O sonho de transformar reuniões virtuais em encontros totalmente imersivos acaba de ganhar um prazo de validade na Meta. A companhia confirmou que o Horizon Workrooms será descontinuado em 16 de fevereiro de 2026, encerrando a sua principal iniciativa para levar o conceito de metaverso ao ambiente de trabalho. A informação apareceu de forma discreta em uma página de suporte, mas o impacto para empresas que adotaram a plataforma é tudo menos tímido.
Por que a Meta decidiu encerrar o Horizon Workrooms?
Quando o então Facebook passou a se chamar Meta, em 2021, Mark Zuckerberg apresentou o aplicativo como vitrine de uma nova era. A ferramenta prometia salas de reunião em realidade virtual, onde cada participante aparecia como um avatar 3D, usando headsets Meta Quest. No entanto, os números nunca acompanharam o entusiasmo:
- A divisão Reality Labs, responsável pelos projetos de VR/AR da Meta, acumulou prejuízos bilionários nos últimos anos.
- A adoção corporativa de headsets permaneceu tímida, principalmente em mercados emergentes como o Brasil.
- Plataformas tradicionais — Microsoft Teams, Google Meet e Zoom — continuaram soberanas no trabalho remoto.
Com esses fatores pesando sobre o balanço, a empresa fez um recuo estratégico. Além do fim da plataforma, a Meta declarou que cessará as vendas de SKUs comerciais do Meta Quest e de serviços gerenciados a partir de 20 de fevereiro de 2026. Na prática, isso elimina qualquer oferta oficial de hardware VR focado exclusivamente em empresas.
O que muda para sua equipe de TI?
Se sua empresa apostou no Horizon Workrooms, a contagem regressiva já começou. Você tem aproximadamente um ano e meio para:
- Exportar e arquivar dados de reuniões no Workrooms.
- Avaliar alternativas de VR colaborativo, como Microsoft Mesh (integrado ao Teams) e Spatial (que funciona em headsets diversos, inclusive Apple Vision Pro).
- Considerar soluções híbridas menos imersivas, mas mais maduras, como Teams, Zoom ou Google Meet, que já integram quadros digitais e transcrição automática de voz.
Headsets VR: vale a pena comprar agora?
Com a Meta pausando sua linha comercial para empresas, o Quest 2 e o Quest 3 continuam disponíveis somente ao consumidor final. Já quem busca uso corporativo pode observar:
- Apple Vision Pro – estreia marcada pelos EUA, trazendo realidade mista de alta resolução e integração nativa com o ecossistema iOS/macOS. O preço acima de US$ 3.000 limita a adoção em massa, mas o pacote de produtividade é sedutor.
- HTC Vive XR Elite – leve, modular e com suporte oficial a ambientes empresariais, incluindo garantia estendida e APIs de segurança.
- Pico 4 Enterprise – alternativa mais em conta que o Vision Pro, com rastreamento ocular e facial, além de suporte a MDM (Mobile Device Management).
Para o usuário doméstico que procura games em VR, o Quest 3 segue competitivo, graças ao chipset Snapdragon XR2 Gen 2, tela de alta resolução e catálogo robusto na Meta Quest Store. Mas, no contexto corporativo, a descontinuidade oficial pode ser um ponto de atenção para quem precisa de suporte de longo prazo.
Imagem: William R
Tendência: menos metaverso, mais realidade aumentada
A mudança no roadmap da Meta não acontece em um vácuo. O próprio Zuckerberg sinalizou, em entrevistas recentes, que óculos inteligentes e dispositivos de realidade aumentada (AR) receberão prioridade. O sucesso dos wearables da linha Ray-Ban Meta, aliados ao hype em torno do Vision Pro, sugere que o mercado busca experiências mais naturais e menos enclausuradas em um headset.
Em outras palavras, em vez de recriar todo o escritório em um universo 3D, a próxima onda tende a sobrepor informações úteis ao mundo físico — algo que exige hardware mais leve, como displays transparentes ou lentes projetivas.
Conclusão
O encerramento do Horizon Workrooms marca o fim de um capítulo ambicioso — e caro — da Meta no metaverso corporativo. Para as empresas, o recado é claro: diversifique suas ferramentas de colaboração e planeje a migração com antecedência. Para os entusiastas de hardware, vale acompanhar de perto a dança das cadeiras entre VR e AR, pois o dispositivo que vai realmente mudar seu dia a dia talvez não seja um headset volumoso, mas sim um par de óculos que você usará durante todo o expediente.
Com informações de Hardware.com.br