Quando a Bandai Namco anunciou Code Vein II, a expectativa era clara: corrigir as arestas do primeiro game e, quem sabe, entregar o primeiro soulslike “estilo anime” que realmente brilha ao lado de gigantes como Elden Ring e Bloodborne. Três anos de desenvolvimento depois, a sequência que desembarca em 29 de janeiro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S traz novidades certeiras — mas também revive fantasmas que podem afastar até fãs devotos do gênero.
O que mudou: classes flexíveis viram builds quase infinitas
No título original, o sistema de “Blood Codes” limitava suas habilidades ao arquétipo escolhido. Em Code Vein II, a Bandai libera praticamente tudo: Formae (skills) podem ser cravadas diretamente nas armas, que agora também recebem golpes exclusivos. Some isso aos Jails — artefatos que recarregam energia de habilidade — e o resultado é um playground de builds que lembra a versatilidade vista em Elden Ring.
Para quem adora testar combinações, é uma festa. Para quem quer apenas terminar a campanha, a curva de aprendizado pode assustar, mas a presença de companions controlados pela IA mantém a experiência amigável.
História simples, personagens memoráveis
A trama salta cem anos à frente do primeiro game e não exige conhecimento prévio. O enredo sobre heróis selados e viagem no tempo é claro o suficiente para dar contexto às missões, mas o destaque real fica nos personagens — sobretudo os Revenants lendários que você encontra no passado. Cada um adiciona missões paralelas, novas Formae e, principalmente, carisma.
O calcanhar de Aquiles continua sendo a performance
Testamos a versão de PS5 no modo Performance (60 fps alvo) e, mesmo assim, registramos queda para a casa dos 40 fps em cenários abertos. No modo Qualidade (4K nativo), os engasgos tornam chefes quase injogáveis. Em PCs com placas de vídeo RTX 4060 Ti ou superiores, o frame rate se mantém estável em 1080p/1440p, mas quem usa GPUs de entrada — como a popular RX 6600 — vai precisar reduzir sombras e efeitos volumétricos para chegar a 60 fps.
Os bugs visuais também distrairam durante a análise: pop-in de objetos em plena cutscene e texturas carregando lentamente lembram que ainda estamos em um Unreal Engine 4 sem o polimento de um Lies of P.
Mundo aberto: grande, vazio e pesado
Na tentativa de se aproximar do design de Elden Ring, a Bandai optou por um cenário semiaberto. Porém, a vasta área externa carece de vida: poucos inimigos, segredos óbvios e recompensas que raramente justificam o desvio de rota. Pior: é justamente nesse mapa amplo que a performance despenca.
Imagem: Internet
Jogabilidade: precisa, mas ainda longe da FromSoftware
As animações ganharam fluidez comparado a 2019, mas as hitboxes continuam imprecisas. O atraso para recuperar stamina, usar um frasco de cura ou até ressuscitar via aliado resulta em mortes que soam injustas. Não chega a arruinar o game, mas faz lembrar que polimento é peça-chave do gênero.
Vale a pena?
Code Vein II entrega:
- Prós: personalização absurda de builds, companions úteis, personagens cativantes.
- Contras: performance instável, mundo aberto vazio, hitboxes questionáveis.
Se você vibrou com as possibilidades do primeiro jogo e possui um hardware robusto — pense em RTX 3060 para cima ou PS5/Series X em modo Performance —, a sequência oferece conteúdo suficiente para 40 a 50 horas de experimentação. Para quem busca o próximo padrão ouro dos soulslikes, é melhor esperar atualizações ou uma promoção.
Com informações de TecMundo / Voxel