A resolução 8K, vendida há poucos anos como a “janela definitiva para a realidade”, acaba de ganhar mais um prego em seu caixão: a LG confirmou que não desenvolverá novos painéis OLED ou LCD 8K. Com isso, repete o movimento da TCL e da Sony, deixando a Samsung como a única gigante ainda disposta a bancar a ideia. Mas o que isso significa para você, que está de olho na próxima TV — seja para jogos, filmes ou simplesmente ostentação na sala?
Por que o 8K empacou?
O fracasso de adoção do 8K passa por um trio de obstáculos que nenhum fabricante conseguiu contornar:
1. Preço proibitivo: produzir painéis com 33 milhões de pixels custa caro e consome mais energia. A LG OLED Z3, por exemplo, chegou ao Brasil na casa dos R$ 60 mil — valor equivalente a um carro popular de entrada.
2. Conteúdo escasso: estúdios de cinema e serviços de streaming não filmam nem armazenam em 8K porque o custo de captação e renderização explode. Nem mesmo a Netflix ou o Disney+ arriscaram investir pesado no formato.
3. Internet limitada: streaming em 8K exige conexões acima de 80 Mb/s estáveis. No Brasil, segundo a Anatel, menos de 12% dos lares estão nessa faixa de velocidade.
O paradoxo do ovo e da galinha
Sem TVs nas casas, os estúdios não produzem conteúdo; sem conteúdo, ninguém se anima a pagar caro pela TV. O resultado é um círculo vicioso que lembra o destino das TVs 3D na década passada.
O caso Sony: PlayStation 5 Pro “fala” 8K, mas a divisão de TVs desistiu
Em 2024, a Sony lançou o PlayStation 5 Pro prometendo suporte a jogos em 8K, como Gran Turismo 7 e F1 24. Dois anos depois, a mesma empresa encerra a produção de TVs 8K. A dissonância interna mostra como até quem gera o conteúdo não vê viabilidade comercial para a tela.
Samsung: sozinha, mas com nova estratégia
A única gigante que continua investindo no 8K é a Samsung — porém com foco muito específico: telas gigantes de 85, 98 e até 110 polegadas, como a Neo QLED QN990H. Em tamanhos desse porte, a densidade de pixels do 4K cai para menos de 45 ppi, o que pode gerar serrilhados perceptíveis a curta distância. O 8K surge, portanto, mais como solução técnica do que atributo de massa.
Comparando gerações: 4K premium vs. 8K de entrada
Antes de cogitar importar um modelo 8K, vale olhar o avanço dos 4K topo de linha:
- LG OLED G3 (4K): pico de brilho de até 1 450 nits, HDR otimizado com MLA (Micro Lens Array) e processamento Alpha 9 Gen6.
- Samsung S95C OLED (4K): painel QD-OLED, cores 30% mais puras que as OLED tradicionais e taxa de atualização de 144 Hz.
- QN900C (8K): brilho semelhante, mas preço pelo menos 2,5 vezes maior e escassez de conteúdo nativo.
Na prática, uma boa TV 4K 120 Hz com HDR forte entrega mais valor em filmes e games do que um 8K “básico” que dependerá de upscaling.
Imagem: Divulgação
E a TV 3.0 no Brasil?
A nova geração da transmissão digital (DTV+), homologada pela Anatel, suporta até 8K. Mas, segundo o cronograma oficial, o sinal 4K nativo só deve chegar em 2026 nas capitais. Ou seja, mesmo com TV 3.0, seu benefício real será 4K e áudio imersivo; 8K continua distante.
Vale esperar ou partir para um 4K “de respeito”?
Para 2026, a resposta honesta continua sendo “invista em 4K premium”. Os modelos de última safra já trazem painéis mais brilhantes, inteligência artificial para upscaling e taxas de 120 Hz ou 144 Hz — recursos que impactam imediatamente nos jogos de PC, consoles e streaming de filmes.
Se dinheiro não é problema e seu objetivo é montar um home theater com tela acima de 90 “, o 8K da Samsung pode fazer sentido. Caso contrário, a briga entre LG, TCL, Sony, Hisense e a própria Samsung no 4K garante melhores preços, mais recursos e, principalmente, muito conteúdo disponível.
No fim das contas, o 8K parece ter assumido o papel de vitrine tecnológica — bom para mostrar do que a indústria é capaz, mas ainda longe de se transformar no padrão que ocupa o rack da maioria dos lares.
Com informações de Mundo Conectado