O temido derretimento do conector de energia 12V-2×6 (popularmente conhecido como 12VHPWR) acaba de ganhar um novo capítulo — desta vez envolvendo uma GeForce RTX 5090 Gigabyte Aorus Master. O proprietário da placa relatou, em um fórum internacional de entusiastas, que o calor excessivo não só destruiu os pinos do cabo marcado para 600 W, como também carbonizou o conector da própria fonte de alimentação, inutilizando cabos reservas e colocando todo o sistema em risco.
O que aconteceu no caso mais recente?
Segundo o depoimento, o PC era relativamente novo, contava com uma PSU de última geração com certificação ATX 3.1 e uso padrão — nada de overclock extremo ou adaptações improvisadas. Mesmo assim, os terminais metálicos apresentaram coloração escura e o plástico derreteu, solidificando dentro da fonte e causando curto-circuito instantâneo.
Por que o 12V-2×6 continua problemático?
O conector de 16 pinos surgiu para simplificar cabos e entregar até 600 W em um único plugue. A revisão 12V-2×6, lançada após os casos de RTX 4090, encurtou os pinos de detecção (sense pins) para evitar encaixes incompletos. Mesmo assim, analistas apontam três fatores que ainda favorecem falhas:
- Tolerância tênue: GPUs como a RTX 5090 podem puxar 550–600 W em picos rápidos, deixando pouca folga térmica.
- Flexão do cabo: dobrar o fio próximo ao conector aumenta a resistência elétrica e gera calor nas trilhas internas.
- Qualidade variável: nem todo cabo “600 W” usa ligas metálicas ou soldas de alto padrão; pequenas diferenças elevam a temperatura.
Há precedentes com a série RTX 4000
Embora mais raro hoje, relatos de derretimento ainda aparecem em RTX 4090 e agora em 5090, inclusive em cenários abaixo de 400 W. Isso reforça a hipótese de que não se trata apenas de overclock ou PSU subdimensionada, mas sim de uma combinação de montagem, material e carga de pico.
Comparativo rápido: Nvidia x AMD
Enquanto a Nvidia adotou o 12VHPWR em todas as suas placas topo de linha desde 2022, a concorrente AMD manteve até três conectores de 8 pinos tradicionais nas GPUs RDNA 3, limitando o consumo a ~450 W. O método antigo exige mais espaço na carcaça, mas distribui a corrente por mais pinos, reduzindo a densidade de calor em um único ponto.
Como minimizar o risco no seu setup
Para quem já investiu ou planeja investir em GPUs de 500 W ou mais, especialistas sugerem boas práticas que não invalidam a garantia:
Imagem: William R
- Usar fontes ATX 3.1 de marcas reconhecidas, com cabos nativos 12V-2×6 e fios de bitola 16 AWG.
- Evitar dobras acentuadas nos primeiros 4 cm do cabo; idealmente, manter uma curvatura suave acima da placa.
- Verificar o encaixe até ouvir/ sentir o clique; conectores frouxos elevam a resistência em milissegundos de pico.
- Monitorar picos de consumo via softwares como HWiNFO ou MSI Afterburner; limitar power target em jogos pouco exigentes pode reduzir estresse térmico.
O impacto prático para quem joga e trabalha
A RTX 5090 é hoje a GPU mais rápida do mercado para ray tracing e IA generativa, entregando mais de 200 fps em 4K em diversos títulos. Contudo, o usuário que busca esse desempenho extremo deve equilibrar o investimento em placas, fonte e gabinete espaçoso — itens já disponíveis no varejo brasileiro, inclusive em kits que trazem cabos reforçados ou adaptadores angulados.
Enquanto a Nvidia não anuncia uma solução definitiva — como uma revisão física adicional ou limite de TDP —, a decisão de upgrade exige atenção redobrada na escolha da PSU. Modelos como as linhas Corsair RMx Shift, Seasonic Vertex e Cooler Master V2 trazem cabos 12V-2×6 certificados de fábrica, sinalizando um caminho mais seguro para quem já mira a próxima leva de GPUs.
No final das contas, o incidente reflete uma fase de transição na alimentação elétrica dos PCs de alto desempenho. Para o usuário entusiasta, manter boas práticas de montagem e monitoramento continua sendo a melhor blindagem contra prejuízos que podem chegar a milhares de reais.
Com informações de Hardware.com.br