Depois de anunciar que todos os celulares vendidos no país teriam, obrigatoriamente, o aplicativo governamental Sanchar Saathi instalado de fábrica, o governo da Índia voltou atrás. A decisão acontece poucos dias após gigantes como Apple e Samsung sinalizarem que não atenderiam à ordem.
Por que o Sanchar Saathi causou controvérsia?
Lançado em janeiro, o Sanchar Saathi promete bloqueio remoto de aparelhos perdidos ou roubados por meio do registro do IMEI em um banco de dados oficial. O app soma 14 milhões de downloads, segundo o TechCrunch, mas a imposição de pré-instalação levantou preocupações sobre coleta de dados e possíveis acessos não autorizados às informações dos usuários.
O que mudou na prática?
Em nota, o Ministério das Comunicações da Índia informou que, devido à “aceitação crescente” do aplicativo, a instalação passará a ser opcional. Ou seja, fica nas mãos do usuário decidir se quer ou não usar o serviço — modelo semelhante ao de soluções já conhecidas, como Find My (Apple) ou Encontrar Meu Dispositivo (Google).
Impacto para fabricantes e consumidores
Para quem fabrica smartphones, a mudança elimina o risco de atrasar linhas de produção ou enfrentar processos de certificação específicos para o mercado indiano. Para o consumidor, o recuo preserva a liberdade de escolha e reforça a importância de comparar, antes da compra, quais recursos de segurança cada modelo oferece de forma nativa.
Recursos de segurança: onde seu próximo celular se encaixa?
Modelos como o iPhone 15 ou o Samsung Galaxy S24, já disponíveis no Brasil, contam com criptografia ponta a ponta, autenticação biométrica avançada e integração a redes de busca offline por Bluetooth. Em aparelhos intermediários, vale conferir se há:
- Bloqueio remoto via conta Google ou Apple;
- Criptografia de dados em repouso;
- Atualizações de segurança garantidas por, no mínimo, três anos;
- Compatibilidade com eSIM, que dificulta clonagem do chip em caso de perda.
Essas especificações costumam aparecer nas fichas técnicas das páginas de produto na Amazon. Atenção especial a processadores com Secure Enclave (Apple), Knox Vault (Samsung) ou módulos TPM integrados em chips Snapdragon de última geração — todos voltados a reforçar a proteção de chaves criptográficas e credenciais.
Imagem: Mikael Markander
O que observar nas próximas compras
A polêmica do Sanchar Saathi serve de alerta: antes de investir em um novo smartphone ou tablet, avalie como o fabricante lida com privacidade, se o sistema conta com bloqueio por IMEI no próprio portal de suporte e se o ciclo de atualizações de segurança está alinhado ao tempo que você pretende ficar com o dispositivo.
No fim do dia, ter a liberdade de optar por um app governamental — e não recebê-lo pré-instalado sem consentimento — reforça a postura pró-privacidade que usuários exigem cada vez mais. E isso deve pesar na balança na hora de escolher seu próximo gadget.
Com informações de Computerworld