Um ex-diretor de segurança acaba de acender o alerta máximo sobre a Figure AI, startup de robótica avaliada em impressionantes € 39 bilhões e financiada por gigantes como Jeff Bezos, Microsoft e NVIDIA. Em ação judicial, Robert Gruendel afirma que o Figure 01 — humanoide estrela da companhia — teria demonstrado força suficiente para “esmagar um crânio humano” durante testes internos. A acusação reacende a discussão: a pressa em levar robôs potentes ao mercado está atropelando protocolos essenciais de segurança?
O que realmente aconteceu nos laboratórios da Figure AI
Segundo documentos apresentados ao tribunal da Califórnia, um dos protótipos conseguiu:
- Aplicar pressão capaz de fraturar um crânio humano em testes de aperto de mão;
- Cortar 0,6 cm de uma porta de geladeira de aço com um único movimento;
- Executar manobras sem as devidas rotinas de fail-safe (parada de emergência) quando sensores eram deliberadamente desconectados.
Gruendel conta que enviou relatórios pedindo limites menores de torque nos atuadores, redundância nos sensores de força e um botão de corte de energia em menos de 0,2 s. Em vez disso, diz ter sido demitido por “baixo desempenho” poucos dias depois.
Figure AI reage: “Acusações são infundadas”
A empresa se defende alegando que a dispensa do executivo ocorreu exclusivamente por metas não cumpridas. Em nota, a Figure AI garante seguir as normas ISO 10218 (segurança em robôs industriais) e ISO/TS 15066 (cobots), além de manter “compromisso inabalável” com a proteção de operadores humanos. O imbróglio, no entanto, não poderia surgir em pior hora: a startup planeja entregar 200 mil unidades do Figure 01 até 2029, mirando receitas superiores a € 9 bilhões.
Por que isso importa para você?
Mesmo que um humanoide industrial pareça distante da realidade de quem monta um setup gamer ou projeta drones com Arduino, o debate respinga em todo o ecossistema de hardware:
- Regulamentação em ritmo acelerado: se a força de um motor brushless ou de um servo MG996R já exige cuidado em projetos caseiros, imagine atuadores elétricos com centenas de newtons-metro operando ao lado de pessoas.
- IA e aprendizado de máquina: Figure, Tesla (Optimus) e Boston Dynamics dependem de redes neurais que evoluem “no campo”. Um glitch de software pode transformar eficiência em risco real.
- Mercado bilionário em jogo: relatórios do Morgan Stanley estimam que humanoides movimentarão dezenas de bilhões de dólares na próxima década, remodelando fábricas e armazéns — lugares onde muita gente sonha em ver sua GPU RTX ou CPU Ryzen rodando algoritmos de visão computacional.
Comparativo rápido: Figure 01 x Tesla Optimus x Boston Dynamics Atlas
Para dimensionar a potência envolvida, confira alguns números de referência:
| Modelo | Peso | Carga útil | Força de preensão |
|---|---|---|---|
| Figure 01 | ≈ 60 kg | ≈ 20 kg | Não divulgado (acusação cita força letal) |
| Tesla Optimus Gen 2 | ≈ 56 kg | ≈ 20 kg | ≈ 50 N por dedo |
| Boston Dynamics Atlas | ≈ 80 kg | Projeto demo – não focado em carga | Desconhecido (modelo de pesquisa) |
Observe que nenhuma dessas empresas publica integralmente o torque dos atuadores — informação crítica para avaliar o risco em caso de colisão ou falha de software.
O lado dos investidores: segurança “editada” nas apresentações?
Outro ponto delicado da ação envolve a suposta minimização de riscos em pitch decks a fundos de investimento. Gruendel diz ter preparado um roadmap robusto de mitigação, depois “enxugado” nas versões finais para soar mais otimista. Se comprovada, a prática pode configurar omissão de informações materiais — algo que reguladores financeiros não toleram.
Imagem: William R
Humanoides na sua rotina: ficção ou futuro próximo?
Empresas como Amazon, BMW e DHL já testam braços robóticos capazes de levantar pacotes de 20 kg com precisão milimétrica. A próxima fronteira é o robô bípedo multitarefa, capaz de manusear ferramentas ou reabastecer linhas de produção. A Figure AI aposta justamente nesse nicho, onde cada segundo de “downtime” custa caro e a pressão por produtividade é enorme.
Para o consumidor comum, a discussão reforça um aprendizado valioso: potência sem controle não é nada. Seja escolhendo uma parafusadeira sem fio, seja montando um braço robótico com motor de passo NEMA 17, blindar seu projeto com sensores, fusíveis e rotinas de segurança é tão importante quanto a ficha técnica.
Próximos capítulos
O caso segue na Justiça, e a Figure AI promete contestar “ponto a ponto” as alegações. Enquanto isso, especialistas pedem auditorias independentes, testes em câmaras de segurança e transparência sobre limites de força. A corrida pelos humanoides pode até ser inevitável, mas a confiança do mercado — e a integridade física de quem trabalha ao lado dessas máquinas — depende de protocolos claros e publicamente auditáveis.
Se a startup conseguir provar que seus robôs são realmente seguros, terá vantagem estratégica gigantesca diante de concorrentes como Tesla, Agility Robotics e Boston Dynamics. Caso contrário, corre risco de ver um investimento de bilhões evaporar tão rápido quanto um overclock malfeita em dia de calor.
Com informações de Hardware.com.br