Enquanto Call of Duty: Modern Warfare III domina as listas de mais vendidos em todo o mundo, o governo russo decidiu abrir o cofre para bancar um concorrente 100 % pró-Kremlin. O Ministério do Desenvolvimento Digital confirmou que reservou até 10 bilhões de rublos — cerca de US$ 130 milhões, ou R$ 560 milhões — para qualquer estúdio que se comprometa a produzir um shooter militar no estilo CoD, mas com os soldados russos no papel de heróis e as nações “hostis” como vilãs.
Incentivos milionários (e impostos de 5 %) para atrair desenvolvedores
Além do aporte direto de capital, o pacote inclui:
- Imposto corporativo reduzido a 5 % (a alíquota padrão russa passa de 20 %);
- Isenção parcial de VAT (o equivalente ao nosso ICMS + PIS/Cofins);
- Prêmios de seguro mais baratos para funcionários.
O dinheiro virá, em parte, do Instituto de Desenvolvimento da Internet (IRI), que normalmente cobre entre 30 % e 50 % dos custos de projetos de médio e grande porte. Segundo o governo, a proposta será avaliada dentro de um processo competitivo já existente — mas ainda nenhum estúdio russo declarou publicamente que vai disputar a verba.
Quanto custa fazer um AAA na Rússia hoje?
Para efeito de comparação, durante a conferência RED EXPO 2024, analistas estimaram que um título de grande porte produzido no país custa de 1,5 bilhão a 3 bilhões de rublos (até US$ 40 milhões). Ou seja, o novo plano multiplica por três o teto de investimentos já praticados no mercado local, aproximando-o de superproduções ocidentais como Call of Duty (orçamento estimado de US$ 200 milhões por edição, sem marketing).
Por que o Kremlin quer um “CoD russo”?
A pressão partiu de Mikhail Delyagin, vice-chefe do Comitê de Política Econômica da Duma Estatal. Em 2025, o deputado pediu à agência reguladora Roskomnadzor que investigasse a franquia Call of Duty por “russofobia” e sugeriu bani-la do país. Na mesma carta, ele pedia um jogo equivalente, mas no qual o jogador assumisse o controle de militares russos enfrentando forças dos EUA, Reino Unido, França e Ucrânia.
Desafios técnicos e criativos
Mesmo com o caixa reforçado, criar um shooter AAA competitivo envolve:
- Engine de ponta — desde 2022 a Rússia discute uma engine própria, mas o projeto patina por falta de ferramentas maduras. Adotar Unreal Engine 5, por exemplo, exige licenciamento em dólar e suporte da Epic Games, hoje sediada nos EUA.
- Equipe internacional — um jogo desse porte exige centenas de artistas, designers e programadores. A mão de obra especializada migrou em massa após a invasão da Ucrânia, o que dificulta contratações.
- Narrativa limitada — a obrigatoriedade de exaltar o Exército russo e demonizar países específicos pode afugentar talentos e plataformas de distribuição.
E o que isso significa para você e para o seu PC gamer?
Se um projeto desse tamanho realmente sair do papel, podemos esperar:
Imagem: William R
- Gráficos de última geração para rivalizar com Modern Warfare III, exigindo placas de vídeo equivalentes a uma NVIDIA GeForce RTX 4070 ou AMD Radeon RX 7800 XT para rodar em 1440p com ray tracing;
- Texturas em altíssima resolução ocupando mais de 100 GB de armazenamento — um bom argumento para investir em um SSD NVMe PCIe 4.0 de 1 TB ou mais;
- Taxas de quadros competitivas em monitores de 144 Hz ou 240 Hz, cenário em que mouses de alta precisão (8000 Hz) e teclados mecânicos de resposta rápida podem fazer diferença nas partidas online.
Em outras palavras, mesmo quem não pretende testar um “CoD Made in Russia” já pode se preparar: a próxima leva de shooters AAA deve continuar puxando por GPUs topo de linha, CPUs com pelo menos 8 núcleos/16 threads e periféricos que suportem polling rates mais altos.
Próximos passos
Por enquanto, tudo depende de algum estúdio apresentar uma proposta formal ao IRI. Se isso acontecer ainda em 2025, um ciclo de desenvolvimento otimista apontaria para lançamento em 2027 ou 2028. Até lá, quem joga no PC continuará mirando nos requisitos de sistemas como Call of Duty — e avaliando quando vale a pena trocar de placa de vídeo, processador ou headset para não ficar para trás no multiplayer.
No fim das contas, o Kremlin está disposto a pagar caro por um game que conte sua versão da história. Se o projeto ganha o coração (e o tempo de jogo) dos gamers globais ou vira apenas material de propaganda interna, só o tempo — e a qualidade do código final — dirá.
Com informações de Hardware.com.br