Elon Musk, o executivo mais midiático do Vale do Silício, pode embolsar um pacote de remuneração de quase US$ 1 trilhão — o maior da história corporativa — caso os acionistas da Tesla aprovem, nesta quinta-feira (6), um plano de ações escalonado para a próxima década. A votação promete ser tensa: além de ameaçar deixar o cargo de CEO se o acordo for barrado, Musk enfrenta resistência de fundos internacionais e de consultorias de governança preocupadas com o tamanho da conta.
O que exatamente está na mesa?
O conselho da Tesla propõe um programa dividido em 12 faixas de compensação. A cada meta conquistada, Musk recebe novas parcelas de ações. O objetivo final? Elevar a fatia pessoal de Musk para quase 29 % do capital da empresa. Para liberar todo o pacote, a Tesla precisará:
- Multiplicar o valor de mercado de US$ 1,4 trilhão para impressionantes US$ 8,5 trilhões.
- Entregar 20 milhões de veículos elétricos — praticamente o dobro da produção anual da indústria de automóveis premium somada.
- Colocar 1 milhão de robôs humanoides Optimus em operação comercial.
- Lançar 1 milhão de robotáxis totalmente autônomos.
- Alcançar 10 milhões de assinaturas do pacote Full Self-Driving (FSD), o sistema de direção autônoma da marca.
Para efeito de comparação, o polêmico plano de 2018, avaliado em US$ 55 bilhões, já era visto como “exagerado” e acabou contestado na justiça norte-americana. Agora, os números são quase 20 vezes maiores.
Metas de ficção científica ou estratégia calculada?
Se bater as metas, a Tesla deixaria para trás o valor de mercado atual somado de Apple, Microsoft e uma parte da Nvidia. Além de carros, a empresa teria que provar, em campo, que consegue escalar robótica e IA para uso cotidiano. Para gamers e entusiastas de hardware, vale lembrar: a Tesla desenha seus próprios chips FSD de 14 nm e planeja migrar para litografia de 4 nm — um salto que, se vingar, pode influenciar toda a cadeia de semicondutores.
Quem já declarou voto “não”
O fundo soberano da Noruega, sétimo maior acionista da Tesla com 1,12 % de participação, tornou pública sua oposição. Consultorias de peso, como Glass Lewis e ISS Stoxx, também recomendam que investidores rejeitem o pacote. Os principais argumentos:
- Parte do bônus poderia ser liberada mesmo sem todas as metas operacionais cumpridas.
- O conselho da Tesla teria pouca independência, já que reúne amigos e familiares de Musk.
- A diluição de ações pode reduzir o valor por cota dos atuais investidores.
Por que isso importa para você
Mesmo que você esteja mais interessado em placas de vídeo ou teclados mecânicos, o desfecho dessa votação pode ditar o ritmo de inovações que chegam ao seu dia a dia. A Tesla é uma das poucas companhias que fabricam hardware, software e IA sob o mesmo teto. Se o pacote for aprovado, Musk ganha fôlego (e recursos) para acelerar:
Imagem: Stock all
- Novo hardware de IA que pode rivalizar com soluções de Nvidia e AMD.
- Ecossistemas de energia doméstica, como baterias Powerwall, que já começam a dialogar com casas inteligentes.
- Tecnologias de visão computacional que podem transbordar para wearables, drones e até mouses com rastreamento avançado.
Se a proposta cair, o cenário muda. A incerteza sobre a liderança pode atrasar lançamentos, reduzir investimentos em P&D e abrir espaço para rivais como BYD, Apple (com seu projeto de carro elétrico engavetado, mas não morto) e até startups de robótica que visam o segmento de consumo.
O que esperar da votação
Para ser aprovado, o megabônus precisa de maioria simples — cada ação representa um voto. Como muitos papéis estão pulverizados em corretoras, analistas não descartam um placar apertado. Caso a proposta passe, Musk se aproxima de um empoderamento sem precedentes em uma empresa de capital aberto. Se fracassar, o bilionário já sinalizou que pode priorizar projetos paralelos, como a xAI e a rede social X, tirando foco (e talento) da Tesla.
Resultado: seja qual for o veredito, o mercado — e qualquer pessoa interessada em tecnologia de ponta — terá uma visão mais clara nesta quinta sobre o ritmo em que robótica, IA e eletrificação chegarão às prateleiras (físicas e online) nos próximos anos.
Com informações de Olhar Digital