Depois de três anos apostando exclusivamente na TSMC para dar vida à família Apple Silicon, a Apple pode colocar a Intel novamente em sua linha de produção — mas, desta vez, apenas como fabricante. A previsão, revelada pelo conceituado analista Ming-Chi Kuo, aponta para um início de fornecimento entre o segundo e o terceiro trimestre de 2027, focado em chips M de entrada que equipariam MacBook Air e iPad Pro.
O que muda para você?
Se confirmado, o movimento pode significar:
- Mais disponibilidade de Macs e iPads em picos de demanda, graças à diversificação de fábricas;
- Possibilidade de preços mais estáveis, já que a Apple diminui o risco de gargalos logísticos concentrados em Taiwan;
- Chips potencialmente ainda mais eficientes, dado que o processo Intel 18A promete transistores do nível de 1,8 nm — um avanço frente ao N3E da TSMC usado hoje nos M3.
Por que a Intel?
O processo de 1,8 nm da Intel — batizado 18A — é a grande aposta da empresa para recuperar terreno perdido na corrida de litografia avançada. Com ele, a Intel espera entregar power delivery direto na traseira do wafer (a tecnologia PowerVia) e transistores Gate-All-Around (GAA), soluções que, no papel, podem render até 15% mais desempenho ou economizar 25% de energia frente à geração atual.
Para a Apple, o 18A é uma carta na manga: se a Intel provar consistência, a gigante de Cupertino ganha um segundo fornecedor em processos de ponta, algo que nenhum concorrente direto — nem Qualcomm, nem AMD — possui hoje.
TSMC continua peça-chave
A TSMC segue como principal fabricante dos chips M — inclusive dos modelos topo de linha que movem o MacBook Pro e o Mac Studio. A parcela que a Intel deve assumir é relativamente pequena (cerca de 20 milhões de unidades/ano), mas já seria suficiente para aliviar pressões geopolíticas e logísticas.
Made in USA e os incentivos do CHIPS Act
Produzir parte dos Apple Silicon em solo norte-americano encaixa como luva na agenda do CHIPS Act, programa do governo dos EUA que injeta bilhões em subsídios para semicondutores domésticos. Para a Apple, trata-se de reforçar sua imagem “patriótica” em um momento em que a companhia enfrenta escrutínio antitruste e pressões por diversificar sua cadeia fora da Ásia.
Imagem: William R
Impacto prático nos Macs de 2027
Se você planeja trocar de notebook ou tablet nos próximos anos, vale ficar de olho em alguns pontos:
- MacBook Air e iPad Pro de entrada tendem a ser os primeiros a ganhar os chips “fabricados pela Intel”. Esses dispositivos costumam ser os mais populares — e, potencialmente, os mais procurados em ofertas relâmpago na Amazon.
- A chegada de uma nova litografia pode resultar em baterias com maior autonomia sem sacrificar desempenho, ótima notícia para quem precisa de mobilidade.
- Ao aumentar a base de produção, a Apple pode lançar nesta faixa de preço recursos antes exclusivos dos modelos Pro, como suporte a múltiplos monitores ou codificadores de mídia mais potentes — um atrativo extra para criadores de conteúdo e gamers casuais.
Ainda um rumor, mas com credibilidade
Nem Apple nem Intel comentaram o suposto acordo. Tudo depende de a Intel provar que pode atingir o rendimento (yield), a eficiência energética e o volume que a Apple exige. Se a meta for cumprida, veremos uma reviravolta simbólica: a Apple, que trocou os processadores x86 da Intel pelos seus próprios ARM em 2020, teria a antiga parceira como manufatureira — e não mais como designer de CPUs.
Para os entusiastas, é mais um capítulo na corrida pela litografia de ponta. Para quem está de olho em upgrades, significa potencial para dispositivos mais frios, silenciosos e acessíveis lá em 2027 — um horizonte que já vai guiando listas de desejos e comparações de preços desde agora.
Com informações de Hardware.com.br