Lançado em maio de 2023 como a grande aposta cooperativa da Arkane Austin, Redfall ficou marcado por bugs, sistema always-online e IA problemática — falhas que empurraram o estúdio para o fechamento definitivo. Um ano depois, porém, o diretor Harvey Smith defende que tudo poderia ter sido diferente caso o jogo tivesse estreado já na versão 1.4, disponibilizada somente em maio de 2024.
O que mudou no update 1.4?
A atualização final acrescentou três pilares que a comunidade pedia desde o dia 1:
- Modo offline completo — tornou possível jogar campanhas solo sem conexão, algo obrigatório para quem viaja ou tem internet instável.
- Sistema de progressão repaginado — níveis de vampiros e recompensas mais transparentes, inspirados em modelos de sucesso como Destiny 2.
- Encontros e IA reequilibrados — chefes mais desafiadores e menos “apagados”, gerando combates dignos da assinatura Arkane.
Além disso, o patch trouxe otimizações de performance que reduziram travamentos em CPUs de 6 núcleos e GPUs equivalentes a uma GeForce RTX 3060, patamar que hoje pode ser encontrado facilmente nas promoções de placas de vídeo.
“Se tivéssemos lançado assim, a história seria outra”
No podcast My Perfect Console, Smith contou que a build 1.4 refletia “a verdadeira visão” do time. Para ele, lançar o FPS naquelas condições teria dado tempo para lapidar funcionalidades com futuros DLCs, no melhor estilo “jogo como serviço” que triunfou em títulos como No Man’s Sky ou Cyberpunk 2077 2.0.
“Foi um choque”, lembra o diretor sobre o anúncio de encerramento da Arkane Austin pela Microsoft. Segundo relatos internos, boa parte da equipe vinha de experiências single-player (Dishonored, Prey) e foi alocada num projeto multiplayer sem a maturidade de infraestrutura on-line.
Comparativo rápido: Redfall 1.0 vs. Redfall 1.4
Redfall 1.0 (2023)
- Obrigatório ficar conectado
- Progressão confusa e recompensas repetitivas
- FPS instável em 1080p/60 fps com placas da série GTX 16
- Revisão “Muito Negativas” na Steam
Redfall 1.4 (2024)
Imagem: Internet
- Offline liberado e matchmaking opcional
- Árvore de habilidades expandida e loot relevante
- 60 fps estáveis até em GPUs mainstream atuais (RTX 3060 / RX 6600)
- Avaliações subiram para “Neutras”, mas número de jogadores já era baixo
Projeto Blade Runner e o futuro incerto
Smith também revelou que a Arkane Austin trabalhava em um jogo ambientado no universo de Blade Runner. O cancelamento engavetou a chance de vermos outro imersive sim de ficção científica com DNA Arkane — um nicho que poderia se beneficiar dos avanços gráficos prometidos por GPUs da geração NVIDIA RTX 40 e AMD RX 7000, especialmente com ray tracing de neon característico do filme.
Por que isso importa para o gamer de PC?
A trajetória de Redfall reforça duas lições valiosas para quem monta ou atualiza seu setup:
- Lançamentos podem amadurecer — escolher hardware pensando em longevidade (ex.: 16 GB de RAM, SSD NVMe e GPU com 12 GB) garante espaço para atualizações redentoras.
- Always-online não é tendência imutável — desenvolvedoras começam a voltar atrás quando a base de jogadores reclama, o que torna crucial analisar requisitos de conexão antes de investir em periféricos para multiplayer.
No fim, Redfall virou estudo de caso: um patch bem-calibrado pode levantar um título tecnicamente promissor, mas lançar certo na primeira vez segue sendo o “headshot” que todo estúdio precisa.
Com informações de Adrenaline