A Nvidia acaba de reservar pelo menos US$ 2 bilhões para se tornar investidora âncora de um fundo de US$ 20 bilhões que abastecerá a xAI, startup de inteligência artificial de Elon Musk. O capital – somando patrimônio e dívida – será usado sobretudo na compra das poderosas GPUs da própria Nvidia, que equiparão o Colossus 2, megadata center que a empresa de Musk ergue em Memphis (EUA).
O que está em jogo
De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, o fundo deve ser dividido em cerca de US$ 7,5 bi em participação acionária e mais US$ 12,5 bi em dívidas. A porção de equity conta com o cheque mínimo de US$ 2 bi da Nvidia, enquanto o bolo da dívida é estruturado por players como Apollo Global Management e Diameter Capital Partners.
Por que a Nvidia topou pôr dinheiro no jogo
Para a Nvidia, a operação é duplamente estratégica. Além de garantir um cliente gigante para suas GPUs da linha H100/B100, a empresa abre um precedente de financiamento que pode acelerar a adoção de IA por outras companhias – algo que o próprio CEO Jensen Huang vem defendendo. Ao oferecer capital e hardware em um pacote, a Nvidia praticamente antecipa receitas e fortalece seu ecossistema.
Colossus 2: o supercomputador de Musk
Embora detalhes técnicos ainda sejam mantidos em sigilo, o Colossus 2 deverá ostentar dezenas de milhares de GPUs Nvidia H100 – o mesmo chip utilizado pelos maiores laboratórios de IA do planeta. Para efeito de comparação, cada H100 entrega até 4,9 petaflops de potência FP8, mais que o dobro do antecessor A100. Em outras palavras, é poder de fogo suficiente para treinar modelos como o Grok, da própria xAI, em uma fração do tempo.
Impacto imediato para gamers e criadores de conteúdo
“Mas eu não tenho um data center em casa, por que isso importa para mim?” A resposta está na arquitetura. Os mesmos avanços das GPUs H100 – como núcleos Tensor de quarta geração e memória HBM3 – acabam escorrendo para as placas GeForce RTX que encontramos na Amazon, especialmente as séries RTX 40 e, em breve, RTX 50. Mais demanda corporativa significa mais investimento em I&D, acelerando o ritmo de lançamentos e melhorando recursos como DLSS e Ray Tracing que chegam ao PC gamer.
Estratégia financeira: SPE e aluguel das GPUs
O acordo prevê uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) que comprará os chips Nvidia. A xAI, por sua vez, alugará o parque de GPUs por cinco anos, reduzindo o impacto no caixa. Como a dívida é garantida pelo hardware – e não pela empresa –, investidores de Wall Street conseguem um nível extra de segurança, algo que pode virar referência para futuras rodadas de capital em IA.
Imagem: Agency
A corrida bilionária da IA não para
O movimento da xAI/Nvidia faz eco a outras alianças de peso: OpenAI e AMD já costuram um acordo multibilionário; a Meta comprometeu US$ 29 bi em data centers; e a Oracle levantou nada menos que US$ 38 bi para expandir sua infraestrutura. Só nos EUA, empresas de tecnologia emitiram cerca de US$ 157 bi em dívidas no último ano – 70% acima de 2024.
Próximos capítulos
A xAI já captou cerca de US$ 10 bi em 2025, mas a sede de capital continua. Ainda este ano, acionistas da Tesla votarão se a montadora deve investir na startup de IA. Para Musk, a inteligência artificial é componente-chave de produtos futuros, dos veículos autônomos ao robô humanoide Optimus.
Procuradas, Nvidia e xAI não comentaram oficialmente. Pelo X, Musk apenas afirmou que “não estamos levantando capital, por enquanto”. A frase, no entanto, não convenceu o mercado – e o megafundo de US$ 20 bi está prestes a sair do forno.
Com informações de Olhar Digital