Prepare-se para uma nova leva de notebooks Windows com desempenho de workstation e autonomia de tablet. A Qualcomm detalhou o Snapdragon X2 Elite Extreme, seu primeiro System-on-a-Chip (SoC) fabricado no processo TSMC N3X de 3 nm, trazendo 18 núcleos Oryon de 3ª geração, GPU Adreno redesenhada e uma NPU de 80 TOPS. O avanço mira diretamente nos Apple Silicon e nas plataformas mais recentes de Intel e AMD, elevando a competição no segmento premium.
Por dentro do processo de 3 nm: mais transistores, menos watts
O nó TSMC N3X prioriza clock alto sem sacrificar eficiência. São 31 bilhões de transistores compactados em uma área menor que a geração anterior (4 nm), resultando em:
- +39 % de desempenho em CPU, segundo a Qualcomm
- −43 % de consumo na mesma carga de trabalho
- Clock de até 5 GHz em núcleo único
Para quem joga ou trabalha plugado na tomada, isso significa frames mais estáveis e renders mais rápidos sem o cooler disparar o tempo todo.
CPU Oryon: 18 núcleos em três clusters
A arquitetura foca em distribuir tarefas entre três grupos:
- 2 clusters “prime” (6 núcleos cada) com 16 MB de cache L2 por cluster;
- 1 cluster de performance (6 núcleos) com 12 MB de cache L2.
O total de cache L3 não foi divulgado, mas a Qualcomm sinaliza “multi-gigabytes” dedicados. Na prática, editores de vídeo, compilações de código e planilhas gigantes devem voar, enquanto apps leves continuam eficientes.
GPU Adreno X2: pronta para games AAA e criação de conteúdo
Com quatro fatias (slices) de renderização e 21 MB de SRAM no die, a nova Adreno promete até 2,3× mais performance que a geração passada. Benchmarks internos mostram:
- 50 % de vantagem sobre o Intel Core Ultra 9 288V (GPU Xe-LPG);
- 29 % à frente do AMD Ryzen AI 9 HX 370 (RDNA 3+);
- Pontuação de 5 621 no 3DMark Steel Nomad Light, superando o Apple M5 (5 291).
Isso aponta para notebooks finos rodando e-sports a 144 fps ou títulos AAA em Full HD com gráficos médios/altos — cenário tentador para quem pensa em dispensar desktops leves e investir em um portátil tudo-em-um.
NPU de 80 TOPS: IA local sem depender da nuvem
A Hexagon NPU de 6ª geração dobra a aposta em IA com 80 TOPS, contra 45 TOPS do Apple M4 Pro. Para o usuário, isso se traduz em:
Imagem: Internet
- Ferramentas de edição de imagem com remoção de objetos em tempo real;
- Assistentes de produtividade rodando localmente (menor latência, mais privacidade);
- Upscaling de vídeo e games em tempo real, economizando GPU.
Memória unificada e conectividade de desktop
A Qualcomm adotou o conceito “tudo na mesma piscina” similar ao Apple Silicon. O X2 Elite Extreme traz:
- Até 128 GB de LPDDR5X em barramento unificado;
- 228 GB/s de largura de banda, vital para IA generativa e texturas 4K;
- Modem Snapdragon X75 5G + FastConnect 7800 Wi-Fi 7;
- 3 portas USB4 (40 Gb/s) e 12 vias PCIe 5.0, abrindo espaço para eGPUs ou SSDs NVMe externos.
Comparativo rápido: onde o X2 Extreme se encaixa?
No Geekbench mono-core, a Qualcomm exibe +4 000 pontos, perto do Apple M4 Pro e à frente de muitos Core Ultra Meteor Lake. Já em multi-core a disputa é mais apertada, mas os 18 núcleos ajudam a manter vantagem sobre chips x86 de mesma faixa térmica (35–45 W).
Quando veremos notebooks com o Snapdragon X2 Elite Extreme?
Os primeiros modelos comerciais estão previstos para 2026. Até lá, espera-se que:
- Mais estúdios convertam jogos para Arm64 nativo (a Qualcomm fala em 90 % de compatibilidade);
- Fabricantes parceiros (Samsung, Lenovo, ASUS, Dell) apostem em designs fanless ou com sistemas AirJet, fruto da parceria com a Frore Systems;
- O preço médio fique abaixo dos MacBook Pro com M-series equivalentes, gerando excelente custo-benefício para criadores e gamers móveis.
Vale a pena esperar?
Se você cogita trocar de laptop para produção de conteúdo, programação ou games portáteis, o Snapdragon X2 Elite Extreme promete entregar potência de desktop em ultrabooks finos, com bateria para o dia todo e conectividade total. Para quem monta setups híbridos — teclado mecânico, mouse gamer leve e monitores 4K encontrados facilmente na Amazon — ter um notebook assim como “cérebro” do escritório móvel pode ser mais prático (e econômico) do que carregar um MacBook Pro + GPU externa.
No fim, a chegada do X2 Extreme é boa notícia para o consumidor: mais competição, mais desempenho por watt e, claro, mais opções na hora de clicar no carrinho.
Com informações de Adrenaline