LAS VEGAS – Na reta final da CES 2026, a Samsung Electronics chamou a atenção para muito além de telas dobráveis e TVs de altíssimo brilho. A gigante sul-coreana reuniu, no hotel Wynn, um time de peso para discutir “o lado humano da tecnologia” e lançar as bases de um design que promete ser tão emocional quanto inteligente.
Por que a Samsung quer enterrar o minimalismo?
Domínio de linhas retas, superfícies chapadas e cores sóbrias: o minimalismo reinou por quase duas décadas na indústria de hardware. Segundo o Chief Design Officer da Samsung, Mauro Porcini, esse visual ajudou a limpar a “poluição visual” dos gadgets, mas também criou uma paisagem tecnológica monótona, onde “todo mundo parece vender a mesma caixa preta brilhante”.
No painel mediado por Debbie Millman (podcast Design Matters) e que contou ainda com os designers internacionais Karim Rashid e Fabio Novembre, a mensagem foi clara: a próxima leva de dispositivos precisa ter personalidade, cor, textura – em resumo, precisa conversar com o usuário em um nível emocional.
AI = IE + IH: a fórmula que deve guiar os próximos produtos
Porcini apresentou um conceito que pode se tornar mantra interno na Samsung: AI (IE + IH). Na equação, a Inteligência Artificial (AI) só entrega seu potencial máximo quando combinada à Inteligência Emocional (IE) e à Imaginação Humana (IH). Em outras palavras, não basta um algoritmo prever o ajuste de brilho da tela – ele também deve compreender quando o usuário quer um descanso, auxiliar na criatividade e até sugerir ambientações que elevem o humor.
O que muda na prática para quem joga, trabalha ou assiste a séries?
• Monitores e TVs: espere por interfaces que se adaptem ao conteúdo e até à postura de quem está em frente à tela. Em um game intenso, o software poderá realçar áreas escuras; já em sessões de trabalho, favorecer tons que reduzam a fadiga ocular.
• Periféricos e acessórios: mouses, teclados e headsets da próxima geração devem ganhar superfícies personalizáveis e feedback tátil inteligente. Imagine um teclado mecânico que ajuste a força de atuação ao perceber que você está digitando por horas.
• Casa conectada: geladeiras, soundbars e wearables podem trocar dados de contexto para orquestrar iluminação, música ambiente e temperatura – tudo orientado pelo bem-estar do usuário.
Design emocional x Concorrência
Apple e LG também investem em IA e experiência de usuário, mas a Samsung sai na frente ao colocar um Chief Design Officer no centro do palco da CES, discursando menos sobre especificações e mais sobre sentimentos. É um recado direto: diferença de megapixels ou gigahertz está cada vez menor; a briga agora é por significado.
Imagem: Internet
Quando essa visão chega às prateleiras (e ao carrinho de compras)?
A Samsung não detalhou datas, mas o roadmap indica que os primeiros frutos devem aparecer na linha Galaxy S26 – prevista para março – e nas TVs QD-OLED 2026. Para quem planeja trocar de smartphone, monitor ou soundbar, vale ficar de olho: recursos de IA mais “sensíveis” podem ser o próximo grande diferencial, especialmente em produtos de tíquete médio, onde cada detalhe conta na decisão de compra.
Ao encerrar seus Tech Forums, a Samsung deixa um recado simples: gadgets são feitos para pessoas, não o contrário. Se a empresa transformar discurso em produto, podemos ver o fim de dispositivos frios e o início de uma era em que hardware, software e emoção caminham lado a lado – bom para quem busca tecnologia que não apenas funcione, mas faça sentido.
Com informações de Mundo Conectado