Quase 9 milhões de mulheres brasileiras foram alvos de violência digital nos últimos 12 meses. O número, revelado pela Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (Datasenado/Nexus), evidencia que a misoginia migrou de vez para as telas e já faz parte da rotina de boa parte das usuárias de redes sociais, apps de mensagens e jogos on-line.
O que a pesquisa descobriu
Foram mais de 21 mil entrevistas em todos os estados. Entre os principais tipos de agressão relatados estão:
- Mensagens ofensivas e ameaças recorrentes;
- Invasão de contas e dispositivos pessoais;
- Exposição de dados privados e deepfakes com conteúdo sexual;
- Divulgação de fake news para difamar a vítima.
Ao todo, 10 % das brasileiras adultas sofreram ao menos um desses ataques entre 2023 e 2024.
Por que o problema cresceu tanto?
Especialistas do Observatório da Mulher contra a Violência explicam que o anonimato, a facilidade de criar contas descartáveis e a lenta responsabilização judicial alimentam a sensação de impunidade. Além disso, ferramentas de inteligência artificial generativa — hoje populares e baratas — tornaram trivial produzir montagens falsas em poucos cliques.
Impacto real: quando o ataque virtual vira medo offline
O estudo traz depoimentos que ilustram essa escalada. Uma jovem de 22 anos, perseguida desde 2022, passou a receber ameaças diárias de estupro e morte, além de “entregas fantasma” no endereço particular. “É limitador. Você tem medo de postar, de sair, de ser vista”, diz a vítima.
Como se proteger agora — soluções práticas (e acessíveis) que fazem diferença
Denunciar é essencial, mas a prevenção começa no próprio dispositivo. Abaixo, reunimos boas práticas, explicando por que cada item faz sentido — e quais equipamentos podem ajudar.
1. Dupla autenticação sem dor de cabeça
Dependendo apenas de SMS ou e-mail, a conta ainda é vulnerável. Chaves de segurança físicas como a Yubico YubiKey 5 NFC ou o Google Titan Security Key adicionam um segundo fator inviolável. A YubiKey, por exemplo, é compatível com NFC — basta encostar no celular — enquanto o modelo Titan traz Bluetooth Low Energy para quem alterna entre gadgets.
2. Webcam com tampa integrada
A velha fita isolante já quebrou o galho, mas há webcams 1080p com shutter mecânico deslizante (procure por marcas como Logitech e NexiGo). Além de melhorar a qualidade em videoconferências, você bloqueia fisicamente a lente quando não está em uso.
Imagem: fizkes
3. Roteador com VPN embarcada
Modelos de roteadores Wi-Fi 6, como o TP-Link Archer AX50, agora incluem servidor VPN nativo. Com alguns cliques, todo o tráfego da casa é criptografado, dificultando interceptações.
4. Antivírus com detecção de phishing em tempo real
Soluções pagas como Kaspersky Premium Security ou Bitdefender Total Security oferecem sandbox para anexos suspeitos e alertas de vazamento de senha no dark web, recursos ausentes em softwares gratuitos.
Quando e onde denunciar
Qualquer delegacia da Polícia Civil recebe registros de crimes virtuais. Em muitos estados, há Delegacias da Mulher ou Núcleos de Crimes Digitais. Pela internet, é possível acionar a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (Safernet). Já o telefone Ligue 180 funciona 24 h com atendimento especializado.
Educação digital também é hardware humano
A pesquisa reforça a importância de ensinar meninos, desde cedo, que por trás de cada @ existe uma pessoa. Tecnologia sem cultura de respeito vira arma. Ao mesmo tempo, investir em ferramentas de segurança — muitas delas a poucos cliques na Amazon — diminui a superfície de ataque e dá tranquilidade para ninguém precisar abandonar a internet.
No fim das contas, blindar sua vida online é combinação de atitude, denúncia e bons gadgets. A estatística de 1 a cada 10 brasileiras precisa cair, e a responsabilidade é de todos nós: usuários, plataformas, autoridades — e também do hardware que escolhemos para nos conectar.
Com informações de Olhar Digital