O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) começou a disparar mensagens oficiais via WhatsApp, SMS, e-mail e pelo aplicativo Notifica para cobrar a devolução do Auxílio Emergencial recebido de forma indevida. A meta é recuperar R$ 478 milhões, valor correspondente a pagamentos irregulares identificados após cruzamento de dados trabalhistas, previdenciários e fiscais.
Por que o governo está cobrando agora?
O Auxílio Emergencial foi criado em 2020 para reduzir o impacto econômico da pandemia de covid-19. Embora o benefício tenha sido fundamental para quase 70 milhões de brasileiros, auditorias posteriores constataram fraudes e inconsistências, como:
- Vínculo de emprego formal ativo no período do saque;
- Recebimento simultâneo de benefícios previdenciários ou assistenciais incompatíveis;
- Renda familiar acima do limite exigido (até três salários mínimos ou R$ 522,50 per capita, à época);
- Cadastro duplicado ou informações falsas no CadÚnico.
Quem precisa devolver e em quais condições
Cerca de 177 mil pessoas já receberam a notificação inicial. Segundo o MDS, o foco são beneficiários com maior capacidade de pagamento e valores altos a restituir. Os principais estados com devoluções pendentes são:
- São Paulo: 55,2 mil pessoas
- Minas Gerais: 21,1 mil
- Rio de Janeiro: 13,26 mil
- Paraná: 13,25 mil
Ficam de fora da cobrança os beneficiários do Bolsa Família, pessoas inscritas no CadÚnico que receberam até R$ 1,8 mil ou famílias com renda de até dois salários mínimos per capita (ou três salários mínimos no total).
Formas de pagamento — sem juros e com parcelamento flexível
O ressarcimento é feito dentro do próprio sistema VEJAE (Verificação, Justificação e Análise de Empréstimos), com três opções:
- Pix
- Cartão de crédito
- Boleto/GRU simples
É possível parcelar em até 60 vezes, desde que cada parcela seja de, no mínimo, R$ 50. Não há cobrança de juros nem multa, mas o prazo para pagar à vista ou quitar a primeira parcela é de 60 dias contados a partir do recebimento da notificação.
Golpes em alta: como reconhecer a mensagem oficial
Com a popularidade do WhatsApp e do Pix, criminosos aproveitam o momento para criar falsos boletos e links de phishing. Para não perder dinheiro, siga estas dicas:
Imagem: Internet
- Sem links: a mensagem legítima não traz links clicáveis nem anexa boletos. Ela orienta a acessar o app Gov.br ou o site oficial.
- Confirme seu CPF no VEJAE: antes de qualquer pagamento, digite manualmente o endereço do sistema no navegador e verifique se realmente há pendência.
- Dúvidas? Use os canais oficiais: Disque Social 121, site do MDS ou aplicativo Gov.br. Evite responder diretamente à mensagem recebida.
O que acontece se você não devolver o valor?
Quem ignorar a cobrança poderá ter o nome inscrito na Dívida Ativa da União, no Cadin e nos principais birôs de crédito, o que dificulta empréstimos, financiamentos e até o parcelamento de compras no varejo no futuro.
Por que importa: sinal verde para serviços públicos digitais
A iniciativa de cobrança via WhatsApp reforça a tendência de digitalização de serviços federais. Assim como o app Caixa Tem popularizou pagamentos instantâneos em 2020, a adoção do chat como canal oficial pode acelerar outras integrações, desde emissão de RG até agendamento de perícia médica. Mas, com a conveniência, cresce a necessidade de educação em cibersegurança para evitar golpes.
No cenário de compras on-line — de placas de vídeo a smartphones — a lição é a mesma: desconfie de links suspeitos, verifique selos de segurança e prefira métodos de pagamento protegidos. A atenção que você dedica a uma notificação do governo é a mesma que deve aplicar ao avaliar uma oferta tentadora em marketplaces.
Fique atento, proteja seus dados e acompanhe as próximas etapas no portal oficial do MDS.
Com informações de TecMundo