Depois de anos tentando criar uma inteligência artificial própria, a Apple finalmente entrou em campo com o talão de cheques aberto. Segundo o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a empresa de Cupertino fechou um acordo estimado em US$ 1 bilhão anuais para licenciar o Google Gemini, modelo de IA que já equipa recursos nos celulares Galaxy da Samsung. A parceria deve alimentar a “nova Siri”, prevista para a primavera norte-americana de 2026 (entre março e junho).
Por que a Apple precisou recorrer ao Google?
A gigante da maçã testou internamente três fornecedores: Anthropic (Claude), OpenAI (ChatGPT) e o próprio Google. Embora Claude tenha sido o preferido em um primeiro momento, o Gemini venceu pela combinação de escalabilidade, performance e — principalmente — número de parâmetros:
- Gemini (nuvem): 1,2 trilhão de parâmetros
- IA interna da Apple (nuvem): 150 bilhões de parâmetros
- IA interna da Apple (on-device): 3 bilhões de parâmetros
Números maiores, em tese, significam melhor compreensão de linguagem natural, respostas mais contextuais e capacidade de executar tarefas complexas — algo essencial para que a Siri deixe de ser apenas um “atalho de voz” e se torne uma assistente realmente proativa.
O que muda para você, usuário de iPhone ou Mac?
Se a Apple cumprir o cronograma, a Siri 2026 deverá:
- Planejar rotinas completas (viagens, agenda de reuniões, listas de compras) em segundos.
- Resumir conteúdo de e-mails, PDFs ou páginas da web — útil para estudos e trabalho remoto.
- Acesso off-line parcial: tarefas simples continuarão rodando localmente para preservar bateria e privacidade.
Em outras palavras, a experiência tende a se aproximar (ou superar) o que hoje vemos em Alexa, Google Assistant e até mesmo no Copilot da Microsoft — boa notícia para quem investe no ecossistema Apple e busca produtividade sem abrir mão de segurança.
Privacidade continua sendo prioridade da Apple
Mesmo usando tecnologia alheia, a Apple vai hospedar o Gemini em seus próprios datacenters Private Cloud Compute. Dessa forma, as chaves de criptografia e as camadas de autenticação permanecem sob controle da empresa, reduzindo riscos de vazamento de dados sensíveis.
Impacto no mercado de hardware e periféricos
Uma Siri mais inteligente pode favorecer a adoção de acessórios HomeKit, AirPods e até mouses e teclados Bluetooth de terceiros — produtos extremamente populares em lojas como a Amazon Brasil. Afinal, quanto melhor a assistente, maior a facilidade para controlar iluminação, áudio e automação com um simples comando de voz.
Concorrência aquece a corrida pela IA
• Samsung fechou acordos semelhantes e já exibe o “Galaxy AI” alimentado pelo Gemini.
• Microsoft aposta no Copilot, integrado a Windows 11 e Surface PCs.
• Amazon trabalha em uma Alexa generativa para impulsionar seu ecossistema, que inclui os recém-lançados Echo Pop e Fire TV Stick 4K Max.
Imagem: Internet
Ou seja, o usuário ganha novas opções e, no curto prazo, deve prestar atenção nas configurações de hardware: processadores mais potentes (como os Apple M-series ou Snapdragon X Elite) e maior quantidade de memória RAM serão desejáveis para tirar proveito de modelos de IA híbridos — parte no dispositivo, parte na nuvem.
Para quem está escolhendo o próximo notebook, tablet ou periférico na Amazon, vale considerar produtos compatíveis com Wi-Fi 6E / Wi-Fi 7 e Bluetooth de última geração, garantindo latência baixa ao acionar a Siri renovada.
Quando veremos tudo isso na prática?
A tendência é que o anúncio oficial ocorra na WWDC 2026, com distribuição em beta para desenvolvedores pouco depois. Aparelhos compatíveis devem incluir iPhone 16 ou superior, iPad Pro com chip M2 em diante e Macs lançados a partir de 2023.
No fim das contas, o acordo bilionário sela uma verdade incômoda para a Apple: mesmo com o silício mais avançado do mercado, desenvolver IA generativa de larga escala demanda tempo (e servidores) que nem a empresa mais valiosa do mundo conseguiu erguer sozinha. Para o consumidor, porém, a notícia é música para os ouvidos — ou melhor, um convite para conversar com uma Siri finalmente digna de 2026.
Com informações de TecMundo