Se você acha que a GeForce RTX 4090 já era sinônimo de consumo exagerado, espere até conhecer o que o overclocker alemão Roman “Der8auer” Hartung conseguiu fazer com a ASUS ROG Matrix GeForce RTX 5090. Em um experimento de bancada, a placa chegou a sugar cerca de 750 W atravessando apenas um conector 12V-2×6 — bem acima dos 675 W definidos como faixa “segura” pela especificação.
O truque por trás do recorde
A ROG Matrix implementa um sistema de alimentação duplo: o habitual 12V-2×6 na frente e um conector traseiro BTF (Back To the Future), pensado para dividir a carga elétrica. O firmware libera um teto de até 800 W quando ambos estão ativos.
Der8auer, contudo, preferiu “enganar” a placa. Ele removeu o adaptador BTF, mapeou os pinos de detecção e fechou manualmente os contatos que sinalizam a presença do segundo cabo. Resultado: o BIOS passou a considerar o caminho traseiro como conectado, mas toda a corrente continuou fluindo só pelo 12V-2×6.
LED vermelho, cabo quente e lições de engenharia
Nos testes de estresse, o consumo estacionou perto dos 750 W. O LED de status do conector ficou vermelho, indicando sobrecarga, e o cabo esquentou a ponto de ser desconfortável ao toque. Embora nada tenha derretido — e isso mostre a robustez do novo padrão — ficou claro que este não é um cenário de uso contínuo recomendado.
12V-2×6 x 12VHPWR: evolução necessária
O 12V-2×6 é a revisão do polêmico 12VHPWR que equipou as RTX 40. A mudança melhora o contato elétrico e deixa a fixação mais firme, reduzindo os casos de mau encaixe que chegavam a carbonizar cabos em 2022. Ainda assim, a própria PCI-SIG lista 675 W como teto ideal — ou seja, Der8auer extrapolou em ~11%.
Comparação rápida: RTX 4090 x RTX 5090
- RTX 4090 Founders Edition: TDP de 450 W, pico observado em ~600 W em overclock.
- RTX 5090 ROG Matrix (stock): TDP previsto de 600 W usando 12V-2×6 + BTF.
- RTX 5090 ROG Matrix (mod de Der8auer): ~750 W em um único 12V-2×6.
Em outras palavras, mesmo a 750 W, a nova placa já entrega algo em torno de 1,6× o consumo da RTX 4090 sem explodir — um indicativo de que a margem foi projetada com folga.
O que isso significa para o seu setup gamer?
Para quem pensa em montar (ou atualizar) um PC com GPUs da próxima geração, ficam três recados:
Imagem: William R
- Fonte dimensionada: fontes ATX 3.1 acima de 1000 W começam a virar requisito prático, especialmente se você usa processadores topo de linha como o Intel Core i9-14900K ou Ryzen 9 7950X.
- Cabo e encaixe contam muito: mesmo com o 12V-2×6 mais estável, encaixar completamente, evitar dobras extremas nos primeiros 3 cm e usar cabos certificados são cuidados que continuam valendo ouro.
- BTF não é enfeite: o conector traseiro da ASUS redistribui a corrente e reduz o estresse térmico. Se sua placa-mãe suportar o padrão, usar ambos os cabos provavelmente prolongará a vida útil dos terminais.
Por que a ASUS aposta no BTF
Do ponto de vista de engenharia, dividir 800 W em dois caminhos elétricos diminui a densidade de corrente, o aquecimento dos pinos e a chance de perda de contato. Além disso, o BTF deixa a frente da placa mais limpa, favorecendo o fluxo de ar e a estética em gabinetes clean.
Vale tentar em casa?
A resposta curta é não. O experimento serve para mapear limites, não para uso cotidiano. A longo prazo, operar acima da especificação pode degradar terminais, derreter isolantes e até danificar a placa — um prejuízo que supera qualquer ganho marginal de desempenho.
No fim das contas, o teste de Der8auer prova que o 12V-2×6 é mais resistente do que muitos imaginavam, mas também reforça o objetivo original do design da ASUS: 800 W foi pensado para dois cabos, não para um só. Se você pretende investir na futura RTX 5090, acompanhe as recomendações de cabos, fontes e placas-mãe compatíveis para garantir potência sem sustos.
Com informações de Hardware.com.br