Os óculos inteligentes finalmente ganharam espaço no Brasil, mas quem planeja ostentar um Ray-Ban Meta, XREAL Air ou similares na próxima ida às urnas já pode tirar o acessório da lista de itens do dia. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que qualquer dispositivo vestível com câmera integrada está proibido dentro da cabine de votação nas Eleições de 2026. A decisão, oficializada em minuta dos Atos Gerais que regulamentarão o pleito, reforça uma regra que já vale para celulares, máquinas fotográficas e filmadoras desde 1997.
Por que o TSE decidiu agir agora?
A tecnologia avançou e as câmeras ficaram cada vez menores — discretas o suficiente para caber nas haste dos óculos. Segundo o TSE, o risco de captura de imagem do voto viola o pilar do sigilo eleitoral, abrindo brecha para fraudes como compra de votos com prova fotográfica. O caso do vereador preso em Ourilândia do Norte (PA), em 2024, usando óculos com câmera para fiscalizar eleitores, serviu de alerta máximo.
O que exatamente está vetado?
O parágrafo único do artigo 91-A da Lei 9.504/1997 já proíbe aparelhos capazes de registrar ou transmitir imagem no ato do voto. Agora, o TSE deixa claro que a regra inclui qualquer dispositivo que:
- Possua lentes ou sensores embutidos nos aros;
- Exiba LEDs de gravação ou botões de captura;
- Ofereça conexão sem fio para streaming em tempo real;
- Possa ser utilizado mesmo desligado para intimidar o eleitor.
Ray-Ban Meta, XREAL Air e companhia: como funcionam esses óculos?
Para entender a polêmica, vale olhar as especificações dos modelos mais populares:
Ray-Ban Meta (2ª geração) — Lançados em 2023, trazem duas câmeras de 12 MP integradas às hastes, gravação em 1080p por até 60 s, 32 GB de armazenamento interno e streaming direto para as redes sociais via Wi-Fi. A bateria dura cerca de 4 h de uso contínuo e recarrega no estojo incluso.
XREAL Air 2 — Focados em realidade aumentada, projetam uma tela virtual de até 330″ à frente dos olhos. Embora a versão padrão não inclua câmera, o módulo opcional XREAL Beam adiciona captação de vídeo — ponto que deve ser conferido na hora da compra (e na entrada da seção eleitoral).
Lenovo Glasses AI V1 — Mais recente, aposta em armação leve de 69 g e sensor de movimento para comandos por gesto. Também há variantes com câmera 1080p voltadas a videoconferências.
Esses números deixam claro que, mesmo “discretas”, as lentes são capazes de guardar ou transmitir cada toque na urna eletrônica, justificando o veto.
Imagem: Internet
Como identificar um smartglass com câmera?
- Observe pontos escuros nas extremidades da armação — geralmente são sensores;
- Procure LEDs brancos ou verdes indicando gravação;
- Note a presença de botões físicos ou touchpads nas hastes;
- Modelos com porta USB-C exposta costumam oferecer transferência de mídia.
Passo a passo na seção eleitoral
De acordo com a minuta do TSE, o eleitor precisará:
- Desligar totalmente o dispositivo (celular, smartwatch ou smartglass) antes de se aproximar da cabine;
- Depositar os itens em local visível ao lado da Mesa Receptora;
- Somente reaver seus pertences após concluir o voto.
Mesários e fiscais de partido estão autorizados a registrar ocorrência se o eleitor insistir em portar o acessório dentro da cabine.
Impacto prático para quem ama gadgets
Para o entusiasta de tecnologia, a medida não impede a compra nem o uso dos smartglasses no dia a dia — seja para gravar vlogs com as mãos livres, streamar sessões de jogo em AR ou apenas receber notificações. O que muda é a rotina no dia da votação: planeje guardar o dispositivo com antecedência (uma capinha protetora na bolsa pode evitar riscos e arranhões).
E se eu levar o óculos sem câmera?
Óculos de realidade aumentada sem módulo de filmagem, como algumas versões do XREAL Air, ainda podem despertar desconfiança. A recomendação é levar o manual ou a nota fiscal que comprove a ausência de câmeras — ou, para evitar dor de cabeça, simplesmente optar por um par convencional para ir às urnas.
Com a decisão, o TSE se antecipa a um mercado em franca expansão — estimativas da IDC apontam que o segmento de smart wearables deve crescer 22 % ao ano até 2027. A mensagem é clara: inovação é bem-vinda, mas o sigilo do voto continua intocável.
Com informações de Mundo Conectado