A ASUS, referência global em placas-mãe, notebooks gamer e aclamada linha ROG Phone, foi alvo de um ataque de ransomware que resultou no roubo de mais de 1 TB de dados internos. O grupo Everest, que assumiu a autoria, publicou na dark web amostras de código-fonte, SDKs de câmera e ferramentas de teste que compõem o coração dos recursos fotográficos da série gamer de smartphones da marca.
O que foi levado pelo grupo Everest
Nos posts divulgados em 2 de dezembro de 2025, o grupo exibiu:
- SDKs completos dos ROG Phone 5, 6 e 7;
- Patches inéditos para chipsets Qualcomm Snapdragon ainda não lançados;
- Logs de calibração de câmera registrados em cidades como Toronto e Chicago;
- Dumps de memória, scripts de pós-processamento de imagem, modos Super Night e HDR;
- Protótipos de aplicativos internos nunca disponibilizados ao público.
Os criminosos deram 21 horas para que a ASUS negociasse via Qtox, sem especificar o valor do resgate.
ASUS confirma, mas minimiza o impacto
Em comunicado oficial, a companhia afirma que o incidente “se limita a um fornecedor da cadeia de suprimentos” e que “nenhum dado de usuário ou sistema de produção foi comprometido”. A empresa diz tratar-se de código ligado ao processamento de imagem dos smartphones e não a firmware ou servidores que distribuem atualizações OTA, tentando afastar o fantasma do caso ShadowHammer de 2019, quando atualizações corrompidas infectaram milhares de PCs.
Por que isso importa para quem joga (e fotografa) no celular
Desempenho e câmera são pilares da linha ROG Phone – aparelhos famosos por telas de 165 Hz, gatilhos ultrassônicos e acessórios modulares, muitos deles vendidos na Amazon ao lado de mouses e teclados da família ROG. O vazamento ameaça dois pontos críticos:
- Propriedade intelectual. Algoritmos de pós-processamento de imagem são caros de desenvolver e diferenciam a ASUS na briga com Samsung, Xiaomi e Apple. Se caem em mãos rivais, parte dessa vantagem se perde.
- Segurança de firmware. Com código-fonte público, aumenta o risco de ROMs modificadas mal-intencionadas, capazes de inserir malwares ou mineradores de criptomoeda sem que o usuário perceba – algo que afeta diretamente quem compra acessórios premium para extrair cada fps do hardware.
Comparação com casos anteriores
Vazamentos desse porte já sacudiram outras gigantes: a NVIDIA teve drivers e projetos de GPU expostos em 2022; a Gigabyte, 160 GB de firmware em 2023. No caso da ASUS, o impacto é potencialmente maior para o ecossistema móvel, pois envolve parceiros como Qualcomm e ArcSoft, cujas bibliotecas de IA de imagem também podem ter sido comprometidas.
Imagem: William R
Existe risco imediato para donos do ROG Phone?
Até o momento, não há relato de comprometimento de servidores de atualização. Se você já possui um ROG Phone, mantenha:
- O aparelho atualizado apenas pelo canal oficial;
- Bootloader bloqueado, caso não instale ROMs de terceiros;
- Antivírus de confiança monitorando APKs baixadas fora da Play Store.
O que observar nos próximos meses
• Atualizações de segurança: a ASUS deve acelerar pacotes de patch para blindar possíveis brechas recém-expostas.
• Preço de acessórios: qualquer abalo de reputação pode impactar estoque e promoções nos gatilhos Kunai, docks e até mouses ROG compatíveis vendidos via Amazon.
• Movimentação de mercado: concorrentes podem aproveitar para lançar opções com foco em foto e streaming de jogos, reforçando agressivamente marketing em cima de “segurança de dados”.
Embora a ameaça seja séria, especialistas apontam que o vazamento de câmeras não implica, necessariamente, acesso direto a dados pessoais. Ainda assim, fica a lição: mesmo marcas consagradas estão vulneráveis. Para o consumidor entusiasta, vale ficar de olho nas próximas atualizações de firmware e acompanhar se a ASUS conseguirá conter a sangria antes que segredos fundamentais da sua linha gamer se tornem commodity para o restante da indústria.
Com informações de hardware.com.br