Se você é do time que espera as promoções da Amazon para levar um smartphone de menos de R$ 600, prepare o bolso. A crise global de semicondutores que já pressionou placas de vídeo e SSDs agora mira na parte mais sensível dos celulares: a memória. E, segundo a própria Samsung, quem mais vai sentir o baque são os modelos de entrada — justamente os preferidos dos brasileiros.
O que está acontecendo com os chips de memória?
Hoje vivemos um paradoxo: 2023 e 2024 foram marcados por excesso de estoques de DRAM e NAND, mas a curva deve se inverter rapidamente. Gigantes como NVIDIA, AMD e Apple estão comprando volumes inéditos de memória para IA e data centers de alto desempenho (HBM, DDR5 e LPDDR5X), deixando pouca capacidade fabril para as versões mais simples usadas em smartphones básicos.
O resultado? Oferta limitada + demanda crescente = preços em escalada. De acordo com relatórios da TrendForce, os contratos de DRAM para dispositivos móveis podem ficar até 40 % mais caros em dois anos — e parte dessa conta chega ao usuário final já em 2026.
Por que o impacto é maior nos celulares de entrada?
Rafael Aquino, Diretor de Produto da divisão Mobile Experience da Samsung Brasil, explicou a lógica: em um Galaxy S24 ou iPhone 15 Pro, o custo de memória representa menos de 10 % do valor de prateleira. Já num modelo como o Galaxy A07, a mesma peça pode responder por até 30 % do custo total. Qualquer reajuste de fábrica, portanto, fica muito mais visível na etiqueta do varejo.
A matemática é simples: se a memória encarece 40 %, o topo de linha fica um pouco mais caro; o “baratinho”, porém, pode saltar de R$ 600 para algo próximo de R$ 1.300, como já aconteceu com o Galaxy A07 5G lançado recentemente na Índia.
Galaxy A07 4G vs. Galaxy A07 5G: vale a troca?
- Preço atual (A07 4G): encontrado em ofertas relâmpago por menos de R$ 600.
- Preço projetado (A07 5G): equivalente a R$ 1.300–R$ 1.400 se o índice indiano se repetir por aqui.
- Bateria: 5.000 mAh → 6.000 mAh (+20 %).
- Tela: 90 Hz → 120 Hz, garantindo rolagem mais suave.
- Processador: Helio G35 → Dimensity 6300; ganho modesto de CPU e GPU.
- Suporte de software: 2 anos → promissor ciclo de 6 anos de updates de Android e segurança.
Na prática, o maior chamariz é a conectividade 5G e a promessa de suporte estendido — algo que reduz a “obsolescência programada” e valoriza a revenda no futuro. Já o salto em desempenho bruto é discreto. Se você precisa de um aparelho apenas para redes sociais, vídeo-aulas e apps de banco, talvez valha mais aproveitar o preço agressivo do modelo 4G enquanto ele existe em estoque.
Como se preparar (e economizar)
1. Compre antes da virada: estoques fabricados com memória “antiga” ainda seguram o preço. Fique de olho em ofertas Lightning na Amazon — principalmente em datas como Prime Day, Black Friday e as campanhas de volta às aulas.
Imagem: Internet
2. Pense em upgrades seletivos: se o 5G não é prioridade onde você mora, investir em um smartphone 4G com mais armazenamento ou melhor câmera pode fazer mais sentido do que pagar o dobro por conectividade que você nem usa.
3. Considere linhas intermediárias em promoção: modelos como Galaxy A25, Poco X6 ou Moto G84 às vezes aparecem em ofertas por R$ 1.300–R$ 1.500 e trazem telas OLED, 8 GB de RAM e câmeras mais competentes — entregando melhor custo-benefício que um “baratinho inflacionado”.
O que a crise de memória diz sobre o futuro do mercado?
Com 50 % de participação no mercado nacional, a Samsung dita ritmo e preço. Se a companhia repassar custos, concorrentes como Motorola, Xiaomi e Tecno dificilmente terão margem para operar muito abaixo. A tendência aponta para uma nova “classe média” de smartphones: dispositivos que custavam R$ 1.000 em 2022 podem chegar perto de R$ 2.000 até 2026, empurrando o consumidor a escolher entre pagar mais ou ficar em hardware defasado.
Em resumo, se você quer garantir um aparelho bom e barato, talvez o melhor momento seja agora — antes que a tempestade de semicondutores torne a memória (e o seu próximo smartphone) um luxo.
Com informações de Mundo Conectado