A Samsung deu um passo ousado na corrida pela eletrônica verde. A companhia apresentou o Color E-Paper EM13DX, um display de 13,3 polegadas que usa biorresina derivada de fitoplâncton em sua moldura e promete consumo de energia “zero watt” para imagens estáticas. Mais do que uma curiosidade de laboratório, o painel chega ao portfólio comercial da marca para substituir cartazes impressos em lojas, escritórios e espaços públicos.
Por que plâncton? A química por trás da biorresina
O fitoplâncton é um conjunto de micro-algas que, além de realizar fotossíntese, possui paredes celulares ricas em polímeros naturais. A Samsung extrai esses compostos para produzir uma biorresina que responde por 10 % da carcaça do EM13DX; outros 45 % vêm de plástico reciclado pós-consumo. A mistura recebeu certificação da UL, entidade independente que verifica processos de segurança e sustentabilidade.
Resultado prático: segundo a fabricante, o novo material corta em mais de 40 % as emissões de carbono em comparação com resinas fósseis tradicionais — um diferencial importante para empresas que já adotam métricas ESG.
Ficha técnica enxuta, mas afiada
- Tela: 13,3” Color E-Paper (1600 × 1200 px, proporção 4:3)
- Espessura / peso: 17,9 mm / 900 g (com bateria)
- Bateria: 4.600 mAh recarregável
- Conectividade: Wi-Fi, Bluetooth, 2× USB-C
- Gestão de conteúdo: app Samsung E-Paper (Android/iOS) ou plataforma em nuvem Samsung VXT
- Consumo de energia: 0 W com imagem fixa; gasto ultrabaixo só na atualização
Em termos de densidade de pixels (≈150 ppi), o painel se aproxima do Kindle Scribe da Amazon, mas entrega cores suaves graças a algoritmos que refinam gradientes e contornos — algo que a E Ink Kaleido 3, principal rival no mundo dos e-readers coloridos, também persegue.
Comparativo rápido: EM13DX x displays convencionais
| EM13DX (Samsung) | LCD comercial 13” | |
|---|---|---|
| Consumo em imagem fixa | 0 W | ≈4–6 W |
| Luminosidade | Dispensa backlight | Necessita retroiluminação |
| Temperatura operacional | -5 °C a 40 °C (estimado) | 0 °C a 35 °C |
| Materiais verdes | 55 % reciclado/biológico | ≈0–10 % |
Para sinalização estática — menus de cafeteria, horários de reunião, etiquetas de prateleira — a economia energética pode chegar a até 80 % ao mês segundo projeções internas da Samsung, reduzindo não apenas a conta de luz, mas também a infraestrutura de cabos e tomadas.
Mercado-alvo: somente B2B, por enquanto
Assim como o modelo de 32 polegadas lançado em 2024, o novo EM13DX é voltado exclusivamente ao universo corporativo. Ou seja, não espere encontrá-lo na mesma prateleira dos Kindle ou de tablets Android voltados ao consumidor final. A lógica é simples: empresas de varejo gastam milhares de reais por ano imprimindo cartazes que se tornam lixo em dias; um display que dura anos e pode ser atualizado pelo celular resolve esse problema.
Imagem: Internet
Expansão de portfólio e o que vem pela frente
Durante a ISE 2026, em Barcelona, a Samsung já prometeu um Color E-Paper de 20 polegadas. Caso mantenha o ritmo, versões de 24” e 27” podem aparecer em 2027, posicionando a linha como concorrente direta de painéis de e-paper gigantes da E Ink e da TCL. A tendência também pressiona fabricantes de LCD e OLED a revisarem suas estratégias ecológicas.
O que isso significa para você (mesmo se não for comprar um agora)
Embora o EM13DX seja restrito ao B2B, a tecnologia de biorresina à base de plâncton abre caminho para gadgets de consumo mais sustentáveis — pense em monitores, TVs e até periféricos como mouses e teclados com menor pegada de carbono. Se você já procura monitores de baixo consumo, fique de olho: a próxima geração pode levar um pedacinho do oceano para a sua mesa.
No curto prazo, o EM13DX oferece às empresas uma fórmula tentadora: menos impressão, menos energia, menos lixo. No longo, indica que materiais de origem biológica podem — e devem — migrar do laboratório para a linha de produção em massa.
Com informações de Mundo Conectado