Quase 13 anos depois do homicídio que ganhou manchetes nacionais e virou documentário na Netflix e série ficcional no Prime Video, Elize Matsunaga tenta passar despercebida no interior de São Paulo. Condenada a 19 anos* pelo assassinato e esquartejamento do marido, o executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, a ex-detenta já deixou o presídio de Tremembé, arriscou-se como motorista de aplicativo e hoje costura roupinhas para pets para bancar o próprio sustento.
Relembre o caso em 1 minuto
• Julho de 2012: Marcos Kitano é assassinado a tiros em seu apartamento. O corpo é esquartejado e espalhado em malas pelo interior paulista.
• 2016: Elize é condenada a 19 anos* em regime fechado e enviada à Penitenciária Feminina de Tremembé, conhecida por abrigar casos de repercussão.
• 2021: estreia o documentário “Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime” (Netflix).
• 2024: gravações da série ficcional “Tremembé” (Prime Video) reacendem o interesse no caso.
• 2025: Elize cumpre 10 anos, progride para o semiaberto e obtém liberdade condicional.
Motorista de app: por que ela pôde dirigir mesmo com ficha criminal?
De acordo com o jornalista Ulisses Campbell, autor do livro que inspirou a série do Prime Video, Elize mudou-se para Franca (SP) e se cadastrou na TaxiMaxim, concorrente local da Uber. A plataforma confirmou à CNN Brasil que:
• exige apenas CNH válida, carro em bom estado e documentos em dia;
• não veta motoristas com antecedentes, desde que não haja restrições judiciais específicas;
• Elize usava o nome de solteira, Elize Araújo, e mantinha avaliação “acima da média”.
O trabalho, porém, durou pouco: a exposição midiática tornou inviável continuar no volante sem chamar atenção de passageiros.
Da direção às agulhas: nova fonte de renda
Fora dos apps de transporte, Elize instalou uma pequena oficina em casa e agora costura roupas e acessórios para cães e gatos. A escolha não é aleatória: produtos pet tiveram crescimento de dois dígitos no e-commerce brasileiro em 2024, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Com ticket médio de R$ 70 a R$ 120 por peça, a atividade pode render lucro maior que motoristas de aplicativo que enfrentam alta no preço dos combustíveis.
Relação com a filha continua interrompida
A adolescente, hoje com 15 anos, vive com os avós paternos desde o assassinato do pai. A família Kitano mantém distância e só pretende permitir contato quando ela atingir a maioridade. Tentativas jurídicas de Elize para restabelecer o vínculo foram negadas, e a série “Tremembé” tende a esfriar ainda mais a reaproximação.
Imagem: Internet
Streaming e true crime: por que “Tremembé” importa?
• A produção do Amazon Prime Video revisita o caso com elenco de peso e pode repetir o fenômeno do documentário da Netflix, que figurou entre os 10 títulos mais vistos na época do lançamento.
• Séries de true crime costumam impulsionar pesquisas no Google e redes sociais por detalhes do caso, abrindo espaço para discussões sobre justiça, violência doméstica e ressocialização.
• Para quem gosta do gênero, o Prime Video oferece 30 dias de teste grátis — tempo suficiente para maratonar “Tremembé”, “O Veredicto” e “Lorena”.
O que esperar daqui para frente?
Em liberdade condicional até 2031, Elize é obrigada a:
• manter endereço atualizado;
• comparecer periodicamente à Vara de Execuções Penais;
• comprovar renda lícita.
Qualquer participação pública na série ou em entrevistas remuneradas precisa de autorização judicial. Caso a repercussão se intensifique, não está descartada a revisão das condições do regime.
No fim das contas, Elize Matsunaga parece determinada a trocar holofotes por discrição. Seja atrás do volante ou da máquina de costura, o foco é passar despercebida — missão difícil quando uma das maiores plataformas de streaming do planeta transforma sua vida novamente em entretenimento global.
Com informações de TecMundo
*Nota: A sentença originalmente era de 26 anos; após recursos, reduziu-se a 19 anos.