Se você ainda sente saudades das Live Tiles e da fluidez do antigo Windows Phone, prepare-se: uma versão funcional do Andromeda OS — sistema cancelado que a Microsoft criou para dispositivos de duas telas — acaba de ressurgir na comunidade de desenvolvedores. A build vazada roda no primeiro Surface Duo e oferece uma prévia concreta de como a gigante de Redmond imaginava unificar PCs, tablets e smartphones em um único ecossistema.
O que é o Andromeda OS?
Internamente apelidado de “Project Andromeda”, o sistema foi construído sobre o kernel do Windows 10 e trazia uma interface totalmente repensada para cenários multitela. Em vez do layout tradicional de janelas, tudo girava em torno de cartões dinâmicos e gestos, lembrando as Live Tiles do Windows Phone — porém otimizadas para se estenderem por dois displays.
Na prática, o Andromeda OS era o elo que faltava entre a produtividade do desktop e a mobilidade do smartphone. A Microsoft pretendia lançar o Surface Duo original já com essa plataforma, mas decidiu pivotar para o Android em 2019 a fim de evitar o eterno problema da falta de aplicativos nativos.
Por que isso importa agora?
O vazamento reacende o debate sobre sistemas operacionais alternativos e integração total com o Windows 11. Para entusiastas de hardware, é uma chance de testar recursos que ficaram no papel, como a execução de apps UWP adaptados a duas telas e notificações sincronizadas em tempo real com o PC. Para quem joga em cloud, por exemplo, o layout em tela dupla pode transformar o display inferior em controle dedicado, liberando a parte superior apenas para a ação.
Android x Andromeda: o duelo de especificações
- Multitarefa: O Android do Duo divide dois apps diferentes; o Andromeda pretendia fundir janelas ou estender o mesmo app, a la Windows Snap.
- Integração com Windows: No Android, você depende do app “Vincular ao Celular”; no Andromeda, a sinergia seria nativa, incluindo Continuum para exibir o smartphone como PC via USB-C.
- Suporte a caneta: Ambos suportam a Surface Slim Pen, vendida no Brasil. A diferença é que o Andromeda possuía APIs dedicadas para anotações persistentes, similares ao OneNote em desktop.
Como instalar (e os riscos envolvidos)
A instalação não é para iniciantes. Os passos incluem:
- Baixar a imagem FFU vazada (cerca de 1,5 GB) em um PC com Windows.
- Clonar o repositório do desenvolvedor Gustave Monce no GitHub para obter drivers proprietários do Duo.
- Desbloquear o bootloader do Surface Duo e iniciar o
flash.ffuvia linha de comando. - Reiniciar e aguardar o primeiro boot — que pode levar até 15 minutos.
Atenção: o processo formata todo o dispositivo, remove o Android e ainda não há drivers estáveis de câmera e modem. Ou seja, a experiência é puramente experimental.
Imagem: Internet
Impacto para o mercado de dobráveis
O ressurgimento do Andromeda mostra que há espaço para experiências de software feitas sob medida para telas dobráveis. Enquanto Samsung, Google e Motorola refinam o Android, a Microsoft tinha em mãos uma solução proprietária que poderia diferenciar o Surface Duo de rivais como Galaxy Z Fold 5 e Pixel Fold. Se a comunidade conseguir estabilizar a build, veremos comparativos lado a lado — algo valioso para quem pensa em investir em um dobrável premium.
Vale a pena testar?
Para a maioria dos usuários, a resposta é não: você perderá apps essenciais e corre risco de brickar o aparelho. Contudo, se você é desenvolvedor, colecionador de tecnologia ou simplesmente apaixonado pelo legado do Windows Phone, o Andromeda OS é uma peça de museu viva. E, quem sabe, sinal verde para a Microsoft revisitar a ideia de um Windows voltado ao mobile no futuro.
No mínimo, o renascimento do Andromeda reforça o apelo do Surface Duo como gadget de nicho — e lembra que, em tecnologia, projetos descartados podem voltar com força quando a comunidade coloca a mão na massa.
Com informações de Mundo Conectado