Uma das figuras mais influentes do mercado de PCs e impressão está de malas prontas para o universo dos pagamentos digitais. Depois de 36 anos na HP — os últimos seis como CEO global — o espanhol Enrique Lores anunciou que deixará o cargo em 1º de março para assumir a liderança do PayPal. A transição acontece num momento estratégico para as duas companhias: de um lado, a HP acelera seus planos de PCs com IA embarcada; do outro, o PayPal busca reagir a uma queda de 15% na receita trimestral.
Quem assume o volante da HP (por enquanto)?
O conselho da HP nomeou Bruce Broussard, integrante do board desde 2021 e ex-CEO da gigante de saúde Humana, como interim CEO. Com 30 anos de experiência em empresas listadas na Bolsa, Broussard chega com a missão de manter o ritmo de inovação, conter possíveis turbulências internas e, claro, entregar os números já projetados para 2026.
Por que essa troca importa para você que compra PCs, impressoras e periféricos?
Lores foi o arquiteto da atual fase da HP: ele comandou a separação da companhia em 2015 (HP Inc. e HPE), enfrentou uma oferta hostil da Xerox e posicionou a marca como a 2ª maior vendedora de PCs do mundo, com 21,5% de market share — atrás apenas da Lenovo (27,2%) e à frente da Dell (16,5%), segundo a Gartner.
- Nos últimos dois anos, Lores apostou pesado em notebooks gamer OMEN e estações Z, turbinando recursos de IA e GPUs dedicadas da Nvidia.
- Em impressão, manteve a HP na liderança graças a linhas como Smart Tank e LaserJet, foco em cartuchos de alta eficiência e assinatura de tintas.
- A saída do executivo levanta perguntas: veremos menos ousadia em lançamentos? A HP conseguirá acelerar seu roadmap de “PCs de IA” para bater de frente com o Lenovo Yoga Pro 9i e o Dell XPS AI?
O desafio que espera Lores no PayPal
Embora já estivesse no conselho da fintech há quase cinco anos — assumindo a presidência do board em julho de 2024 — Lores herda um PayPal pressionado por concorrentes como Apple Pay, Mercado Pago e Stripe. O próprio conselho reconheceu que “o ritmo de execução não atendia às expectativas”. Experiência em hardware pode parecer fora de contexto aqui, mas o executivo leva na bagagem:
- Histórico de integrar aquisições e escalar novos produtos;
- Foco em rentabilidade operacional, algo que o PayPal precisa para reconquistar investidores;
- Cultura de inovação contínua, essencial para não ficar atrás nos pagamentos via IA generativa e biometria.
Números na mesa: projeções da HP pós-Lores
Apesar da mudança no alto escalão, a HP manteve suas previsões:
- Lucro diluído por ação (GAAP) Q1/2025: US$ 0,58 a US$ 0,66
- Lucro diluído por ação (non-GAAP) Q1/2025: US$ 0,73 a US$ 0,81
- Fiscal 2026: GAAP EPS de US$ 2,47 a US$ 2,77; non-GAAP de US$ 2,90 a US$ 3,20
- Geração de caixa livre 2026: US$ 2,8 bi a US$ 3 bi
Em outras palavras, quem pesquisa um notebook HP, uma impressora Smart Tank ou mesmo acessórios gamers como o mouse HyperX Pulsefire deve continuar encontrando um portfólio robusto — pelo menos se Bruce Broussard mantiver a rota traçada por Lores.
Imagem: Esther Macías
O legado de 36 anos em Palo Alto
Saiu de estagiário em 1989 para CEO da empresa que ajudou a fundar o Vale do Silício. No LinkedIn, Lores resumiu a trajetória como “um sonho americano que nasceu em Madrid”. Ele agradeceu à esposa, Rocío, e aos três filhos, “que só conheceram a vida com a HP”. Para o consumidor final, fica a marca de um líder que priorizou design fino, sustentabilidade na linha Dragonfly e parcerias de peso com Intel, AMD e Nvidia.
Agora, a pergunta que ecoa nos fóruns de tecnologia: quem será o capitão definitivo da HP — e como a companhia vai reagir à nova geração de PCs Copilot+ anunciada pela Microsoft? Fique de olho: as escolhas feitas nos próximos meses podem determinar quais CPUs, GPUs e tecnologias de IA chegarão aos laptops que você verá na Amazon em 2025.
Com informações de Computerworld