Prepare o despertador: o cometa 3I/ATLAS – apenas o terceiro visitante interestelar já flagrado pela ciência – volta a dar as caras a partir do início de novembro. Embora ele não seja visível a olho nu, a rápida passagem pelo céu do hemisfério Sul promete ser um prato cheio para quem possui um bom setup de observação. A seguir, explicamos quando, onde e com qual tipo de equipamento você terá chance de registrar esse objeto que viaja a incríveis 61 km/s e carrega mais de 5 bilhões de anos de história cósmica.
Por que o 3I/ATLAS é tão especial?
Descoberto em 2023 pelo projeto ATLAS, o 3I/ATLAS é o terceiro corpo interestelar já detectado, sucedendo o asteroide ‘Oumuamua (1I) e o cometa 2I/Borisov. Ao contrário dos cometas “nativos” do nosso Sistema Solar, ele nasceu em torno de outra estrela e foi ejetado após perturbações gravitacionais. Isso significa que cada partícula de poeira em sua coma pode revelar pistas sobre a formação de sistemas planetários completamente diferentes do nosso.
Agenda celeste: quando e onde observar
Dados do guia TheSkyLive apontam que o 3I/ATLAS reaparece no firmamento logo após o periélio, atingido em 29 de outubro. Veja o cronograma:
- 3 a 17 de novembro – surge no quadrante leste antes do amanhecer, cerca de 9° acima do horizonte, atravessando a Constelação de Virgem.
- 18 de novembro a 5 de dezembro – corta a Constelação de Leão, ganhando gradualmente altura e facilitando o rastreio.
- 19 de dezembro – atinge a máxima aproximação da Terra, ainda distante 270 milhões de km.
No Brasil, o período mais “amigável” deve ocorrer entre início e meados de dezembro, quando o cometa alcançará mais de 20° de elongação em relação ao Sol, reduzindo o ofuscamento do crepúsculo.
Brilho tímido exige equipamento robusto
Com magnitude estimada em 11,5, o 3I/ATLAS é 20 mil vezes menos brilhante que Vênus no auge. Traduzindo: binóculos convencionais (7×50 ou 10×50) dificilmente darão conta.
Para ter chance real de observação, astrônomos recomendam telescópios de médio porte, com abertura a partir de 200 mm (8″). Modelos refletores na linha Celestron, Sky-Watcher ou Orion – facilmente encontrados em marketplaces como a Amazon – oferecem a combinação de abertura generosa e portabilidade.
Também vale investir em:
Imagem: TheSkyLive.com
- Buscador com círculo vermelho (red-dot) para alinhar rapidamente o tubo com a região onde o cometa estará;
- Oculares de campo amplo (25 mm ou 32 mm), que ajudam a “varrer” o céu;
- Filtros de poluição luminosa, se você não tiver acesso a um céu de magnitude 5 ou superior.
Dicas práticas de observação
1. Instale um app de cartas celestes no smartphone (Stellarium, SkySafari, Sky Guide) e atualize a base de cometas para incluir o 3I/ATLAS.
2. Escolha um ponto com horizonte totalmente livre a leste – praias e áreas rurais funcionam bem.
3. Comece a montagem do equipamento por volta das 4h da manhã e mire na altitude informada pelo aplicativo.
4. Registre suas tentativas: mesmo que você só veja um borrão esverdeado, ele pode servir para astrometria ou simplesmente para mostrar aos amigos que você acompanhou um objeto de fora do Sistema Solar.
O que os astrônomos esperam descobrir
Além do espetáculo para entusiastas, o 3I/ATLAS é uma mina de ouro científica. Análises espectroscópicas devem comparar sua composição com a de cometas locais, avaliando diferenças em gelo de água, cianeto e dióxido de carbono. Se a missão da ESA proposta para coletar amostras se confirmar, poderemos ter, pela primeira vez, material “importado” de outro sistema estelar.
Mesmo que a passagem seja discreta visualmente, acompanhar esse objeto único coloca qualquer observador na linha de frente da exploração científica: literalmente enxergando algo que fez uma viagem de milhões – talvez bilhões – de anos-luz até bater na nossa vizinhança.
Com informações de Olhar Digital