A casa do Mickey inicia 2026 com uma virada de chave histórica. A Walt Disney Company confirmou que Josh D’Amaro, 54 anos, será o novo presidente-executivo (CEO) mundial a partir de 18 de março, encerrando de vez a longa transição liderada por Bob Iger, 74, responsável pelas aquisições de Pixar, Marvel, Lucasfilm e 21st Century Fox.
Por que essa troca interessa a quem assina Disney+ (ou sonha em visitar os parques)?
Ao contrário de Iger, cuja marca registrada foi a expansão por meio de compras bilionárias, D’Amaro construiu sua carreira in loco nos parques. Ele comanda desde 2020 a divisão Disney Experiences, que inclui parques temáticos, cruzeiros e produtos licenciados — braço que virou o principal motor financeiro da companhia pós-pandemia.
No último exercício fiscal, essa área entregou lucro operacional recorde de quase US$ 10 bilhões, o equivalente a 60 % de todo o resultado da Disney. É aí que moram as pistas sobre o futuro: mais imersão, mais tecnologia embarcada e, claro, mais sinergia com o streaming.
IA no roteiro: parceria com a OpenAI e ameaças de greve
O anúncio chega em plena corrida pela inteligência artificial. A Disney liberou a OpenAI para usar personagens de Star Wars, Marvel e Pixar no gerador de vídeos Sora — acordo que incluiu um investimento de US$ 1 bilhão na empresa de Sam Altman. Do lado de Hollywood, roteiristas e atores já sinalizaram novas negociações trabalhistas em maio e junho para garantir limites no emprego de IA generativa.
Para quem consome conteúdo, isso pode significar estreias mais rápidas, personagens digitais hiper-realistas e até experiências interativas direto na TV — algo que exige uma boa Smart TV 4K ou um streaming stick atualizado (o Fire TV Stick 4K Max, por exemplo, já suporta codecs e dobly vision que aproveitam melhor essas produções).
Expansão global: Abu Dhabi ganha o primeiro parque da década
Outra prioridade de D’Amaro é cravar a bandeira da Disney no Oriente Médio. O projeto de um novo parque em Abu Dhabi será o primeiro grande complexo da empresa em quase dez anos e pode abrir espaço para atrações inéditas, como simuladores baseados em realidade virtual — segmento que movimenta headsets e acessórios gamers no varejo online.
Desafios imediatos: câmbio, turismo e ações voláteis
Apesar do caixa turbinado, a empresa sente a queda de visitantes internacionais nos EUA, reflexo do dólar forte e de restrições de viagem. O resultado foi uma derrapada de 7 % nas ações em pregão recente, mesmo com números acima da previsão de Wall Street. O novo CEO precisará equilibrar o tíquete médio nos parques com promos agressivas para manter fluxo constante de turistas.
Imagem: Disney
A bagagem de D’Amaro vs. o legado de Iger
- Bob Iger: consolidou a Disney como potência de IPs; lançou o Disney+ em ritmo acelerado; focou em M&A.
- Josh D’Amaro: histórico de 28 anos na empresa; experiência operacional em parques; visão de integração física-digital.
Analistas apontam que a virada pode significar mais investimento em experiências “phygital” — misto de físico e digital — como desfiles com drones, realidade aumentada nos resorts e colecionáveis conectados (os famosos MagicBands). Para quem compra gadgets, o ecossistema tende a se beneficiar de acessórios Bluetooth LE, power banks de alta capacidade e câmeras de ação voltadas a criadores de conteúdo que cobrem parques.
Quanto o novo capitão vai ganhar?
O pacote de remuneração de D’Amaro prevê salário-base anual de US$ 2,5 milhões e um incentivo de longo prazo que pode chegar a US$ 26,3 milhões por ano fiscal, condicionado a metas de desempenho.
Em resumo, a Disney troca de capitão em um momento crítico para a indústria do entretenimento. Se D’Amaro conseguir replicar nos estúdios a eficiência que teve nos parques, os assinantes de Disney+ e os futuros visitantes das novas montanhas-russas digitais devem assistir a um espetáculo de inovação – e quem curte tecnologia pode se preparar para uma leva de produtos pensados para ampliar essa experiência dentro e fora de casa.
Com informações de Olhar Digital