A notícia da saída repentina de Enrique Lores para assumir a PayPal pegou o setor de surpresa, mas a HP não tem tempo para lamentar: 2025 será o ano-teste em que a companhia precisará provar o retorno dos PCs com inteligência artificial, administrar a crise global de memória e, ainda, sustentar uma estratégia que abrange chips Qualcomm, Intel e AMD.
Por que os PCs com IA viraram prioridade — e ainda geram dúvidas
Com modelos como EliteBook X, OmniBook X e a nova geração EliteBook X G2, a HP colocou na rua notebooks Copilot+ equipados com NPUs dos processadores Qualcomm Snapdragon X Elite e Intel Core Ultra. O argumento? Automatizar tarefas de escritório, melhorar videoconferências com redução de ruído em tempo real e economizar bateria ao processar IA localmente.
O problema, segundo pesquisa da Greyhound Research, é que 57 % dos CIOs avaliam esses PCs, mas só 19 % aprovaram implantação em larga escala. Falta a “prova matemática” do retorno sobre o investimento: quanto tempo o colaborador ganha, quantos chamados de TI caem e como isso compensa o premium cobrado nos novos chips.
Memória cara e escassa: a tempestade perfeita
Se a IA promete agilizar a rotina, o preço da memória ameaça o caixa. A Gartner projeta altas de 15 % a 40 % até o fim do ano. Muitas empresas, principalmente no Brasil, já decidiram “suar” os PCs atuais — ou recorrer a refurbished — até 2026, quando o Windows 10 chega ao fim do suporte oficial.
Nesse cenário, a HP Renew Services, divisão de recondicionados da marca, poderia ser estrela. Até agora, porém, a companhia parece focada em empurrar o portfólio AI PC, deixando dinheiro na mesa para rivais como Dell Refurbished ou Lenovo Certified Pre-Owned.
Estratégia multi-silício: proteção contra gargalos e fideliza TI
Enquanto Apple aposta só no chip proprietário, a HP joga em várias mesas: Qualcomm para mobilidade extrema, Intel para compatibilidade com legado corporativo e AMD para custo-benefício. Para o departamento de TI, isso significa:
- Mais opção de preço quando o orçamento aperta;
- Menos risco de ruptura caso um fornecedor enfrente sanções, epidemias ou desastres climáticos;
- Migração suave entre arquiteturas via plataforma de gestão HP Wolf Security + Workforce Experience Platform (WXP), que entrega telemetria e automação de patches em lote.
Edge computing: o próximo diferencial
A HP quer se distanciar da guerra de especificações puras oferecendo “coreografias” de computação: NPUs locais para tarefas instantâneas — transcrição de reuniões, upscaling de vídeo — e nuvem para as consultas pesadas. Para quem opera em campo remoto, filiais com banda limitada ou áreas reguladas, isso significa menos latência e melhor controle de custo de nuvem.
Imagem: Taryn Plumb
Impressoras também entram no jogo da IA
Mesmo sendo líder consolidada em impressão, a HP sente o aperto dos módulos de memória mais caros. A aposta, segundo a IDC, é usar IA para prever falhas de cartucho, otimizar rotas de manutenção e sugerir pedidos automáticos de suprimentos. Pode não ser tão sexy quanto chatbots, mas afeta diretamente o TCO do parque de impressoras.
O que o CIO deve perguntar à HP em 2025
1. ROI concreto: Mostrem antes/depois em bateria, produtividade e redução de chamados.
2. Consistência multi-plataforma: Telemetria, drivers e SLAs serão idênticos em Qualcomm, Intel e AMD?
3. Proteção de preço: Há trava de reajuste caso a memória dispare mais 20 %?
4. Roadmap de edge: Quais modelos terão NPU de 45+ TOPS para o Copilot+ de próxima geração?
O impacto para você agora
Se sua empresa planeja atualização de hardware em 2025, a palavra de ordem é planejamento de inventário. A HP oferece um dos catálogos mais completos — de workstations ZBook a teclados-PC EliteBoard —, o que ajuda a padronizar ambiente. Por outro lado, quem não precisa de IA imediata pode achar preços mais atraentes em linhas anteriores, inclusive em ofertas recondicionadas que aparecem com frequência na Amazon.
Em resumo, a troca de comando na HP não deve alterar o foco: operacionalizar IA com métricas claras de valor, driblar a crise de memória e manter um ecossistema de chips plural. Cabe às empresas pressionarem por transparência — e aproveitarem as oportunidades de negociação que sempre surgem em momentos de transição.
Com informações de Computerworld