acessórios compatíveis garantidos: capas, carregadores sem fio e teclados Bluetooth são lançados primeiro (e às vezes apenas) para os dois gigantes.
Mas nem tudo são flores: risco de inovação morna
Com a dupla ocupando quase metade do mercado, a pressão competitiva diminui. Isso pode se traduzir em evoluções mais incrementais — uma câmera um pouco melhor aqui, um processador ligeiramente mais eficiente ali — em vez de saltos disruptivos ano após ano. Para quem gosta de recursos experimentais, vale ficar de olho nas chinesas, que costumam ousar com carregamento de 240 W ou câmeras retráteis.
Imagem: William R
Panorama rápido de especificações líderes (2024)
Apple iPhone 15 Pro: A17 Pro de 3 nm, tela OLED 120 Hz, até 1 TB, gravação ProRes.
Samsung Galaxy S24 Ultra: Snapdragon 8 Gen 3 for Galaxy, tela AMOLED 120 Hz de 6,8”, câmera de 200 MP, S Pen integrado.
Xiaomi 14 Pro (concorrente): Snapdragon 8 Gen 3, tela LTPO 120 Hz, 120 W de carga rápida, câmera Leica de 50 MP.
Note que, embora a Xiaomi ofereça energia turbo e parceria com a Leica, o suporte de software tende a durar no máximo quatro anos, contra cinco ou seis dos rivais líderes.
No fim das contas, a escolha entre ficar nos 44% ou apostar em uma alternativa passa por preço, ecossistema e quanto tempo você pretende conservar o aparelho. Mas, se a tendência se mantiver, a estatística aponta que seu próximo smartphone tem grandes chances de carregar uma maçã mordida ou o logo azul da Samsung na traseira.
Com informações de Hardware.com.br