Você já se pegou imaginando ganhar ingressos VIP, camisas autografadas ou até sair na foto oficial da temporada do seu clube do coração apenas por segurar algumas moedas virtuais? Essa é a promessa dos fan tokens, ativos criados em blockchain que viraram febre entre torcedores de futebol – e motivo de debate entre investidores. Afinal, vale a pena colocar dinheiro nesse tipo de token utilitário? Conversamos com a especialista Marina Fuzeti Fagali, Head de Comunicação & Corporate Affairs do Grupo Chiliz Brasil, para entender se a euforia faz sentido no curto e no longo prazo.
O que, afinal, é um fan token?
Na essência, um fan token é um utility token: ele existe na blockchain Chiliz (CHZ) e dá acesso a benefícios dentro do app Socios.com. Ao contrário de uma ação de clube ou de uma criptomoeda pura, o fan token funciona como “senha” para experiências: votações em decisões de bastidores, brindes exclusivos e programas de fidelidade gamificados. O torcedor troca suas interações por pontos e, com eles, resgata recompensas – de descontos em produtos a viagens com o elenco.
Dinheiro, amor e glória: o triângulo que move o torcedor-investidor
Para Marina, o engajamento acontece quando esses três pilares se encontram:
- Dinheiro: a possibilidade de staking e negociação em exchanges pode gerar lucro (ou prejuízo) como em qualquer criptoativo.
- Amor: a conexão emocional com o clube torna a compra do token quase “obrigatória” para quem vive a camisa 24/7.
- Glória: status de participar de decisões e viver experiências que 99 % da torcida nunca terá.
“Quando o torcedor percebe que pode deixar de ser espectador passivo e passar a influenciar, ele paga pelo sentimento de pertencimento”, resume a executiva.
Rentabilidade: mito ou oportunidade?
Embora exista potencial de valorização, os fan tokens são altamente voláteis. Levantamento do site CoinMarketCap mostra oscilações semanais de dois dígitos, superiores às de Bitcoin e Ethereum no mesmo período. Além disso, não há garantia de liquidez: caso o volume de negociação caia, o investidor pode ficar “preso” ao ativo.
Por outro lado, quem faz staking no aplicativo recebe pontos convertidos em experiências. Essa “renda” não vem em dinheiro, mas em benefícios tangíveis (ingressos, viagens, itens colecionáveis). É como um Tesouro Direto emocional: você trava o token e, em vez de juros, ganha vivências únicas.
Comparativo rápido: fan token x outras criptos e NFTs
Fan token
– Valor atrelado à popularidade do clube e a campanhas de marketing.
– Gera utilidade imediata (voto, desconto, experiências).
– Pouco correlacionado a avanços tecnológicos da blockchain.
Bitcoin / Ethereum
– Focados em reserva de valor (BTC) e contratos inteligentes (ETH).
– Alta liquidez global e aceitação crescente.
– Não oferecem benefícios “emocionais” diretos.
NFTs esportivos
– Colecionáveis digitais únicos, mais voltados a memorabilia.
– Preço depende de escassez e demanda de colecionadores.
– Não necessariamente dão poder de voto ou benefícios no clube.
Imagem: Corinthians
Riscos que o torcedor não pode ignorar
• Regulação incipiente: o Banco Central brasileiro começa a olhar para criptoativos, mas ainda não há norma específica para tokens de torcida.
• Alta volatilidade: resultados de campo, trocas de patrocinador e crises de gestão do clube impactam o preço.
• Concentração de oferta: poucas carteiras podem deter grande volume de tokens, gerando desequilíbrio em votações.
• Segurança digital: perder a chave privada significa perder o ativo para sempre.
Dica de especialista: proteja seu investimento como um gamer protege seus saves
A melhor prática de segurança cripto é armazenar tokens em uma hardware wallet. Dispositivos como o Ledger Nano S Plus (compatível com CHZ e ERC-20) custam menos que um ingresso de arquibancada especial e evitam dores de cabeça com hacks. Se você interage muito no Socios.com pelo celular, vale investir em um smartphone com 120 Hz para aproveitar a experiência sem travamentos.
Vale a pena comprar fan token?
Se o seu objetivo é lucro financeiro puro, talvez existam ativos cripto mais previsíveis e líquidos. Mas, se você busca experiências exclusivas, contato direto com o clube e o sabor de “fazer parte”, o fan token pode ser atraente – desde que o investimento caiba no bolso e você aceite o risco de mercado.
Em vez de destinar todo o orçamento de investimentos, especialistas sugerem alocar uma pequena fatia da carteira de cripto (1 % a 3 %) em tokens de torcida. Assim, você participa do ecossistema sem comprometer a saúde financeira se o time enfrentar uma fase ruim — dentro ou fora de campo.
No fim das contas, dinheiro, amor e glória continuam sendo o combustível da relação entre torcedor e clube. A blockchain apenas digitalizou essa paixão. Cabe a você decidir até que ponto quer transformar emoção em ativo – e vice-versa.
Com informações de Olhar Digital