Pela primeira vez em meia década, a NVIDIA chegará à Consumer Electronics Show sem uma única placa de vídeo gamer inédita na mala. A empresa confirmou que a família GeForce RTX 50 Super — cotada para trazer modelos como RTX 5070 Super, RTX 5080 Super e até uma possível RTX 5090 Super — foi oficialmente retirada da programação do evento de 2026.
GDDR7 virou gargalo global
O grande vilão da história atende pelo nome de GDDR7. Os chips de 3 GB por módulo, peça-chave para turbinar a VRAM em até 50% sem redesenhar as placas, estão em oferta tão limitada que analistas projetam queda de 30% a 40% na produção de GPUs para jogos apenas no primeiro semestre de 2026.
Hoje, apenas a Samsung fabrica esses módulos em escala comercial e, não por acaso, está priorizando contratos de datacenter de IA — três vezes mais lucrativos que o mercado doméstico. Resultado: a arquitetura Blackwell fica sem combustível para avançar na linha gamer.
O que muda para você que pensa em trocar de placa?
Se você estava esperando o anúncio na CES para escolher sua próxima GPU, o momento pede cautela. Com menos placas chegando às lojas, preços podem subir ou, no mínimo, permanecer nos patamares atuais por mais tempo. Quem busca performance extra em 1440p ou 4K deve considerar:
- Modelos atuais da série RTX 40, como a RTX 4070 Super, que usa GDDR6X — memória ainda abundante — e já entrega DLSS 3 com frame generation.
- Placas AMD Radeon RX 7800 XT e RX 7900 GRE, baseadas em GDDR6, relativamente imunes ao tremor no mercado de GDDR7.
- Monitorar possíveis promoções de RTX 30; a NVIDIA pode reativar a produção do RTX 3060 de 12 GB (processo Samsung 8 nm + GDDR6), o que tende a moderar os preços na faixa de entrada.
Por que a linha Super era tão aguardada?
Os vazamentos indicavam que a RTX 5070 Super saltaria de 12 GB para 18 GB de VRAM, enquanto a RTX 5080 Super chegaria a 24 GB, encurtando a distância para placas profissionais como a RTX 6000. Ambos os modelos prometeriam melhor relação custo-benefício que a geração lançada em 2025, tornando-os upgrades quase “obrigatórios” para quem roda AAA’s com texturas em alta resolução ou mergulha em mods de ray tracing.
AI já representa quase 80% da receita da NVIDIA
O silêncio da divisão GeForce encontrou seu contraponto no palco da CES. Jensen Huang dedicou a keynote à nova plataforma de IA Alpamayo — que pretende levar raciocínio end-to-end a veículos autônomos — e às bibliotecas CUDA X voltadas a robótica e automação industrial. Números de 2025 comprovam a guinada: 78% da receita da NVIDIA veio de IA, enquanto o segmento gaming afundou para menos de 10%.
Imagem: William R
Concorrentes podem sair na frente?
A AMD deve apresentar a arquitetura RDNA 4 no mesmo período, potencialmente com modelos equipados em GDDR7 de 2 GB por chip — um padrão menos crítico e mais fácil de abastecer. Caso se confirme, os Radeons podem ocupar temporariamente o espaço deixado pelas RTX 50 Super em performance de ponta.
Próximos passos: esperar ou comprar agora?
A velha dúvida ganha novo tempero: sem novas placas NVIDIA à vista, quem precisa de upgrade imediato deve olhar para as opções atuais, priorizando:
- RTX 4070 Super ou RTX 4080 Super para um equilíbrio entre consumo, DLSS 3 e ciclos de driver maduros.
- AMD RX 7800 XT se o foco for rasterização pura em 1440p, aproveitando preços agressivos.
- Usados de confiança: RTX 3080 e RX 6800 XT continuam excelentes em QHD/4K, especialmente se aparecerem com valor convidativo.
Em resumo, a ausência das RTX 50 Super na CES 2026 sinaliza um mercado volátil, onde escassez de memória, prioridade de IA e preços flutuantes ditarão o ritmo dos upgrades. Para o consumidor final, a regra de ouro permanece: acompanhar estoques, promoções relâmpago e benchmarks independentes antes de apertar o botão de compra.
Com informações de Hardware.com.br