Comprar mídia física de jogos ainda é o caminho escolhido por muitos colecionadores — afinal, nada substitui o cheiro de caixa nova e aquele clique do Blu-ray deslizando no console. Porém, esse ritual pode virar pesadelo quando a embalagem selada esconde uma cópia pirata. Foi exatamente o que aconteceu com um jogador norte-americano que, empolgado pelo remaster de Horizon Zero Dawn para PlayStation 5, recebeu um simples CD gravável dentro de uma caixa aparentemente perfeita.
O caso que acendeu o alerta
O usuário doublerancor, do Reddit, relatou ter adquirido o título na Target, uma das maiores varejistas dos Estados Unidos. O primeiro sinal de que algo estava errado veio no momento em que ele chacoalhou a caixa e ouviu o disco batendo solto. Ao abrir o lacre, a surpresa: não havia um Blu-ray de PS5, e sim um CD comum com rótulo impresso em casa — arte levemente borrada, posicionamento desalinhado e brilho opaco, típicos de impressoras populares.
Mesmo assim, a embalagem era tão bem selada que enganaria a maioria dos consumidores e, aparentemente, o próprio controle de qualidade da loja. O golpe segue um roteiro conhecido: alguém compra o jogo original, retira o disco, repõe por uma mídia barata (ou até deixa a caixa vazia), plastifica novamente e devolve como se fosse novo. O produto volta ao estoque e o próximo comprador herda o problema.
Por que esse golpe se espalhou?
Varejistas de grande porte processam milhares de devoluções diárias. Nem sempre há equipe ou tempo hábil para abrir jogo por jogo e, assim, fraudes passam batidas. Tópicos semelhantes pipocaram no Reddit envolvendo não só a Target, mas também Walmart, Best Buy e marketplaces terceirizados, inclusive relatos no Brasil em marketplaces que revendem mídia física importada.
Impacto prático: prejuízo financeiro e frustração de quem coleciona
Além do gasto de tempo para conseguir reembolso, o comprador ainda pode ficar sem acesso imediato ao jogo, especialmente em lançamentos aguardados. Colecionadores de edições físicas são os mais atingidos: a tiragem inicial costuma esgotar rápido, e cada lote subsequente pode ficar mais caro — abrindo margem para picaretas lucrarem.
No caso específico de Horizon Zero Dawn Complete Edition para PS5, a nova versão traz texturas em 4K, 60 fps estáveis e carregamento ultra-rápido via SSD, vantagens que desaparecem se o disco for falso. Ou seja, além do prejuízo, o jogador perde os upgrades que justificam o remaster.
Imagem: William R
Como identificar uma cópia falsificada antes de acionar a loja
- Peso e som do disco: Blu-rays originais têm gramatura diferente de CDs comuns. Balance levemente; se movimentar demais, desconfie.
- Holograma e cor da face: A face leitora de um Blu-ray é azulada, enquanto CDs costumam ser prateados ou esverdeados.
- Fonte na lombada e na arte interna: Impressões caseiras revelam bordas serrilhadas ou cores lavadas. Compare com fotos oficiais no site da editora.
- Selos de classificação indicativa: No Brasil, o selo do Ministério da Justiça costuma ter relevo. Lá fora, o ESRB também usa verniz diferenciado.
- Selagem retrátil: Plásticos originais têm cantos firmes e lacre em tear strip; selos caseiros geralmente são folgados ou enrugam fácil.
Dicas para comprar mídia física com segurança
Mesmo que a edição digital seja cada vez mais comum — e muitas vezes mais barata em promoções da PS Store ou da Amazon (onde você recebe o código imediato por e-mail) —, quem valoriza estante cheia pode seguir algumas boas práticas:
- Prefira vendedores com logística própria: Quando possível, escolha “vendido e entregue por” em vez de terceiros no marketplace.
- Abra o produto na frente do entregador ou grave em vídeo: Prova visual acelera reembolso.
- Cheque avaliações recentes: Busque por termos como “falso”, “rasgado”, “vazio” nos comentários.
- Fique de olho no preço: Desconto muito agressivo em lançamento pode ser sinal de golpe.
- Considere versões com steelbook ou extras numerados: Itens de colecionador são mais difíceis (e caros) de falsificar.
Vale migrar para o digital?
Para jogadores que priorizam conveniência e segurança, códigos digitais vendidos em lojas confiáveis eliminam o risco de mídia falsificada e ainda liberam o jogo no ato, útil para quem tem internet rápida. A Sony já confirmou que quase 70% das vendas de jogos no PlayStation vêm do formato digital. No entanto, mídia física continua relevante para quem revende, coleciona ou evita ocupar o SSD interno — o PS5 vem com 825 GB brutos e, depois do sistema, sobram cerca de 667 GB.
No fim das contas, o caso do Horizon Zero Dawn deve servir de alerta. Comprar jogo lacrado não é garantia absoluta de autenticidade, mas seguir as checagens acima reduz drasticamente a chance de cair em golpes. E se a etiqueta de preço parecer boa demais para ser verdade, provavelmente é.
Com informações de Hardware.com.br