Uma possível reaproximação histórica está ganhando força nos bastidores da indústria de semicondutores. Segundo o respeitado analista Ming-Chi Kuo, a Apple já estaria testando o processo Intel 18A para produzir os chips básicos da sua linha M-Series a partir de 2027. Se o cronograma se mantiver, poderemos ver MacBook Air e iPad Pro fabricados pela Intel novamente — algo que não acontece desde o fim da antiga parceria em 2023.
Por que a Apple olha para a Intel justo agora?
O principal motivo é reduzir a dependência da TSMC, atualmente responsável por todos os Apple Silicon. Ao diversificar a linha de produção, a Apple cria uma camada extra de segurança contra gargalos de suprimento, algo crucial diante de eventos como crises geopolíticas ou escassez de chips.
Além disso, a movimentação casa com os incentivos do governo norte-americano para que mais chips de ponta sejam feitos em solo dos EUA. As fábricas da Intel no Arizona, construídas sob o guarda-chuva do CHIPS and Science Act, são candidatas naturais a assumir o contrato.
Processo Intel 18A em foco: como ele se compara ao da TSMC?
• Intel 18A (≈ 1,8 nm): aposta em transistores RibbonFET (gate-all-around) e interconexões PowerVia, prometendo ganhos de até 10% em desempenho e 15% em eficiência energética frente ao 20A.
• TSMC N3E (≈ 3 nm): node atualmente usado nos chips M3 Pro/Max, com produção em massa já consolidada.
• Oportunidade para a Intel: se o 18A entregar o que promete, a Apple pode ter laptops finíssimos, maior autonomia de bateria e desempenho térmico ainda mais estável — características que brilham no MacBook Air.
O que muda para você, usuário de Mac ou iPad?
1. Mais estoque, menos fila: duas fundições fabricando o mesmo chip tendem a reduzir atrasos de lançamento e escassez nas lojas.
2. Eficiência energética aprimorada: se o 18A cumprir as metas, podemos esperar MacBooks de 15 h a 20 h de bateria em uso misto — excelente para estudantes e criadores de conteúdo em movimento.
3. Competição saudável: Intel e TSMC disputando o mesmo cliente de peso devem acelerar o avanço tecnológico e, no médio prazo, conter aumentos de preço.
De 2026 a 2027: os checkpoints dessa corrida
• T1 2026 – Apple recebe o design kit completo da Intel para validação final.
• T2/T3 2027 – Produção em volume dos chips M-Series de entrada.
• 15–20 milhões de unidades/ano – Projeção de MacBook Air e iPad Pro que poderiam embarcar o novo silício.
Imagem: Internet
Para a Intel, garantir a Apple como cliente âncora é um selo de maturidade para sua divisão de fundição, fundamental na estratégia “IDM 2.0”. Para a Apple, é a chance de testar um node teoricamente mais avançado sem abrir mão da TSMC nas linhas premium (iPhone e M3/M4 Pro).
Vale acompanhar de perto
Se confirmada, essa virada colocará a Intel novamente no centro do ecossistema Apple e poderá inspirar outros gigantes — Nvidia, Qualcomm e até a própria AMD — a olhar para o 18A como alternativa real. Para o consumidor final, a perspectiva é clara: mais performance por watt, dispositivos mais frios e disponibilidade ampliada.
Até lá, os holofotes ficam sobre o primeiro semestre de 2026, quando a Apple decidirá se a “volta da velha parceria” sai do papel. Nós seguiremos monitorando cada checkpoint para que você compre seu próximo notebook ou tablet com a melhor informação em mãos.
Com informações de Adrenaline