Nem todo hype se converte em vendas. Em entrevista exclusiva à PC Gamer antes da CES, Kevin Terwilliger, chefe de produto da Dell, revelou que o consumidor comum não escolhe notebook ou desktop pelo número de siglas de IA que ele carrega. Segundo o executivo, o que pesa na decisão de compra continua sendo o bom e velho combo de desempenho, autonomia de bateria e preço. A declaração joga um balde de água fria na estratégia da Microsoft de empurrar o Copilot Plus PC como o “novo normal” do Windows — e ajuda a explicar por que o Windows 11 ainda patina em market share.
O que a Dell realmente disse
“Aprendemos, especialmente do ponto de vista do consumidor, que ninguém compra PC por causa de IA. Na verdade, o tema mais confunde do que ajuda”, confessou Terwilliger. Apesar de todos os lançamentos previstos para 2026 já contarem com NPUs integradas, a Dell deixa claro que estes chips dedicados a tarefas de inteligência artificial não serão o ponto central das campanhas de marketing.
Impacto imediato: pressão sobre a Microsoft
A Microsoft vinha apostando alto no Copilot Plus PC — categoria inaugurada em 2024 com processadores Snapdragon X Elite da Qualcomm. Na prática, porém, os principais benefícios sentidos pelo usuário são:
- Maior autonomia de bateria, graças à arquitetura ARM de 4 nm;
- Desempenho multicore superior aos Intel Core Ultra de mesma faixa de preço;
- Gráficos integrados capazes de rodar e-sports em 1080p.
Recursos como o polêmico Recall — que grava capturas constantes da tela para “lembrar” de tudo — atrasaram quase um ano por questões de privacidade. Resultado: o “benefício de IA” ainda soa abstrato para quem precisa de um notebook para estudar, trabalhar ou jogar.
IA é legal, mas não fecha carrinho sozinha
Para o comprador entusiasta, IA embarcada tem valor em fluxos de trabalho de criação de conteúdo (edição de vídeo, geração de imagens) e em assistentes de produtividade. No entanto, ao comparar duas máquinas do mesmo preço, vence quem entrega:
- Mais FPS em jogos AAA;
- Bateria capaz de aguentar um dia de aula ou reunião sem tomada;
- Temperaturas mais baixas e menos ruído;
- Teclado confortável e tela de qualidade.
Com a evolução de GPUs dedicadas como NVIDIA GeForce RTX 40-series Super e placas de vídeo Radeon RX 7000 XT, muitos usuários preferem investir em uma placa de vídeo robusta — item que gera impacto visível imediato — do que pagar mais por uma NPU cujo potencial ainda depende de software em maturação.
Concorrência observa e reposiciona estratégias
• Apple: mesmo destacando 38 TOPS de IA no chip M3, a empresa foca sua propaganda em performance por watt.
• AMD Ryzen AI 300: promete 50 TOPS, mas a campanha “Strix Point” ressalta FPS e autonomia em gaming.
• Intel Lunar Lake: virá com NPU de 45 TOPS, porém demos da Computex batem na tecla de gráficos integrados Arc e ray tracing.
Imagem: Internet
Vale esperar pelos PCs de 2026?
Se você planeja trocar de máquina nos próximos dois anos, considere:
- Ciclos de CPU e GPU: Intel, AMD e NVIDIA devem atualizar linhas ainda em 2025, trazendo saltos mais tangíveis em FPS e eficiência.
- Preço de DDR5: memórias já ficam abaixo dos R$ 280/16 GB; tendência é cair mais, barateando upgrades.
- Windows 12? Rumores indicam chegada em 2025 com ênfase em IA, mas a Dell mostra que ninguém precisa correr para isso.
Em suma, a IA será um bônus bem-vindo para certas tarefas, mas não substitui GPU potente, SSD rápido e tela de alta taxa de atualização. A Dell apenas verbalizou o que o mercado já sentia: o consumidor quer retorno palpável no dia 1.
No curto prazo, fique de olho em laptops com Snapdragon X Elite ou Intel Core Ultra de 2ª geração, que oferecem quase o dobro de autonomia em relação a notebooks gamer tradicionais — um diferencial concreto para quem trabalha longe de tomadas.
No fim das contas, a mensagem é clara: compre pelo que você pode medir hoje — desempenho, bateria, construção — e deixe a IA trabalhar em segundo plano. Seu bolso agradece e seus FPS também.
Com informações de Adrenaline
