A Micron, uma das três gigantes que dominam a produção mundial de chips de memória, trouxe boas e más notícias na sua primeira conferência de resultados desde que aposentou a marca de varejo Crucial. O lado bom (para ela): receita recorde de US$ 13,64 bilhões no 1º trimestre fiscal de 2026, impulsionada pela corrida dos data centers de Inteligência Artificial. O lado ruim (para nós, consumidores): a empresa admite que a escassez de DRAM deve persistir além de 2026, mesmo com expansão de fábricas nos EUA.
Por que a DRAM está sumindo do mapa?
Duas forças jogam contra o estoque de RAM na prateleira:
- Explosão da IA generativa: cada servidor de IA usa até 8× mais memória que um servidor tradicional. Isso suga DDR5 e, principalmente, os caríssimos pacotes HBM (High Bandwidth Memory) usados em GPUs de data center.
- HBM x DDR5: fabricar HBM consome, segundo a Micron, “três vezes mais área de wafer” que a DRAM convencional. Ou seja, o mesmo pedaço de silício que viraria três módulos DDR5 agora vira um único empilhado HBM — e o restante do ecossistema fica sem espaço.
O que a Micron está fazendo (e por que ainda não será suficiente)
Para não perder a onda da IA, a companhia acelera duas novas fábricas em Idaho, com produção prevista para 2027, e outra em Nova York, cujo início de operações deve ficar para 2030. Mesmo assim, o CEO Sanjay Mehrotra confessa que, no auge da expansão, a Micron só deve entregar “de 50 % a 66 % da demanda” dos principais clientes. Resultado: contratos plurianuais já estão sendo fechados para garantir cada chip.
Impacto no seu bolso: DDR5 segue valorizada
Desde meados de 2023, as memórias DDR5 de 16 GB e 32 GB dobraram de preço no mercado internacional — e o efeito já bateu no varejo brasileiro. Quem montou PC antes da pandemia lembra de kits DDR4 3200 MHz caindo para menos de R$ 300; hoje, DDR5 6000 MHz de 32 GB não sai por menos de quatro dígitos. E, se a previsão da Micron se cumprir, o cenário de oferta curta e preços altos deve se estender até 2027.
Comparativo rápido: DDR4 vs. DDR5 vs. HBM
DDR4: ainda domina a base instalada, ótimo custo/benefício para quem usa Intel 10ª/11ª gen ou Ryzen 5000. A escassez é menor, então os preços subiram pouco.
DDR5: largura de banda até 2× maior que a DDR4, essencial para CPUs Intel 14ª gen e AMD Ryzen 7000. Sofre diretamente com a falta de wafer.
HBM3/3E: peça-chave em GPUs como NVIDIA H200 e MI300X da AMD; capacidade de 1 TB/s por pilha, mas custa até 8× o preço da DDR5 por GB.
Imagem: Internet
Vale a pena antecipar o upgrade?
Se o seu setup ainda roda bem em DDR4, você pode postergar a troca e aproveitar promoções pontuais. Porém, quem planeja migrar para plataformas LGA 1700/1851 ou AM5 deve monitorar estoques de DDR5 — quanto mais perto do lançamento das RTX 5000 ou CPUs Zen 5C, maior a disputa por chips de memória.
Dica de observação: no início de cada trimestre, varejistas costumam receber lotes novos; se encontrar feijão DDR5 a preço de arroz, não hesite muito. A lei da oferta e demanda seguirá ditando o ritmo.
Próximos passos da indústria
Além de Micron, SK hynix e Samsung também correm para ampliar fábricas e migrar para nós de 1β nm, mais eficientes. Mesmo assim, analistas do TrendForce projetam que o TAM de HBM chegará a US$ 100 bilhões em 2028— mais que todo o mercado global de DRAM em 2024. Em outras palavras, a guerra por cada gigabyte está só começando.
Para nós, entusiastas de hardware, o recado é claro: acompanhe de perto a flutuação dos preços e mantenha seu radar de ofertas sempre ligado. Quem se planejar garantirá módulos de qualidade antes que o próximo salto de preço aconteça.
Com informações de Adrenaline
