A Meta — dona de Facebook, Instagram e WhatsApp — acaba de sacramentar o que talvez seja o maior cheque único da história da tecnologia para inteligência artificial. A companhia de Mark Zuckerberg projeta investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões apenas em 2026, quase o dobro do que pretende desembolsar em 2025. É dinheiro suficiente para comprar, três vezes, toda a AMD ou financiar mais de 40 missões Artemis à Lua.
Escalada de gastos em números
Para entender a magnitude:
- 2023: US$ 28 bi
- 2024: US$ 39 bi
- 2025: US$ 72 bi
- 2026: até US$ 135 bi
Se confirmado, o valor colocará a Meta acima de gigantes como Google e até mesmo próximo do orçamento anual de P&D da China em semicondutores.
Para onde vai todo esse dinheiro?
A maior fatia desembarca em data centers de altíssima densidade, batizados internamente de Meta Superintelligence Labs. A locação vem acompanhada de um tsunami de hardware: placas Nvidia H100, Blackwell B200 e as recém-anunciadas AMD Instinct MI300X, interligadas por redes InfiniBand e switches óticos de 800 Gb/s. A estimativa de analistas de Wall Street é de que apenas em GPUs a conta passe dos US$ 40 bilhões.
Morte do Metaverso? Não exatamente
Na prática, o metaverso não morreu; ele apenas virou coadjuvante. O novo mantra é “superinteligência”. Ao reestruturar todo o time de IA, Zuckerberg pretende que modelos de linguagem (LLMs) próprios impulsionem desde anúncios mais precisos — que já respondem pelo recorde de US$ 59 bi em receita no último trimestre — até a moderação automática de conteúdo.
Avocado e Mango: os projetos secretos
Com o desenvolvimento do Llama 4 atrasado, a Meta colocou duas novas cartas na mesa:
- Avocado: um LLM de “50 trilhões de parâmetros alvo” (para efeito de comparação, o GPT-4 é estimado em 1 a 2 tri).
- Mango: gerador de imagens focado em fotorealismo e vídeo curto, para brigar com MidJourney e Sora.
Ambos estão isolados em um laboratório construído ao lado do escritório do CEO, em Menlo Park, o que mostra o nível de prioridade — e de cautela — da empresa.
Reação de Wall Street: aplausos e cheques em branco
Ao contrário do trimestre anterior, quando qualquer menção a “metaverso” derrubava as ações, o mercado respondeu com alta de 10% após o call de resultados. Justificativa: o ROI das ferramentas de IA para publicidade já está cobrindo o aumento de custos. Traduzindo: se o algoritmo entrega cliques, os anunciantes pagam a conta.
Comparação rápida com a concorrência
- Google: cerca de US$ 65 bi/ano em CAPEX, metade do que a Meta projeta para 2026.
- Microsoft & OpenAI: injeção conjunta de US$ 50 bi entre 2024-2025, focada no Azure e no GPT-5.
- Amazon AWS: ~US$ 55 bi/ano, mas pulverizados em nuvem, logística e varejo.
A Meta assume, portanto, o posto de maior compradora de silício de IA do planeta — posição que pode pressionar ainda mais o mercado de GPUs e memórias HBM, refletindo nos preços de placas de vídeo gamers que encontramos no varejo.
Imagem: William R
Impacto para quem monta PC ou trabalha com criação
1. Oferta de GPUs: quanto mais H100 e B200 a Meta encomendar, menor a disponibilidade para consumidores finais, o que tende a manter os preços das RTX 4000 e Radeon 7000 “sem promoção” por mais tempo.
2. Novas ferramentas na ponta: modelos como Avocado podem chegar em versões “Lite” embarcadas em notebooks e placas de vídeo futuras, acelerando fluxos de trabalho de edição, programação e pesquisa.
3. Boas oportunidades de upgrade: antigas RTX 3000 e RX 6000 podem se tornar excelentes custo-benefício (e frequentemente entram em oferta na Amazon) à medida que o segmento entusiasta foca em IA profissional.
O que esperar até 2026?
Nos próximos 24 meses, é razoável apostar em:
- Lançamento público do Avocado, possivelmente integrado ao WhatsApp e Instagram.
- Novo headset Quest turbinado por AI on-device, dispensando nuvem para algumas tarefas.
- Aquisições de startups de chips customizados para reduzir dependência da Nvidia.
Se Zuckerberg transformará bilhões em uma verdadeira superinteligência, ainda não sabemos. Mas o efeito colateral já é claro: o avanço das IAs corporativas está ditando o ritmo de inovação — e de preço — em todo o ecossistema de hardware que chega às nossas casas.
Com informações de Hardware.com.br