O Hospital de Clínicas da Unicamp recebeu, na última sexta-feira (10), 98 frascos de Fomepizol, medicamento considerado o antídoto mais eficaz contra intoxicação por metanol. A remessa, parte de um lote nacional de aproximadamente duas mil doses entregues ao Ministério da Saúde na véspera, foi encaminhada diretamente ao Centro de Informações Toxicológicas da Unicamp (CIATox) e já segue o novo protocolo clínico divulgado pela pasta.
Por que o Fomepizol é decisivo no tratamento?
Diferentemente do etanol, tradicionalmente usado nos pronto-socorros brasileiros para competir com o metanol no metabolismo hepático, o Fomepizol age de forma seletiva inibindo a enzima álcool-desidrogenase. Isso impede que o metanol se converta nos metabólitos tóxicos (formaldeído e ácido fórmico) que atacam o sistema nervoso central e podem levar à cegueira ou morte. O resultado é um tempo de resposta clínico mais rápido e efeitos colaterais muito menores para o paciente.
Quanto medicamento chega e para onde ele vai?
Do lote nacional, 288 frascos estão destinados ao estado de São Paulo, com distribuição prioritária para hospitais públicos de referência em toxicologia. A Unicamp, por receber 98 unidades, torna-se um dos principais polos de atendimento do Sudeste em casos graves de envenenamento por metanol.
Quem tem direito ao antídoto? Entenda o novo protocolo
De acordo com a nota técnica do Ministério da Saúde, o Fomepizol será administrado a pacientes que:
- Apresentem sintomas compatíveis com intoxicação por metanol (náuseas, vômitos, visão turva, confusão mental);
- Tenham ingerido bebidas destiladas suspeitas entre 6 h e 72 h antes da chegada ao hospital;
- Exibam alterações em pelo menos dois exames laboratoriais (gasometria arterial, dosagem de ânion gap, entre outros).
Nestes casos, não é necessária a confirmação laboratorial da presença de metanol para iniciar o antídoto, acelerando o início do tratamento e aumentando as chances de reversão do quadro.
Como o Fomepizol é aplicado?
O esquema terapêutico prevê:
- Uma dose inicial de ataque;
- Três doses de manutenção a cada 12 h, completando quatro aplicações no total.
Segundo especialistas do CIATox-Unicamp, a melhora costuma surgir nas primeiras 48 h, mas o paciente deve permanecer em observação hospitalar devido ao risco de complicações metabólicas tardias.
Imagem: Internet
Disponibilidade: farmácias de rua ficam de fora
O Ministério da Saúde reforça que o Fomepizol não será vendido em farmácias comuns. A distribuição ficará restrita a hospitais previamente cadastrados, centralizando o controle de estoque e evitando uso inadequado. Após cada aplicação, o centro médico precisará informar o caso ao Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica.
Por que o tema voltou aos holofotes?
O consumo de bebidas clandestinas — especialmente durante festas e grandes eventos — aumentou o número de casos de envenenamento por metanol nos últimos anos. Só em 2024, o CIATox registrou alta de 18 % nas notificações no estado de São Paulo. Nesse cenário, o envio do Fomepizol à Unicamp eleva a capacidade de resposta imediata do Sistema Único de Saúde (SUS) e pode reduzir significativamente índices de mortalidade e sequelas graves, como perda permanente da visão.
Embora seja uma notícia voltada à saúde pública, o movimento reforça como inovações farmacêuticas — tal qual as constantes atualizações de hardware no mundo da tecnologia — podem impactar rapidamente a vida real. Mais do que armazenar dados a velocidades recordes, aqui a corrida é literalmente contra o tempo para salvar vidas.
Com informações de Olhar Digital