A sexta-feira, 9 de janeiro, amanheceu com Wall Street de olho na Intel. Bastou o ex-presidente Donald Trump elogiar publicamente o CEO Lip-Bu Tan e o recém-anunciado processador produzido em processo inferior a 2 nm nos Estados Unidos para as ações da companhia saltarem 10% em poucas horas. A valorização acumulada no ano já passa de 20%—e isso reacende a disputa pela liderança nos semicondutores de ponta, hoje dominada pela taiwanesa TSMC e pela sul-coreana Samsung.
Por que um post de Trump inflou US$ 10,8 bi em valor de mercado?
Ao exaltar Tan como “um líder de enorme sucesso” e lembrar que o governo detém 9,9% da Intel, Trump reforçou a narrativa de que a empresa é peça-chave na segurança tecnológica dos EUA. Em agosto de 2025, a administração desembolsou US$ 8,9 bilhões para comprar 433,3 milhões de ações a US$ 20,47 cada. Cinco meses depois, o mesmo pacote vale US$ 19,74 bilhões—lucro potencial de ~US$ 10,8 bilhões para os cofres públicos.
Processo Intel 18A: o que “menos de 2 nm” significa, afinal?
No jargão da engenharia, 1 nm equivale a um centésimo de milésimo de milímetro. Quanto menor o número, mais transistores cabem na mesma área, reduzindo consumo energético e elevando desempenho. O Intel 18A—equivalente comercial ao “sub-2 nm”—adota transistores RibbonFET (porta total) e metalização PowerVia na parte traseira da pastilha. Na prática:
- até 10–15% mais desempenho por watt em relação ao Intel 20A (3 nm);
- densidade de transistores competitiva com o futuro TSMC N2 e com o Samsung 2GAP previsto para 2026;
- ganho direto em FPS para jogos e mais autonomia em notebooks ultrafinos.
Core Ultra Series 3: quem deve ficar de olho?
A primeira família a usar o 18A é a Intel Core Ultra Series 3, enviada a OEMs esta semana. Espera-se:
- CPUs mobile de 14 a 45 W TDP, mirando ultrabooks premium e máquinas gamer RTX 4060/4070;
- até 14 núcleos (6 Performance + 8 Efficiency) com iGPU Arc Xe2 atualizada, suporte a DDR5-6400 e Wi-Fi 7;
- codificação AV1 e Ray Tracing melhorado para streamers e jogadores.
Ou seja, quem planeja trocar de notebook em 2026 pode ver modelos mais finos, silenciosos e, potencialmente, mais baratos—graças à produção local que evita algumas taxas de importação.
Comparativo rápido: Intel 18A x TSMC N2 x Samsung 2GAP
Densidade de transistores (MTr/mm²): Intel 18A (~400) ≈ TSMC N2 (~420) > Samsung 2GAP (~360).
Disponibilidade em volume: Intel anuncia Q4 2025; TSMC, início de 2026; Samsung, meados de 2026.
Mercado-alvo inicial: Intel (próprios CPUs + clientes IDM 2.0), TSMC (Apple M-series, AMD Zen 6), Samsung (SoCs Exynos, Qualcomm).
A proximidade dos números mostra que, tecnicamente, a Intel volta a competir de igual para igual—algo que não ocorria desde o 14 nm de 2014.
Imagem: William R
Efeitos na prateleira: mais FPS, menos watts
Para gamers, o ganho imediato virá de clocks mais altos sem aumentar temperatura, o que libera mais espaço térmico para GPUs dedicadas. Já criadores de conteúdo devem sentir exportações de vídeo mais rápidas graças à nova mídia engine. Em data centers, a expectativa é cortar custos de energia em até 30% por servidor, crucial para IA generativa.
O grande teste ainda está por vir
Apesar do rali na bolsa, analistas alertam: “power points não fabricam chips”. A Intel precisa provar que consegue escalar o 18A em volume e sem atrasos—uma pedra no sapato desde o problemático 10 nm. Além disso, TSMC ergue uma megafábrica no Arizona e a Samsung prepara expansão no Texas, elevando a concorrência doméstica.
Para o consumidor, porém, a notícia é positiva: mais players brigando em solo americano significa PCs e notebooks com ciclos de atualização mais rápidos, preços competitivos e menor risco de abastecimento. Fique de olho, pois os primeiros produtos comerciais com 18A devem aparecer no segundo semestre de 2026—justo a tempo da temporada de volta às aulas e das promoções de fim de ano.
Com informações de Hardware.com.br