O “grande salto” que Mark Zuckerberg prometeu em 2021 para o metaverso nunca aconteceu — pelo menos não como imaginado. Mas a Meta não jogou a toalha. Depois de aprender com os tropeços do Horizon Worlds, a companhia acaba de reformular a estratégia: em vez de obrigar o usuário a comprar um headset, o plano agora é levar os mundos virtuais para qualquer dispositivo, do smartphone ao desktop, sem abandonar os óculos de realidade virtual.
Do entusiasmo ao baque: por que o Horizon Worlds não decolou
Lançado no fim de 2021, o Horizon Worlds apostava em ambientes criados pela comunidade. A proposta “faça você mesmo” gerou experiências rasas e pouco atraentes. O próprio vice-presidente de metaverso, Vishal Shah, admitiu em documentos internos vazados que nem os funcionários da Meta queriam passar tempo lá. Resultado: uso mínimo, críticas abundantes e um metaverso relegado a segundo plano enquanto a empresa investia em algoritmos de IA e em novos óculos inteligentes Ray-Ban Meta.
A virada de jogo: conteúdo de qualidade e multiplataforma
Em 2023 a Meta mudou de rumo e passou a bancar produções próprias. O shooter Super Rumble, desenvolvido internamente, serviu de cartão de visitas ao mostrar que jogos com visual mais caprichado atraem público. Paralelamente, chegou o Meta Horizon Studio, ferramenta que simplifica a criação de experiências ricas sem exigir conhecimento avançado em programação.
Mas a barreira continuava: os mundos só rodavam nos óculos Meta Quest. A pergunta retórica de Shah — “por que alguém compraria se não há conteúdo?” — guiou o próximo passo: liberar o acesso também em navegador e, agora, em aplicativos iOS e Android. Os testes iniciais não convenceram; a solução foi autorizar projetos 100% pensados para telas 2D. O resultado? O número de usuários móveis quadruplicou, ainda que partindo de uma base pequena.
Para quem joga: o que muda na prática
• Cross-play real: partidas começam no celular e continuam sem interrupções no headset Quest 3.
• Comunidade maior: juntar PC, smartphone e VR num mesmo servidor garante salas mais cheias — crucial para jogos competitivos.
• Menos fila, mais conteúdo: estúdios independentes podem lançar primeiro no mobile e, depois, portar para VR, aumentando o catálogo num ritmo que o metaverso nunca teve.
Onde entram os novos hardwares da Meta
Mesmo com a expansão para 2D, os wearables continuam no centro da estratégia:
Meta Quest 3 – Processador Snapdragon XR2 Gen 2, resolução de 2064 × 2208 por olho e pass-through a cores. É hoje o headset standalone mais potente vendido oficialmente no Brasil e já aparece em promoções relâmpago na Amazon.
Ray-Ban Meta Smart Glasses – Câmeras de 12 MP, transmissão ao vivo direto para o Instagram e som direcional. Ainda não substituem um Quest, mas funcionam como “porta de entrada” para experiências de realidade aumentada e, claro, fazem bonito como wearable de estilo.
Concorrência acirrada: Apple, Sony e Epic na jogada
• Apple Vision Pro: aposta em realidade mista premium a US$ 3.499, com chip M2 e tela micro-OLED 4K por olho. Deve chegar ao Brasil em 2025.
• PlayStation VR2: conexão direta ao PS5, foco em jogos AAA como Horizon Call of the Mountain.
• Fortnite e Roblox: apesar de não exigirem headset, já oferecem eventos virtuais massivos e são rivais diretos no quesito “tempo gasto em mundos digitais”.
Imagem: Divulgação
A Meta quer diferenciar-se pelo ecossistema. Em vez de isolar VR, AR e mobile, o plano é conectar tudo — inclusive Facebook e Instagram — a um único login e inventário de avatares, skins e moedas virtuais.
Por que essa mudança importa para você
Se você achava que o metaverso era só papo de executivos, é hora de prestar atenção. A abertura para smartphones elimina o investimento inicial pesado num headset, enquanto garante que, se (ou quando) você decidir dar o salto para um Quest 3, todo o seu progresso e itens virtuais já estarão lá. Para quem gosta de jogos competitivos, a promessa de cross-play e servidores mais cheios significa partidas mais rápidas e menos latência.
E se seu foco é hardware, vale ficar de olho: a volatilidade do dólar e a proximidade da Black Friday costumam derrubar o preço dos headsets da Meta e de acessórios como power banks e controles com rastreamento óptico — todos disponíveis oficialmente na Amazon Brasil.
No fim das contas, como resumiu Vishal Shah, “tudo é apenas um mundo”. A Meta quer garantir que você entre nele pelo dispositivo que tiver à mão — e, de preferência, fique lá tempo suficiente para adotar o próximo gadget do ecossistema.
Com informações de Olhar Digital