Um recurso pensado para facilitar a vida de quem faz videochamadas virou arma de cibercriminosos. O compartilhamento de tela do WhatsApp está sendo explorado em um esquema que já causou prejuízos de até US$ 700 mil em diferentes países. Ao convencer a vítima a exibir o display do celular – e, em alguns casos, instalar apps de acesso remoto como AnyDesk ou TeamViewer – os golpistas passam a enxergar senhas, códigos de verificação e até transações bancárias em tempo real.
Como o “screen-sharing scam” engana até usuários experientes
A estratégia combina três pilares clássicos de engenharia social:
1. Confiança: o contato chega por uma videochamada que, à primeira vista, parece legítima. Os criminosos utilizam técnicas de spoofing para exibir números locais e, muitas vezes, se apresentam como funcionários do banco, suporte do WhatsApp ou até familiares em apuros.
2. Urgência: histórias de cartões bloqueados, prêmios a resgatar ou contas prestes a ser suspensas pressionam a vítima a agir sem pensar.
3. Controle: quando a pessoa compartilha a tela ou instala o aplicativo de acesso remoto, entrega aos golpistas o palco completo – desde SMS com códigos 2FA até o app do banco aberto, onde as transferências são “orientadas” pelos falsos atendentes.
Por que este golpe é mais perigoso do que malwares tradicionais
Diferentemente de vírus que precisam se infiltrar no sistema operacional, o screen-sharing scam depende apenas da autorização voluntária da vítima. Isso elimina barreiras técnicas, dificulta a detecção por antivírus e acelera o roubo de dados: em questão de minutos, o golpista pode clonar o WhatsApp, invadir e-mails, solicitar empréstimos em seu nome e drenar a conta corrente.
Casos registrados: do Reino Unido a Hong Kong
Pesquisadores da ESET já mapearam ocorrências na Europa e na Ásia. Em Hong Kong, uma única vítima perdeu 5,5 milhões de dólares de Hong Kong – cerca de US$ 700 mil. Na Índia e no Reino Unido, relatos em fóruns como Reddit mostram prejuízos que variam de alguns milhares de reais a economias inteiras.
Imagem: Internet
Boas práticas para blindar seu smartphone (e sua conta)
Por se tratar de um golpe psicológico, a melhor defesa é adotar procedimentos claros antes de interagir com qualquer ligação inesperada:
- Desconfie de videochamadas não solicitadas. Desligue imediatamente e busque o canal oficial da empresa.
- Jamais compartilhe a tela ou instale aplicativos de acesso remoto a pedido de desconhecidos.
- Nunca revele senhas, códigos SMS ou PINs por mensagem ou telefone.
- Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp (Configurações > Conta > Verificação em duas etapas) e, se possível, utilize um segundo fator físico, como chaves de segurança compatíveis – alguns modelos USB-C estão facilmente disponíveis em varejistas como a Amazon.
- Respire antes de agir. A urgência é a principal arma do golpista; desligar e verificar a informação por conta própria elimina 90% dos riscos.
O que fazer se você já compartilhou a tela
Se percebeu o engano tarde demais, adote uma operação de contenção imediatamente:
- Altere todas as senhas expostas durante a chamada.
- Ative ou reconfigure a verificação em duas etapas em cada serviço afetado.
- Entre em contato com o banco e peça bloqueio temporário de operações.
- Verifique a instalação de apps suspeitos e remova-os.
- Considere restaurar o smartphone às configurações de fábrica e, se possível, utilizar um antivírus mobile renomado para inspeção prévia.
Em resumo: a função de compartilhar tela é extremamente útil, mas deve ser restrita a pessoas e contextos em que você confia 100%. Manter a calma, questionar e validar informações por canais independentes continuam sendo as defesas mais eficazes contra golpes que exploram a fragilidade humana em vez de brechas de software.
Com informações de TecMundo