A promessa era ambiciosa: uma Siri 2.0 capaz de compreender o contexto da tela, mexer em apps por conta própria e competir de frente com os assistentes turbinados por IA generativa de Google e Samsung. Mas, segundo o repórter Mark Gurman, da Bloomberg, a Apple ainda não encontrou a fórmula mágica e precisou empurrar a grande atualização para o iOS 27, previsto apenas para setembro de 2026. Na prática, o consumidor que esperava novidades já no iOS 26.4, em março, vai ter de se contentar com um pacote de melhorias bem mais enxuto – e parcelado.
Por que a Apple pisou no freio?
Fontes internas ouvidas por Gurman relatam que os engenheiros enfrentam problemas de desempenho e compreensão de comandos. Em testes, a Siri 2.0 chegou a demorar vários segundos para responder – um defeito inaceitável para quem defende a fluidez como marca registrada do iPhone. Para evitar repetir fiascos passados (lembra do Apple Maps em 2012?), a empresa preferiu ganhar tempo e refinar a tecnologia em versões internas do iOS 26.5.
O que ainda chega no iOS 26.4 e 26.5?
De acordo com o novo cronograma, a estreia será em “fatias”:
- iOS 26.4 (março): correções de segurança, ajustes de estabilidade e pequenas melhorias na Siri atual, mas sem grandes funções de IA.
- iOS 26.5 (maio): primeiras funções contextuais básicas, como reconhecer endereços na tela e sugerir ações rápidas dentro de apps nativos.
A cereja do bolo – a Personal Siri, que vasculha e-mails, mensagens e apps de calendário para responder perguntas complexas (“Que horas o voo da Ana pousa?”) – ficará para o iOS 27.
Integração com IA externa: Google Gemini entra em cena
Além de rodar modelos menores no próprio chip A17 Pro (ou futuros A18), a Apple negocia usar o Gemini do Google para tarefas que exigem mais poder de fogo, como geração de imagens e respostas longas em linguagem natural. O plano continua de pé, mas, segundo Gurman, só deve sair do papel junto com o iOS 27.
Como ficam os rivais?
Enquanto isso, Samsung já vende o Galaxy S24 destacando o Galaxy AI e recursos como tradução simultânea em ligações. Google impulsiona o Pixel 8 com atualizações mensais do Assistant + Gemini, e a Microsoft colocou o Copilot até em PCs gamer com placas de vídeo RTX. O atraso da Apple pode traduzir-se em perda de mindshare, embora a marca ainda goze de enorme fidelidade por quem prioriza privacidade e integração de hardware e software.
Vale a pena esperar para trocar de iPhone?
Se você já está de olho em um iPhone 15 Pro (ou no futuro iPhone 16), saiba que o hardware é potente o bastante para receber todas as novidades de IA assim que estiverem prontas. Ou seja, quem comprar agora não deve ficar de fora. Mas quem faz questão de usar a Siri 2.0 completa desde o dia 1 talvez prefira aguardar o iPhone 17 (linha 2026), que chegará com o iOS 27 de fábrica.
Imagem: Internet
Impacto prático para jogos e produtividade
Para gamers, a Siri 2.0 prometia ajustar configurações ou iniciar partidas apenas com comandos de voz, liberando os dedos para o mouse ou controle. Profissionais de criação esperavam automatizar tarefas em apps como Final Cut e Logic. Com o adiamento, macros por voz e automações complexas continuam restritas a soluções de terceiros – e deixam o campo aberto para periféricos com teclas macro dedicadas (ótima oportunidade para quem pensa em keyboards mecânicos customizados).
O próximo grande movimento
Rumores apontam que a Apple pretende mostrar um preview da Siri 2.0 na WWDC 2026, reforçando a mensagem de que a IA da empresa será processada majoritariamente no dispositivo, preservando dados do usuário. Até lá, a gigante de Cupertino terá de provar que consegue equilibrar privacidade e inovações ousadas – sem repetir os tropeços que levaram ao novo atraso.
No fim das contas, a espera continua. Se a Apple entregar o que promete, a Siri 2.0 poderá transformar a forma como interagimos com o iPhone; se não, corre o risco de ficar para trás num mercado que avança em ritmo acelerado.
Com informações de Mundo Conectado