Usar o próprio nome como senha pode parecer piada, mas foi exatamente o que aconteceu no Museu do Louvre. A instituição mais visitada do planeta, que abriga a icônica “Mona Lisa”, teve seu sistema de vigilância protegido por um código tão óbvio quanto “LOUVRE”. O detalhe veio à tona após o roubo de joias históricas, avaliado em mais de R$ 500 milhões, ocorrido em outubro.
Como um erro tão básico passou despercebido?
Documentos confidenciais obtidos pelo jornal francês Libération e pelo grupo investigativo CheckNews mostram que as falhas não são recentes. Desde 2014, auditorias da Agência Nacional Francesa para a Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI) alertavam sobre:
- Senhas fracas — além de “LOUVRE”, havia o código “THALES” para softwares fornecidos pela Thales;
- Computadores rodando Windows 2000 e Windows XP, ambos sem suporte oficial da Microsoft;
- Antivírus desatualizados e estações sem bloqueio automático de sessão;
- Softwares de câmeras IP, controle de acesso e detecção de intrusos fora do ciclo de atualização.
Em outras palavras, o museu estava congelado no tempo, operando com a mesma segurança digital de uma lan house dos anos 2000.
Impacto prático: se o Louvre falhou, sua casa também pode falhar
Pode parecer distante, mas o episódio escancara um problema cotidiano: senhas fracas e equipamentos obsoletos são portas abertas, seja em um museu multimilionário, seja no seu PC gamer. Se você investe em um processador topo de linha ou em uma placa de vídeo da geração RTX 40, mas ainda usa “123456” no roteador, está repetindo o erro do Louvre.
Bons hábitos de cibersegurança que cabem no bolso
Abaixo, práticas recomendadas (e fáceis) que evitam que sua coleção de jogos ou os dados do cartão de crédito virem alvo fácil:
Imagem: Internet
- Crie senhas longas e únicas (12+ caracteres, misturando letras, números e símbolos). Um gerenciador de senhas confiável faz isso por você.
- Atualize o firmware do roteador. Modelos recentes, como o TP-Link Archer AX73, recebem patches automáticos.
- Use autenticação em dois fatores para acesso ao console da câmera ou NAS onde guarda gravações de gameplay.
- Substitua sistemas operacionais sem suporte. Se ainda roda Windows 7 ou versões piratas, migre para o Windows 11 ou distribuições Linux otimizadas para jogos, como o Pop!_OS.
- Mantenha antivírus e firewall ativos. Soluções como o Bitdefender Total Security oferecem proteção multicamadas com impacto mínimo nos FPS.
E o Louvre, resolveu o problema?
Depois do assalto, a ministra da Cultura da França, Rachida Dati, primeiro negou falhas, mas acabou admitindo a necessidade de “medidas emergenciais”. O governo não detalhou quais vulnerabilidades foram corrigidas, apenas afirmou que uma força-tarefa está revisando toda a infraestrutura digital do museu.
Seja qual for o desfecho da investigação, o caso reforça uma lição valiosa: segurança não é luxo, é necessidade. Basta uma senha fraca para transformar qualquer patrimônio — do Louvre à sua conta Steam — em prêmio fácil para cibercriminosos.
Com informações de TecMundo